Mulheres devem adiar plano ou parar o tratamento para engravidar?

Recomendação é postergar a transferência por meio do congelamento de óvulos e embriões. Especialistas tiram dúvidas sobre tratamento de fertilidade

A apresentadora Karina Bacchi resolveu adiar os planos de fertilização (Foto: Divulgação)

Não se fala em outro assunto, nem poderia ser diferente. O coronavírus é a grande preocupação mundial que está provocando mudanças nas rotinas e planejamentos. A pandemia virou o mundo de ponta cabeça e tem interferido nos planos que até então eram considerados inadiáveis. Para muitas famílias 2020 era o ano escolhido para uma possível gravidez. Apesar de não haver nenhum estudo conclusivo que comprove o perigo do coronavírus para gestantes, o Ministério da Saúde incluiu as futuras mamães no grupo de risco para a doença.

A apresentadora Karina Bacchi, que estava em tratamento para uma nova fertilização, revelou em suas redes sociais que a pandemia fez com que ela adiasse os planos. O mesmo aconteceu com Graciele Lacerda, esposa do cantor Zezé Di Camargo. A empresária tinha decidido ter o primeiro filho com o cantor ainda este ano, mas devido ao período de incertezas, optou pelo congelamento de embriões para uma gravidez no futuro.

Segundo Fernando Pradoginecologista e obstetra especialista em reprodução humana da Clínica Neo Vita, o momento agora requer cautela. “É importante ter serenidade para entender que a prevenção e o combate ao coronavírus é o mais importante, por isso cada caso deve ser avaliado individualmente. Há mulheres, por exemplo, que o adiamento diminui as chances e até impedem uma futura gestação”, diz.

Para o especialista, é imprescindível ter serenidade e entender que o mais importante neste momento é a prevenção e combate ao coronavírus. “A maioria das mulheres teme que a Covid-19 possa causar infertilidade, caso elas testem positivo para o vírus. Porém, a Organização Mundial de Saúde já avisou que não há nenhuma evidência científica que comprove essa possibilidade”, tranquiliza o especialista.

Segundo ele, desde que tome os devidos cuidados não existe nenhum problema se a mulher resolver engravidar mesmo durante este período. “Não há evidências científicas que comprovem riscos para as gestantes e bebês como foi na época do H1N1 e Zika Vírus. Como a Covid-19 é uma doença nova, realmente requer todo cuidado e precaução.

As recomendações das sociedades médicas de reprodução do Brasil e do mundo é que os casos sejam avaliados individualmente. “Quem tem a intenção de engravidar ainda este ano deve conversar com seu médico e definir juntos a melhor saída”, finaliza Prado.

E quem já estava em tratamento de reprodução?

A fertilização, incluindo congelamento de óvulos e gestação assistida, tem despertado muita insegurança nesses tempos de pandemia do coronavírus. No setor de reprodução assistida, foi indicado uma pausa nos novos tratamentos e somente a continuação dos casos que já estavam iniciados.

O indicado é postergar o momento da transferência por meio do congelamento de óvulos e embriões. Sempre que há algum risco para a gravidez, seja para a gestante ou para o bebê, é prudente aguardar a turbulência passar”, afirma Fernando Prado, que é doutor pela Imperial College London.

Matheus Roque, especialista em reprodução humana da Clínica Mater Prime, em São Paulo, diz que a princípio, recomenda-se não iniciar novos tratamentos neste momento. “Os tratamentos já iniciados, serão seguidos até o fim, com a realização do congelamento dos óvulos ou embriões, evitando-se a transferência de embriões neste momento”, explica o médico.

Grávidas são mais vulneráveis a infecções

Fernando Prado lembra que as grávidas estão mais vulneráveis a infecções. “Alguns vírus que já se alastraram anteriormente, como o zika vírus e H1N1, tinham importante implicação para grávidas e seus bebês. O momento agora requer cautela. É importante ter serenidade e entender que a prevenção e combate ao coronavírus é o mais importante”, afirma.

Ele explica algumas das principais dúvidas sobre o tema:

Por que as gestantes fazem parte do grupo de risco?
Durante a gravidez a mulher tem todo o seu corpo voltado para a formação dessa nova vida, o que acaba interferindo em todo o sistema imunológico e ficam mais vulneráveis à doença.

Quais os riscos para o bebê?

Segundo a Sociedade Europeia de Reprodução (ESHRE) e a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) no mundo existem casos de grávidas com o coronavírus que deram à luz sem efeitos negativos neonatais e bebês saudáveis.

No final de março, cientistas chineses relataram que embora raro, é possível que gestantes com o vírus infectem seus bebês. Por isso o reforço de isolamento durante a gestação é ainda mais importante.

