Nada de celular nas férias escolares

Brincadeiras ao ar livre e até jogos de tabuleiros devem ser incentivados. Especialistas dão dicas de como aproveitar melhor as últimas semanas antes da volta às aulas

Redação

As férias de verão são um dos períodos mais desafiadores para pais com filhos em idade escolar. Todos os anos, pais precisam se reinventar para tornarem as férias de seus filhos agradáveis e proveitosas. Atividades em casa, passeios na cidade ou até mesmo viagens são os caminhos mais pensados na hora de diversificar a rotina das crianças e dos adolescentes. O desafio torna-se ainda maior e mais complexo para as famílias com pais que não conseguem folga no mesmo período e precisam pensar em alternativas para criar atividades para entreter os pequenos.

Então, como fazer para que esses últimos dias de férias se tornem mais prazeroso para todos e longe do celular? Embora as telas (celulares, computadores e videogames) sejam atrativos mais práticos, apostar em atividades e brincadeiras ao ar livre e em contato com a natureza é uma alternativa que não deve ser deixada de lado, especialmente para o desenvolvimento cognitivo das crianças.

A criança precisa ter uma vida equilibrada e o contato com a natureza é essencial, pois constrói um repertório de atividades e vivências reais que contribuem para a construção de um pensamento crítico, de entender que tem muita vida lá fora e ficar só na tela não é legal”, afirma a coordenadora do Programa Criança e Natureza do Instituto Alana e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, Laís Fleury.

Para Laís, é preciso haver equilíbrio entre a tecnologia e a vida real. Permitir que as crianças passem longos tempos em frente à televisão, celular, tablets ou videogame pode interferir em seu desenvolvimento. “A tecnologia passou a ser uma narrativa para a criança. Os pais precisam ficar atentos se a maior parte do tempo livre está sendo tomada pelas telas, pois isso é preocupante”, afirma.

Ela lembra que crianças de até 5 anos devem passar, no máximo, uma hora por dia em frente às telas, sendo que as menores de um ano não deveriam nem ter o contato inicial. Estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o excesso de tempo em frente aos eletrônicos atrapalha o sono e diminui a incidência de atividades físicas.

Férias também têm papel educativo

Mas como tirar o celular das mãos das crianças? Simples: incentivando-as a brincar! Psicóloga e coordenadora da Clínica de Psicologia do Grupo América, que faz parte do Sistema Hapvida, Úrsula Meireles Nasser reforça que o brincar é fundamental para a aprendizagem e desenvolvimento cognitivo e social da criança. Assim, as férias também cumprem o papel educativo.

Por meio das brincadeiras, a criança explora o mundo e reflete sobre a realidade prática de assuntos que muitas vezes foram aprendidos em sala de aula, interiorizando tudo isso. É a possibilidade de experimentar papéis sociais por meio do faz de conta, possibilitando assim conhecer o mundo e conhecer a si mesma. Fazer tudo isso em família, com os amigos, é muito mais gostoso”, destaca Úrsula.

Por outro lado, sabemos que a agenda de compromissos dos pais não para e muitos não conseguem sair de férias por tanto tempo. Então eles continuam trabalhando e têm que lidar com a energia das crianças em casa. Mas a psicóloga explica que esse momento de ócio e lúdico também é importante para os adultos.

O melhor é lidar com tudo isso de uma forma mais leve e planejada para que as férias das crianças sejam prazerosas para a família toda. Vale também contatar as redes de apoio e fazer os rodízios de mães para levar ao cinema, teatro e passeios em geral”.

Envolvimento com a natureza

O contato com a natureza desde cedo é benéfico para o desenvolvimento e bem-estar da criança, com grandes chances de torná-la um adulto mais consciente e preocupado com o meio em que vive. Segundo pesquisa realizada nos Estados Unidos, pequenos que brincam e interagem com a natureza tendem a ser adultos que se importam com o meio ambiente devido às suas memórias afetivas. Além disso, se desenvolvem melhor em aspectos físicos, cognitivos, emocionais, sociais e sensoriais.

É importante que a criança se movimente em um ambiente aberto, que possa sentir, tocar, vivenciar o natural. Assim, ela também nutre a criatividade. A criança na natureza cria o próprio brinquedo e estimula a imaginação, relacionando os elementos naturais em infinitas possibilidades”, salienta Laís.

