Muito além da tristeza: como diagnosticar se você tem depressão

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Todo mundo tem seus dias mais felizes, outros mais tristes. A tristeza por si só não caracteriza um quadro de depressão. É um sentimento que pode acontecer com qualquer pessoa saudável sem significar doença. Até porque, é inevitável em determinadas situações, um sentimento comum à vida de qualquer ser humano.

Mas é preciso ficar atento à sua frequência e se está acompanhada de angústia, ansiedade, desmotivação, pessimismo, apatia, cansaço ou fadiga. Essa mistura de sintomas, que podem aparecer isoladamente ou em conjunto, pode caracterizar a depressão, distúrbio cerebral que está ligado ao desequilíbrio químico dos neurotransmissores e requer uma atenção especial e acompanhamento médico.

A depressão tem caráter mais duradouro (pelo menos duas semanas), compromete a vida do indivíduo, varia pouco ao longo dos dias e está associada a outros sintomas como redução da energia, fatigabilidade, humor deprimido, perda de interesse em atividades antes prazerosas, diminuição da capacidade de concentração, redução da libido, alterações do sono e do apetite, redução da autoestima, pensamentos de culpa e desesperança, podendo apresentar ideação suicida.

“Em muitos casos o paciente não percebe que está doente e são os familiares e amigos que identificam que algo está errado. A gravidade da depressão não pode ser minimizada, pois ela pode causar prejuízos significativos na vida do paciente comprometendo suas atividades sociais e pessoais sendo, inclusive, uma das principais causas de afastamento do trabalho”, explica a psicóloga Mariana Guedes, do Hospital Rios D’Or.

Em situações mais brandas, como na depressão leve, a pessoa busca pessoas próximas para desabafar e compartilhar seu sofrimento, dificultando o diagnóstico e tratamento correto. A situação se torna mais preocupante quando a pessoa se isola abandonando as atividades sociais e profissionais comprometendo até mesmo a higiene e a aparência. Geralmente, nesse estágio o indivíduo deprimido não tem forças para buscar ajuda, cabendo aos amigos e familiares cuidarem da integridade física e mental do paciente, buscando apoio médico e profissional.

“O ideal é que não se espere chegar a um estágio tão grave para procurar ajuda. Para evitar o agravamento do quadro o correto é que a pessoa busque auxílio profissional ao sentir uma tristeza profunda e permanente, sem causa aparente. Porém, nem sempre a pessoa deprimida aceita ajuda médica com facilidade. É preciso paciência, não demonstrar excessiva compaixão pelo enfermo, escutar suas queixas sem banalizar seu sofrimento e até se oferecer como companhia para as consultas”, completa Mariana.

A psicóloga Ghina Machado diz que embora a tristeza seja o sintoma mais conhecido e relacionado com a depressão, o impacto da doença vai muito além de sentir-se triste. “A depressão altera diversos sistemas do organismo, causando sintomas muitas vezes incapacitantes, principalmente quando não há diagnóstico e tratamento adequados. É importante entender que muitas vezes os sintomas físicos antecedem os sintomas mentais ou ainda podem acontecer simultaneamente”, explica Ghina.

Segundo ela, o transtorno depressivo afeta a saúde como um todo. “Nem sempre a tristeza está presente. Na verdade, os sintomas físicos podem até mesmo preceder o humor deprimido, o choro e o isolamento, que são as situações mais conhecidas da doença pela população. A dica é sempre procurar ajuda de um profissional que poderá avaliar e realizar o diagnóstico correto, assim como o tratamento mais adequado”, ressalta.

Saiba como diagnosticar a depressão

Com a ajuda da psicóloga Ghina Machado, preparamos uma lista com os principais sintomas físicos que devem ser investigados para o diagnóstico da depressão. Confira:

  1. Insônia

A insônia é um dos critérios diagnósticos da depressão. A dificuldade para dormir, alterações na continuidade do sono, despertar precoce, sono leve, interrompido ou agitado são características da insônia relacionada àdepressão. Estima-se que cerca de 90% dos pacientes com depressãoapresentam alterações no sono. Embora a insônia seja mais comum, há também casos em que há sonolência excessiva.

  1. Perda ou ganho de peso

A falta de apetite é uma alteração muito comum na depressão. A pessoa não consegue se alimentar e acaba perdendo peso. Porém, também há casos de ganho de peso quando o paciente aumenta a ingestão de alimentos ricos em carboidratos e açúcar, por exemplo.

  1. Dores

Estima-se que 60% dos casos de depressão estão relacionados a sintomas orgânicos, entre eles a dor. As dores podem aparecer muito antes do diagnóstico da depressão. Isso porque os circuitos ativados pela doença estão ligados às regiões do sistema nervoso que comandam o funcionamento dos órgãos. A causa está ligada aos neurotransmissores serotonina, noradrenalina e dopamina que na depressão não funcionam como deveriam. Além de regularem o humor, essas substâncias participam do processo de inibição da dor e sensação de prazer. As dores mais comuns são de cabeça, musculares e gastrintestinais.

  1. Constrição dos vasos sanguíneos

A depressão leva a um “desgaste” do organismo, causando reações inflamatórias devido à elevação dos níveis do cortisol, hormônio secretado em maior volume quando há estresse. Essa inflamação gera a diminuição do calibre dos vasos sanguíneos, aumentando assim o risco de um infarto ou AVC, além de elevar a chance de desenvolver pressão alta e trombose.

  1. Queda da imunidade

A depressão induz o organismo a produzir substâncias chamadas citocinas pró-inflamatórias, que afetam o bom funcionamento do sistema imunológico. Com isso, há maior risco de contrair doenças como gripes, resfriados e herpes, por exemplo.

  1. Perda da libido

A depressão causa queda do desejo sexual. Além disso, a doença afeta a produção e a liberação dos hormônios sexuais, fundamentais para ter uma vida sexual ativa.

  1. Fadiga (cansaço)

É muito difícil diferenciar a depressão da fadiga. Se não há nenhuma questão médica envolvida, é bem provável que seja um sintoma da depressão.

Da Redação, com assessorias

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