De acordo com a associação inglesa Royal College of Obstetricians & Gynaecologists, de Londres, recém-nascidos e mães não devem ser separados após o parto e a amamentação pode acontecer normalmente mesmo em caso de contaminação pela Covid-19. Ainda não há comprovação de como o vírus é transmitido para o bebê.

As mães permanecem no grupo de risco mesmo após o parto?
Sim. No período de 45 após o parto o organismo continua vulnerável aos efeitos do coronavírus. Por isso é fundamental restringir as visitas para proteção tanto da mãe como do bebê.

O que a grávida deve fazer se apresentar sintomas?
Caso apresente qualquer sintoma suspeito a gestante deve entrar em contato com seu obstetra para que o mesmo avalie e oriente se é ou não indicado a ida até o hospital.

Fernando Prado ainda esclarece algumas dúvidas sobre o assunto:

As gestantes fazem parte do grupo de risco.

“Durante a gravidez a mulher tem todo o seu corpo voltado para a formação dessa nova vida, o que acaba interferindo em todo o sistema imunológico”, explica o especialista.

“No mundo existem casos de grávidas com o coronavírus que deram à luz sem efeitos negativos neonatais e bebês saudáveis”, esclarece.

Não houve nenhuma comprovação de transmissão vertical, ou seja, de mãe para filho.

Quem tem maior probabilidade de adquirir o coronavírus deve se esforçar para evitar uma gestação neste período.

Sempre que há algum risco para a gravidez, seja para a gestante ou para o bebê é prudente aguardar a turbulência passar.

congelamento de óvulos é uma importante saída que permite planejar o melhor momento para dar continuidade aos planos de construir a família.

Para quem já está em tratamento de reprodução assistida, o indicado é postergar o momento da transferência por meio do congelamento de óvulos e embriões.

“Especialmente para mulheres com mais de 35 anos e que não podem adiar esses tratamentos por muito tempo”, completa.

Telemedicina é uma solução para continuar tratamento

Uma alternativa é a telemedicina –  autorizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Agência Nacional de Saúde (ANS) – possibilita o atendimento e acompanhamento dos pacientes que estão seguindo com seus procedimentos, para esclarecimentos e demais soluções que podem ser realizadas sem contato humano. A orientação médica e monitoramento à distância evitam que as pessoas saiam de casa para minimizar a propagação da Covid-19 e possibilitando o atendimento médico por meio da tecnologia.
Em um momento de isolamento social, a telemedicina se faz necessária, pois além de conseguirmos acompanhar os pacientes através de videochamadas, também pode ser uma forma de no futuro regulamentar essa atividade na medicina, de madeira adequada e de forma a ajudar e chegar até pessoas que vivem em locais mais distantes”, pontua Roque.
A clínica onde realiza seus atendimentos está com as atividades pausadas diante da quarentena no estado, mas o médico segue atendendo os pacientes de forma remota. “Não estamos na clínica, mas estamos 100% online, com diversos agendamentos para dar todo suporte aos nossos pacientes nesse caminho ao sonho da maternidade”, finaliza Roque.

Congelamento de óvulos é visto como saída para postergar o sonho

Sem a previsão do término da pandemia, muitas mulheres enxergam no congelamento de óvulos uma saída para planejar uma gravidez no futuro. A Clínica Neo Vita  registrou nas últimas semanas um aumento de 30% na procura pelo procedimento. Mas a maioria das mulheres que procurou o procedimento estava com medo de que algumas teorias ainda não confirmadas, pudessem ser verdadeiras.

Afinal, alguns vírus que já se alastraram anteriormente, como o zika vírus e H1N1, tinham importante implicação para grávidas e seus bebês. No caso da Covid-19, ainda não há evidências científicas de que ele seja capaz de causar problemas na gestação ou infertilidade.

Elas temem que o vírus possa causar infertilidade caso sejam infectadas. Porém, a Organização Mundial de Saúde já avisou que ainda não há nenhuma evidência científica que comprove essa possibilidade”, esclarece Fernando Prado.

A fase mais fértil da mulher acontece na faixa dos 25 aos 30 anos e após esse período é normal a diminuição da produção e da qualidade dos óvulos. Até por isso, o congelamento de óvulos ou embriões tem sido uma saída que permite planejar o melhor momento para dar continuidade aos planos de aumentar a família.

Muitos estudos apontam que aos 35 anos a fertilidade feminina alcança a metade de chance apresentada aos 25 anos e, aos 40 anos, a possibilidade é a metade confirmada aos 35 anos. Por isso o ideal é que o congelamento seja feito até os 35 anos, pois a partir dessa idade existe uma diminuição considerável da qualidade dos óvulos que pode comprometer o resultado final”, alerta o especialista.

Com Assessorias

Por Favor, Compartilhe!

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

In the news
Leia Mais