Estar acima do peso aumenta risco de ter câncer de mama

Especialistas alertam sobre a importância de manter hábitos saudáveis para prevenir o problema depois da menopausa. Oncologista lista os mitos e verdades da doença

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obesidade é o segundo maior fator de risco evitável para o câncer, inclusive para o de mama em mulheres pós-menopausa. Além disso, estudos demonstram que nas pacientes obesas com câncer de mama há um risco maior de metástases. Logo,  perder peso é  a melhor forma de evitar diabetes. O alerta é de especialistas neste Dia Nacional de Combate à Obesidade (11 de outubro), marcando ainda a campanha Outubro Rosa, de conscientização sobre o câncer de mama.

O excesso de gordura, principalmente abdominal, produz hormônios, fatores de crescimento e inflamatórios. O tecido gorduroso pode transformar o hormônio produzido na suprarrenal (androstenediona) em estrona (hormônio feminino), e quanto maior o nível de estrona, maior o risco de câncer de mama”, explica a endocrinologista Juliana Garcia Dias, da Sociedade Brasileira em Endocrinologia e Metabologia, e da Endocrine Society. 

De acordo com as informações do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o país pode chegar a 59.700 casos novos de tumor maligno de mama até o fim de 2018. Somente no estado do Rio de Janeiro, estão previstos cerca de 8 mil novos casos nas mulheres fluminenses. O problema tem um risco estimado de 56 casos a cada 100 mil brasileiras, mas, se diagnosticado cedo, tem 90% de chances de cura, em média.

E como evitar esse ciclo obesidade-câncer de mama? “O principal enfoque nesse caso é a prevenção e o tratamento da obesidade. Estima-se que o estilo de vida sedentário esteja relacionado com 5% das causas de morte por câncer.

Embora seja um fator de risco, a obesidade pode ser considerada modificável, à medida que novos hábitos de vida são adotados, com uma dieta equilibrada, com pouco consumo de gordura, além da prática de atividades físicas”, destaca Mônica Schaum, oncologista clínica do Americas Centro de Oncologia Integrado.

Segundo  Tatiane Christina Guimarães, endocrinologista da Neurovida, a obesidade predispõe a doenças como o diabetes melitus tipo 2, a hipertensão arterial, dislipidemias, gordura no fígado, problemas ortopédicos, vários tipos de câncer, infarto do miocárdio, arritmias cardíacas, entre outros. Ela lembra que estudos demonstram que no Brasil, 47% dos adultos não pratica atividades físicas suficientes. Isto é,  2 horas e 30 minutos de esforço moderado ou 75 minutos de atividade intensa por semana.

“Temos muito trabalho pela frente para conscientizar pacientes, profissionais de saúde e a sociedade em geral de que a obesidade e uma doença crônica, que existe tratamento e que exige respeito e dedicação por parte dos profissionais envolvidos. Quem precisa se tratar deve  procurar sempre um profissional especializado, endocrinologista e nutricionista, para acompanhar o tratamento. Tratamentos e dietas malucas só trarão malefícios”, alerta a endocrinologista.

Endocrinologistas dão dicas para prevenir o problema

Tanto para prevenir quanto para tratar a obesidade é preciso ter uma alimentação saudável e procurar atividades em que a pessoa se movimente mais. Mudar para viver mais e melhor. Tatiane explica que algumas atitudes simples podem ajudar a perder peso como reduzir alimentos com muita gordura, açúcar e sal, ter uma alimentação sempre com frutas, legumes e verduras e beber muita água e dormir bem.

Juliana lista algumas medidas para evitar o problema: cessar tabagismo e etilismo excessivo, alimentação saudável, com menos gordura, açúcar e sal, evitando alimentos processados cheios de aditivos químico, manter uma boa hidratação (não espere sentir sede para beber água); dormir bem (quem dorme pouco ou com uma qualidade ruim de sono tem mais chance de sobrepeso e obesidade); e nada de sedentarismo (reduza o tempo sentado, coloque a atividade física na sua rotina diária, desde a infância).

“Se uma mulher desenvolve câncer de mama, o fato de realizar atividade física, reduz a chance de mortalidade. O exercício, através de seu estimulo à resposta imunológica inespecífica, pode estimular maior vigilância do sistema de defesa do organismo para evitar tumores metastático. Além disso, a atividade física é protetora, pois diminui a quantidade de estrogênio circulante, agregando valor à saúde e ao peso. Praticar exercícios por 30 a 40 minutos contínuos por dia já é protetor”, alerta Dra Juliana.

A perda de peso também é um importante fator para prevenção. Mulheres que perderam mais de 10 kg após a menopausa e se mantiveram com IMC (índice de massa corporal) normal, tiveram uma redução de 50% no risco de câncer de mama. “Nunca é tarde para mudar seu estilo de vida e equilibrar sua saúde, o endocrinologista pode ajudá-lo. Apesar da genética ter seu papel, o estilo de vida pode ser o gatilho em alguns casos”, explica Dra. Juliana.