Sugestões de atividades ao ar livre

Laís dá algumas dicas para os pais explorarem a criatividade das crianças em meio à natureza, como fazer móbiles com galhos, carimbos com folhas ou curadoria de livros relacionados à natureza. Levar as crianças para brincar em praças e parques, acampar – mesmo que no quintal de casa –, trocar o carro pela bicicleta e caminhada ou sugerir o fechamento de parte de uma rua sem movimento em determinado dia e horário para que as crianças possam usá-la com mais segurança também são boas possibilidades.

A especialista ainda destaca o GPS da Natureza, ferramenta criada pelo Programa Criança e Natureza que conta com o mapeamento de áreas verdes, parques, espaços urbanos, com filtros e sugestões de atividades. “É preciso priorizar estar ao lado de fora e as oportunidades ao ar livres para deixar as crianças mais soltas em prol do seu desenvolvimento e da conscientização sobre a importância de proteger a natureza”, finaliza.

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Jogos de tabuleiros são ótimas alternativas

Crianças e adolescentes costumam passar cada vez mais tempo na frente do celular, do computador ou do tablet, e acabam se tornando reféns da tecnologia como forma de distração. O tempo em casa durante o recesso estudantil pode servir não apenas para aumentar o período que passam no mundo virtual, mas para estreitar os laços familiares por meio de jogos e atividades que proporcionam a interação, enquanto fortalecem o pensamento crítico e a estratégia dos participantes.

Uma boa alternativa para diminuir o tempo online e ainda divertir-se com os amigos e familiares são os tradicionais jogos de tabuleiro. Para o game designer Renato Simões, CEO da editora especializada em jogos de tabuleiro e cartas, Geeks N’ Orcs, a nova roupagem de jogos bem sucedidos nas décadas passadas, tem feito com que muita gente se divirta com este modo mais dinâmico de jogar.

Os jogos de tabuleiro já existem há muito tempo, e sempre fizeram sucesso, mas com a chegada da tecnologia, muitos trocaram o tempo de diversão e interação proporcionados por esta prática, pelos solitários games virtuais. Na última década estamos vendo a retomada dos jogos de tabuleiro como opção de lazer e muito se deve aos novos jogos, mais dinâmicos e atraentes ao público de hoje”, diz.

Novidades no mercado de jogos

O game designer ainda lembra que o mercado sempre se manteve graças aos fãs da cultura pop em geral, que adotam esse tipo de jogo como hobby e, por vezes, um estilo de vida. Além de “desconectar”, os jogos de tabuleiro são lúdicos e instigam a interação – a receita ideal para garantir momentos de diversão compartilhada. No card game “Piratas!”, por exemplo, os participantes se tornam capitães de navios piratas.  Durante as partidas rápidas, os jogadores devem reunir tesouros antes dos adversários, o que gera muitas risadas entre os participantes.

Para Renato Simões, passatempos imersivos e com narrativas bem construídas, como os jogos produzidos por sua editora, também oferecem diversas possibilidades para que os jogadores se desenvolvam enquanto se divertem durante as partidas. “A variedade torna tudo ainda mais atraente para quem se interessa em jogar, já que há desde jogos mais simples, fáceis de aprender e jogar, até os jogos mais complexos, criados para instigar a criatividade de um público já acostumado com cenários mais desafiadores”, conclui.

Preparativos para a volta às aulas

As férias possibilitam maior flexibilidade para crianças e pais, mas elas já estão chegando ao fim e é hora de aos poucos conectar as crianças com o retorno à sua rotina normal. “O brincar é importante, mas as responsabilidades também. Então nesse finalzinho de férias, é bom acostumar a criança aos poucos, para que depois ela não tenha tanta dificuldade em se adaptar com a volta às aulas”, pontua a psicóloga.

Úrsula explica que é muito importante conversar sobre isso com a criança, assim como conectar os pequenos com os novos aprendizados que terão no novo ano letivo, a nova professora, nova escola, novos amigos. “O fim das férias não deve ser apresentado para as crianças como algo ruim, mas como um novo ciclo de aprendizado e experiências. Planejar a volta às aulas, comprar e organizar os materiais escolares também pode ser divertido”, finaliza.
Com Assessorias

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