O que fazer quando o colesterol alto vem de família?

Hipercolesterolemia familiar pode levar a problemas cardiovasculares sérios, como infarto e AVC, entre jovens

Hipercolesterolemia familiar é um risco para crianças e adolescentes (Foto: Pixabay)

O aumento dos níveis de colesterol no sangue em crianças e adolescentes é algo preocupante. Há alguns anos, os exames que o controlam eram solicitados normalmente pelos médicos somente para pessoas com mais de 20 anos. Hoje, esta avaliação já começa a fazer parte da rotina de exames de adolescentes, crianças e até mesmo de bebês.

Mas e quanto a predisposição para o colesterol alto vem de família? A hipercolesterolemia familiar (HF) é considerada grave, acomete 10 milhões de pessoas no mundo e 300 mil no Brasil, das quais menos de 10% têm o diagnóstico da doença, responsável por problemas cardíacos em indivíduos jovens, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia. Uma questão importante da HF é que ela não está diretamente ligada à obesidade, ou seja, crianças e adultos com a doença não têm maior incidência ou pré-disposição para a obesidade.

A hipercolesterolemia familiar (HF) é uma doença hereditária que cursa com níveis de colesterol extremamente elevados. Pode levar a problemas cardiovasculares complicados, como infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais em jovens”, explica a médica endocrinologista Myrna Campagnoli.

Para Myrna, o diagnóstico precoce durante a infância é essencial. A descoberta inicial da doença, principalmente na infância, é muito importante, pois permite o tratamento precoce desta criança, bem como o diagnóstico de toda a família, que consegue buscar rapidamente um estilo de vida mais saudável e o tratamento correto.

Os pacientes com a HF apresentam mutações genéticas que impedem o fígado de remover o excesso de LDL colesterol (colesterol ruim). Essa dificuldade gera níveis sanguíneos muito altos, e depósito em vários órgãos e tecidos, especialmente nos vasos sanguíneos o que consequentemente interfere na saúde cardiovascular”, diz a especialista do Sérgio Franco Medicina Diagnóstica.

Exame deve começar aos 2 anos em crianças de famílias com histórico de colesterol alto

Em famílias com história de elevação do colesterol, a realização do exame para verificar as dosagens de colesterol deve ser bastante precoce, em torno dos dois anos de idade, porque a partir do resultado já se pode iniciar uma investigação mais profunda. Nas demais crianças, é importante uma dosagem dos níveis de colesterol nos primeiros 10 anos de vida se forem detectados altos níveis de LDL.

A confirmação do diagnóstico da hipercolesterolemia familiar é feita por alguns exames genéticos, como o ‘painel ngs para hipertrigliceridemias’, o painel de hipercolesterolemia familiar e o de dislipidemias e aterosclerose precoce. Esses exames consistem em uma coleta de amostra de sangue, na qual o DNA é extraído e os genes causadores da doença são pesquisados.”, explica Myrna.

Para os pacientes com HF, além do tratamento medicamentosos, escolhas mais saudáveis na alimentação são muito importantes para o controle da doença. “A dieta tem de ser balanceada e variada, é importante diminuir a ingestão total de gorduras e optar pelos alimentos com fibras, além de frutas e legumes”, finaliza a endocrinologista.

Mudanças nos hábitos alimentares

São vários os fatores que levam ao aumento do colesterol entre crianças e adolescentes, mas um fato importante é que o estilo de vida atual tornou a garotada mais sedentária. Observamos, muitas vezes, que a atividade física foi substituída por vídeo games e computadores, a alimentação também ficou mais gordurosa e com um cardápio composto por fast foods, refrigerantes e comidas prontas.

O grande vilão da nutrição, entretanto, têm sido os refrigerantes. Com altos índices de açúcar e sódio, são venerados pelas crianças e responsáveis por facilitar o aumento de gordura no organismo. A prevenção da doença é simples: criar hábitos saudáveis nas crianças desde cedo com o estímulo de atividades físicas e uma alimentação balanceada.

Quanto aos doces e refrigerantes, eles podem ser consumidos sob controle dos pais. É possível escolher um dia na semana para que a meninada possa comer lanches, bolachas, etc. Não ter este tipo de alimento em casa, dificultando o acesso, também ajuda a criança a ingerir alternativas saudáveis, como sucos e frutas nos intervalos das refeições”, destaca Keyla Facchin Guedes, endocrinologista do Hospital Sepaco.

O que é o colesterol?

Keyla Facchin Guedes, endocrinologista do Hospital Sepaco, explica que o colesterol é um lipídio (tipo de gordura) que funciona como componente estrutural das membranas celulares em todo corpo. “Podem ser classificados em dois tipos principais: o HDL, também chamado de colesterol bom, que transporta o colesterol das células para o fígado e fornece proteção contra o entupimento das artérias; e o LDL, conhecido como colesterol ruim, que causa o depósito da gordura nas artérias”, explica. 

Quando em excesso, o LDL é depositado nas paredes arteriais – vasos que levam o sangue para os órgãos e tecidos – e provocam seu entupimento, processo denominado arteriosclerose. Quando o acúmulo ocorre em artérias coronárias ou cerebrais pode levar ao infarto e ao AVC (Acidente Vascular Cerebral).

Com Assessorias