Como diagnosticar

No caso de mulheres de alto risco para câncer de mama, o exame de ressonância magnética também deverá ser realizado. Em casos de mulheres com mamas densas, a associação de mamografia e ultrassom de mamas pode ser recomendada.

“É sempre importante manter a consulta com o ginecologista assistente em dia, pois será esse o especialista que vai cuidar da saúde feminina como um todo. Através da consulta regular, são realizados  exame clínico (palpação) das mamas e  exames de screening (rastreamento), como a mamografia. No caso de anormalidade,  exames adicionais serão solicitados e a paciente deverá ser encaminhada a um mastologista para continuidade da investigação e/ou tratamento.

Mitos e as verdades sobre a doença

Ausência de gravidez pode ser um fator de risco.

Verdade. A médica explica que as mulheres que não passaram por nenhuma gestação ou as que tiveram o primeiro filho após o trigésimo ano de vida possuem risco aumentado para o câncer de mama.

Amamentar protege contra o câncer de mama.

Verdade. Conforme a Revista Brasileira de Cancerologia, diversos estudos realizados, ao longo das últimas três décadas, apontam para a relação do tempo de amamentação como fator de proteção ao câncer de mama.

Menarca (primeira menstruação) precoce é um fator de risco.

Verdade.   A primeira menstruação marca o inicio da produção de estrogênio pelos ovários. O tempo de exposição ao estrogênio ao longo da vida está relacionado a maior risco de câncer de mama. Por esse motivo tanto a menarca precoce quanto a menopausa tardia são consideradas fatores de risco

Fatores emocionais, como depressão e ansiedade, são impulsionadores para a doença.

Mito. Embora sejam problemas importantes do ponto de vista psicológico, não existem estudos na literatura médica para comprovar que aspectos emocionais sejam determinantes para câncer de mama.

História de câncer de mama na família representa um ponto de atenção.

Verdade. Casos de câncer de mama, em especial em  parentes de primeiro grau, são considerados como alto fator de risco. Nessas situações, poderá haver indicação para exames de rastreamento, antes do tempo previsto, conforme a avaliação clínica do médico assistente.

O uso de pílula anticoncepcional aumenta as chances de câncer de mama.

Verdade. O uso prolongado por mais de dez anos, de forma ininterrupta, pode ser considerado um fator de risco, conforme estudo recente publicado no New England Journal of Medicine – um dos periódicos mais relevantes na área.

Exercícios previnem o desenvolvimento do câncer de mama.

Verdade. Conforme as informações do Inca, a alimentação saudável e a prática regular de atividade física com controle do peso corporal são estimadas como fatores de proteção contra esse tipo de neoplasia maligna.

Usar desodorante causa câncer de mama.

Mito. Não existem estudos para comprovar que o uso de desodorante seja um fator de risco para o câncer de mama.

Ter seios maiores, menores ou irregulares representa algum tipo de indício para câncer de mama.

Mito. Não há relação direta com o câncer de mama para essas diferentes características nas mamas.

Usar sutiã apertado ou com aro metálico no bojo pode ser perigoso.

Mito.  Não existem evidências sobre o uso influenciar diretamente o câncer de mama.

Prótese de silicone causa câncer de mama.

Mito. Por outro lado, a agência americana Food and Drug Administration (FDA) – responsável pelo controle de alimentos e medicamentos – recentemente relatou casos de pacientes com um tipo raro de câncer: o linfoma anaplásico de grandes células. Para o câncer de mama, no entanto, não há evidências dessa relação causal.

Consumo de álcool pode aumentar as chances de desenvolvimento de câncer de mama.

Verdade. O consumo de álcool aumenta os riscos de vários  tipos de câncer e o da mama está entre eles. Existe também maior risco de  recidiva (retorno) da doença em casos já tratados.

O uso de vitamina D diminui o risco.

Indefinido. Os estudos são controversos e não existem informações concretas sobre essa questão.

O sedentarismo é fator de risco para câncer de mama e outros tipos.

Verdade. Não apenas para o câncer de mama, mas não praticar atividades físicas representa um risco para outros tipos de tumor maligno, assim como maior chance para doenças cardiovasculares.

A reposição hormonal amplia as chances de desenvolvimento da doença.

Verdade. Em casos de reposição hormonal prolongada e combinada com os hormônios estrogênio e progesterona, a mulher deve ser acompanhada de perto com exames ginecológico e mamográfico anualmente.

Homem não tem câncer de mama.

Mito. Embora raro, apenas 1% dos casos estão relacionados com homens e, geralmente, são ligados a mutações hereditárias, sendo recomendada a avaliação de testagens genéticas.

O câncer de mama é passível de ser prevenido.

Verdade. Pode-se prevenir a doença por meio de hábitos de vida saudáveis, como praticar atividades físicas, evitar sobrepeso e limitar o uso de bebidas alcoólicas. Além disso, a Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda a mamografia, anualmente, a partir dos 40 anos de vida. A mamografia é padrão ouro para  avaliação de  microcalcificações. Esse achado pode estar relacionado  ao câncer de mama inicial (no momento em que não há doença palpável). Quanto mais cedo for feito o diagnóstico da doença, maiores são as chances curativas.

Da Redação, com Assessorias

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