Muito além da decisão de quando e como ter ou não ter filhos

Campanha ‘Ela Decide Seu Presente e Seu Futuro’ é a primeira ação de projeto criado pela ONU para proteger a saúde sexual das mulheres jovens

Redação
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Muito além do planejamento reprodutivo (quando e como ter ou não ter filhos), a saúde sexual das pessoas jovens coloca em xeque o desenvolvimento sustentável do Brasil. Há uma queda no uso de preservativos, em especial entre adolescentes e jovens, como principal forma de proteção contra as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Uma das consequências é o aumento nos casos de infecções como HIV e sífilis, inclusive durante a primeira relação sexual.

A não utilização de métodos contraceptivos ou a automedicação também precisam ser observados, uma vez que as gestações não intencionais ainda são uma dura realidade para o país. Os dados revelam que aproximadamente 30% das mulheres que deram à luz em hospitais selecionados pela Pesquisa Nascer no Brasil, da Fiocruz, disseram que não desejaram a gestação atual.

Os altos índices de gestações não planejadas, de mortes em decorrência de complicações durante a gravidez, o parto e o pós-parto (morte materna) e a elevação da incidência de infecções sexualmente transmissíveis demonstram a urgência do envolvimento de toda a sociedade para fazer frente ao problema.

Diante deste cenário, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) reuniu parceiros para formar a Aliança pela saúde e pelos direitos sexuais e reprodutivos. O ponto focal é a promoção da saúde e garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, com atenção especial para mulheres e jovens, o que é previsto entre os  Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) em todos os países.

Ela Decide Seu Presente e Seu Futuro

A primeira grande ação da Aliança é a campanha Ela Decide Seu Presente e Seu Futuro, de promoção do empoderamento e dos direitos das mulheres e jovens para que obtenham informação de qualidade e possam tomar decisões autônomas sobre sua vida sexual e reprodutiva.

Com informação, acesso à educação e saúde, incluindo saúde sexual e reprodutiva e autonomia, pessoas jovens poderão iniciar um ciclo de prosperidade para si próprias, para suas comunidades e para gerações futuras, revertendo assim a situação atual.

Inspirada na ação global “She Decides”, a ação, lançada inicialmente pela internet, pretende mobilizar em todo o país ações de apoio e empoderamento das mulheres e adolescentes para tomar decisões autônomas sobre sua sexualidade – sobre engravidar ou não, quando e quantos filhos ter e sobre como vivenciar a maternidade.

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Para criar ainda mais engajamento e alcançar especialmente as mulheres jovens, a campanha convidou as atrizes Juliana Alves (foto) e Bella Piero, além das youtubers Gabi Oliveira (DePretas) e Julia Tolezano, a Jout Jout, que já estão nas peças da campanha.

Morte de mulheres no parto

No Brasil, ainda conforme a Fiocruz, a cada 100 mil bebês nascidos vivos, 143 mães morriam antes de 1990. Esse número caiu consideravelmente entre 1990 e 2015, mas, seguiu elevado e preocupante: para o mesmo número de bebês nascidos vivos, 61 mulheres vieram a óbito em 2015.

A gravidez não planejada é uma realidade para mulheres jovens e adolescentes negras e com status socioeconômico mais baixo: 18% dos bebês nascidos vivos são gerados por mães com menos de 19 anos de idade (Ministério da Saúde). A maioria das mães brasileiras com idade entre 15 e 19 anos é negra (IBGE): 7 em cada 10 mulheres nesta faixa etária com filhos são pretas ou pardas.

Em 2007, 306 casos de infecção por HIV em pessoas entre 15 e 19 anos foram notificados, segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde. Dez anos depois (2017), o número praticamente triplicou (997 casos foram notificados), o que demonstra crescimento significativo da infecção entre a população jovem.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

A iniciativa busca também promover especialmente três dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: o ODS 3, que busca assegurar vida saudável e promover o bem-estar para todas as pessoas, em todas as idades; o ODS 5, que defende a igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e jovens; e o ODS 17, que indica o fortalecimento parcerias globais para o desenvolvimento sustentável.

As mulheres são centrais nesse debate porque é sobre o corpo delas que os efeitos da desinformação e da discriminação de gênero recaem de forma muito mais impactante e com consequências para toda a sociedade. Por isso, é fundamental que as mulheres brasileiras decidam seu presente e seu futuro”, afirma Jaime Nadal, representante do UNFPA no Brasil.

Setores público e privado são responsáveis

Para o representante do Fundo de População da ONU, Jaime Nadal, o  desenvolvimento do país não é apenas uma responsabilidade do Estado, mas de vários diferentes setores, entre eles o setor privado. Por isso, o fundo buscou parcerias com organizações do setor privado e organizações filantrópicas para contribuir técnica e financeiramente com a iniciativa. São eles: Bayer, MSD, Reckitt Benckiser, Semina e Instituto Ethos, com o apoio da Embaixada dos Países Baixos.

Fonte: UNFPA, com Redação

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