‘Nem sempre dou conta de tudo, mas não falta carinho’, diz mãe-solo

Conheça a história da produtora, atriz e coreógrafa Laila Coutinho, de 34 anos, mãe-solo da Ana Alice, de 8, em emocionante depoimento neste Dia das Mães

Laila Coutinho e a filha Ana Alice, de 8 anos: amor incondicional e parceria (Fotos: Álbum de famííla)

Por Laila Coutinho*

Fiquei com o pai da minha filha durante 9 anos; nos separamos ela tinha três anos. Foi um relacionamento conturbado, com muitas agressões, verbais e físicas, quando nos separamos eu fiquei uns meses tentando entender ainda se aquilo era uma benção ou uma maldição. Até descobrir que ele havia se casado de papel passado e tudo com uma conhecida. Ali entendi que realmente havia acabado e comecei a precisar ressignificar a palavra FAMÍLIA para mim.

Desde muito nova sonhava em casar e construir uma família, sempre via Pai e Mãe como figuras quase sagradas e que cumpriam suas funções dentro do âmbito familiar. A mãe é aquela figura quase onipresente, carinhosa, amorosa, cuidadora, uma leoa que defende as crias, aquela que faz o melhor feijão, que dá colo quando caímos, que corrige, que dá a direção que devemos seguir, aquela que sempre está lá, independente da hora, dia ou situação.

O pai é a figura da proteção, uma figura quase invisível no dia a dia, mas que deixa na gente aquele sentimento de alguém , em algum lugar está lutando por nosso futuro e por nosso conforto. O pai para mim era aquele que chegava para conversar profundamente, que nos faz pensar sobre quem somos, que nos defende quando alguém ataca, que nos protege de forma física, que se preocupa com as contas, casa, escola, passado, presente e futuro. Aquele que ensina sobre o mundo lá fora, a figura para quem corremos quando achamos que não vamos conseguir matar os nossos próprios leões.

Meus pais foram casados por mais de 30 anos, e esse sempre foi o exemplo que tive. Mas eu estava ali, sozinha, sem trabalho, machucada, com uma criança linda de cabelos cacheadinhos me perguntando aonde estava o papai. O papai ficou bem ausente por algum tempo, tanto física, quanto financeiramente.

‘Não queria acreditar que eu era uma mãe solteira’

Minha separação foi bem conturbada. Lembro de que nos primeiros seis meses eu basicamente dormia, comia e chorava, não queria acreditar que eu era uma MÃE SOLTEIRA, como aquilo foi acontecer ? Como minha filha ia contar para as amigas quando crescesse? Ela não teria referência de pai, de família , de nada… Como eu iria dar um futuro para ela? Como eu faria isso e ainda seria mãe?

‘Às vezes erro, perco a mão. Às vezes sou mais pai do que mãe’, diz Laila, mãe da Ana Alice (Foto: Álbum de Família)

Aí minha filha caiu doente, pneumonia. Eu enlouqueci pois não tinha dinheiro para cuidar. Minha família como sempre me ajudou, mas foi aquele momento, sentada no hospital esperando para ela ser atendida que percebi que sempre fui SOZINHA. Sempre fui eu que estava no hospital, sempre fui eu a esperar por ela, a levar na escola, a esperar, a ensinar, a educar. E sempre fui eu também que pensei no futuro, nas finanças, no passado, no presente e no futuro.

Era para mim que ela corria quando estava com medo e por mim que ela chamava quando estava triste. Muitas vezes nos menosprezamos por acreditar que precisamos de pessoas que, na verdade, nunca estiveram lá. Hoje já se passaram seis anos desde a minha separação. Crio ela sozinha, moro bem, ela estuda em uma escola particular, tem de tudo (dentro do possível).

Eu trabalho em média 16h por dia, mas levo ela para o escritório, para shows, para o teatro, para reuniões e tudo que der. Quando não é possível meu pai fica com ela para mim. Minha filha fala para as amigas dela, com o maior orgulho do mundo, que a mãe dela é incrível. Nem sempre dou conta de tudo, mas não falta carinho. Às vezes erro, perco a mão. Às vezes sou mais pai do que mãe; em outras mais mãe do que pai.

Minha filha tem as referências masculinas dela (e até melhores do que ela teria antes). Mas a maior referência dela é a de companheirismo, luta e força. E essa fomos nós duas que conquistamos.

  • *Laila Coutinho é mãe da Ana Alice, produtora, atriz e coreógrafa.

 

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