‘O tratamento não vai ficar mais ou menos fácil se você estiver com medo’

A declaração é de Joildo Barreto Santos, de 32 anos, diagnosticado com Linfoma Não-Hodgkin em 2008, após sentir fortes dores no joelho. Ele passou pelo tratamento de quimioterapia e, em 2016, recebeu alta definitiva

(Reprodução de internet)

Joildo Barreto Santos, de 32 anos, foi diagnosticado com Linfoma Não-Hodgkin em 2008, após sentir fortes dores no joelho. Passou pelo tratamento de quimioterapia e, em 2016, recebeu alta definitiva. Nascido na Bahia, ele chegou a São Paulo há 20 anos e conta um pouco da sua trajetória neste Dia Mundial de Conscientização do Linfoma.

“Meu pai já morava em Paraisópolis quando eu cheguei em 98. Vim da Bahia em busca de trabalho e, aqui, construí minha vida: me formei em Ciência da Computação, fundei um jornal local, que tenho até hoje, e é onde crio meus dois filhos e sou muito feliz. Mas, em 2008, comecei a sentir fortes dores no joelho.

No começo, tratei apenas da dor, com analgésicos, mas até eles pararam de funcionar. Decidi procurar ajuda, pois sentia que a situação era mais séria do que um simples incômodo. Em um primeiro momento, a suspeita foi de lesão no menisco, mas após um exame de imagem, o diagnóstico: Linfoma Ósseo Não-Hodgkin de Grandes Células B. Em outras palavras, câncer.

É muito difícil ouvir essa palavra, por tudo que ouvimos falar dessa doença. Primeiro, senti alívio, por finalmente descobrir a causa daquela dor. É muito difícil viver com dor. Mas, é claro, também senti muita apreensão, pelas perspectivas do tratamento. Apesar de ser um tumor considerado raro, os meus médicos sempre me passaram muita confiança e até hoje acho que esse foi um dos principais pontos para o sucesso do meu tratamento, pois eu confiei 100% em quem cuidou de mim.

Comecei a quimioterapia no GRAAC em maio de 2009 e terminei após 42 sessões, em seis meses. O tratamento não é fácil mesmo, mas conforme as dificuldades foram surgindo no caminho, mais fortalecido eu me sentia, pelo apoio que recebia da equipe médica, dos amigos e familiares. Sempre digo que o tratamento não vai ficar mais ou menos fácil se você estiver com medo, então, é aquela coisa, o que a vida quer da gente é coragem e acho que foi essa coragem que eu tirei de mim para viver esse momento e, inclusive, fortalecer quem estava ao meu lado.

Após a última sessão de quimioterapia, comecei o tratamento de acompanhamento. Primeiro, a cada três meses. Depois, a cada seis e, após alguns anos, passei a fazer os exames anualmente. Durante esses anos, casei e me tornei pai. Na última sessão, em 2016, recebi a notícia de que estava totalmente curado (sem recidiva), junto com o nascimento do meu segundo filho. Eu sempre gostei muito de reencontrar os médicos que trataram de mim, mas receber a notícia da não-recidiva foi uma grande conquista.

Nesse processo, a principal dificuldade que tive foi encontrar apoio no sistema público de saúde. Consegui, com a ajuda de amigos, o tratamento no GRAAC e apoio para realizar exames que, não fosse a solidariedade de alguns, não conseguiria fazer. Nesses momentos, a gente sente o apoio daqueles próximos e isso é uma parte positiva de se passar por este tratamento.

Hoje, além de jornal mensal que produzo, com notícias que podem impactar a vida dos moradores de Paraisópolis, também trabalho em projetos sociais da Associação de Moradores, como alfabetização de jovens e adultos, por exemplo. Nunca vou esquecer a dedicação dos médicos e o apoio da minha família durante o tratamento. Acredito que sai um homem fortalecido deste episódio. E vida que segue!”

Saiba tudo sobre a doença

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), há cerca de 10 mil novos casos anualmente do tipo LNH (Não Hodgkin) e mais de 2 mil casos de LH (Hodgkin). O linfoma de Hodgkin afeta igualmente dois grupos populacionais: pacientes ao redor dos 20 anos e entre 50 e 60 anos. Já os linfomas não Hodgkins são um grupo de mais de 50 doenças que podem afetar qualquer faixa etária e que ser muito distintos entre si.

Grande parte dos linfomas não tem uma causa conhecida. Alguns são claramente associados a infecções virais ou imunossupressão, por exemplo, em pacientes transplantados. Apesar de não haver prevenção por desconhecimento do que leva ao surgimento da neoplasia, muitos linfomas podem ser curados quando tratados de forma rápida e podem ser controlados com sucesso por longos períodos de tempo

É o que afirma Bernardo Garincochea, oncologista e hematologista do Centro Paulista de Oncologia (CPO) – unidade de São Paulo do Grupo Oncoclínicas, . Segundo ele, alguns sequer necessitam de tratamento, basta uma observação cuidadosa.

Ainda segundo o especialista, a detecção precoce auxilia na obtenção de resultados melhores, mas qualquer paciente com linfoma tem grandes chances de ter um tratamento bem sucedido com as medicações disponíveis. O diagnóstico do tipo preciso do linfoma realizado por um profissional especializado é fundamental para indicar o tratamento ideal.

Os sintomas em geral são aumento nos gânglios linfáticos (linfonodos ou ínguas, em linguagem popular) nas axilas, na virilha e/ou no pescoço, dor abdominal, perda de peso, fadiga, coceira no corpo, febre e, eventualmente, pode acometer órgãos como baço, fígado, medula óssea, estômago, intestino, pele e cérebro.

“Linfomas estão entre os cânceres humanos com maior desenvolvido em medicamentos novos. Drogas-alvo que funcionam como mísseis teleguiados são promessa de substituir a quimioterapia em um futuro muito próximo, incluindo aí drogas orais”, finaliza o especialista.

Fonte: Centro Paulista de Oncologia (CPO)

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