Orelhas de abano: quando é hora de corrigir

Mutirão de otoplastia no SUS no Rio envolve 55 cirurgias plásticas para correção se orelhas salientes ou desfiguradas. Especialistas explicam detalhes e riscos

Redação

Quando ela nasceu, estava deitada de lado sobre a orelhinha, que ficou um pouco ‘amassada’. Foi crescendo e as duas orelhinhas se tornaram um pouco mais proeminentes. Até os 13 anos, isso não a incomodava.

Mas em plena adolescência, época em que surge uma série de complexos e dificuldades de lidar com o próprio corpo, o que antes parecia apenas um charme agora lhe salta aos olhos na frente do espelho. E se incomoda quando alguns amiguinhos dizem que ela fica melhor escondendo as orelhas com os cabelos.

Bullying, constrangimento e piadas maldosas são constantes na infância e adolescência, principalmente para crianças com orelhas de abano — termo popular para os casos de má formação das orelhas, quando elas ficam muito afastadas do crânio. Se orelhas salientes ou desfiguradas incomodam, pode-se considerar a cirurgia plástica, chamada de otoplastia. Nesse procedimento o cirurgião plástico corrige o defeito existente.

Isso gera traumas importantes em muitas crianças, com reflexos inimagináveis nas vidas de muitas pessoas. O procedimento ideal para correção é a otoplastia, cirurgia reparadora de orelhas”, explica a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da ISAPS (International Society of Aesthetic Plastic Surgery).

O cirurgião José Neder Neto diz que a cirurgia pode melhorar a forma, a posição ou as proporções das orelhas tendo uma melhora estética. “Essa correção da deformidade trás uma melhora psicológica do paciente melhorando assim sua vida social e seus complexos”, explica.

Mutirão de otoplastia no Rio

No Rio de Janeiro, um mutirão de otoplastia pelo Sistema Único de  Saúde (SUS) é realizado em três hospitais municipais: Barata Ribeiro, Jesus e Nossa Senhora do Loreto, todos com a especialidade de cirurgia plástica. A ação começou no dia 31 de março e fechou sua terceira etapa neste fim de semana, com 19 cirurgias.
Nas três etapas realizadas, a ação totaliza 55 procedimentos, a maior parte deles em crianças e adolescentes. Todos os atendidos no mutirão estavam inscritos para o procedimento no Sistema de Regulação (Sisreg). Pessoas ainda não inscritas, mas com indicação para a cirurgia, devem procurar a sua unidade de Atenção Primária de referência (Clínica da Família ou Centro Municipal de Saúde) para avaliação e inserção no sistema.
A partir dos 6 ou 7 anos já é possível operar

otoplastia está indicada em casos de orelhas muito grandes – uma condição rara chamada macrotia -; orelhas salientes que ocorrem em um ou ambos os lados em diferentes graus (orelhas de abano) ou para tratar orelhas deformadas causadas por lesões.

É uma das cirurgias mais realizadas em crianças. É considerada uma cirurgia de porte médio, o procedimento deverá ser realizado em ambiente cirúrgico e a alta costuma ser no mesmo dia.  “O objetivo é sempre deixar uma orelha com aparência natural e harmoniosa. A cicatriz é quase imperceptível”, afirma a dra Beatriz.

Segundo a médica, a cirurgia já pode ser realizada a partir dos 6 anos de idade, quando o crescimento do pavilhão auditivo é completo. Já segundo José Neder, o ideal é a partir de 7 anos,  considerada a época ideal para o tratamento das deformidades da orelha, pois nesse período a orelha já está com sua formação completa.

“De uma forma geral, a otoplastia pode ser feita a partir de anestesia geral, local e sedação. É feita uma incisão atrás da orelha, acompanhando a dobra natural da pele. Após a retirada do excesso de pele, a moldagem da cartilagem é feita, o que a deixa mais flexível”, explica. Os pontos de fixação são feitos logo em seguida, para sustentar a nova anatomia da orelha e ‘fechar a pele’”, explica.

Cuidados pós-cirúrgicos

Ao escolher um cirurgião plástico para a cirurgia, lembre-se de que a experiência do cirurgião, sua formação (ser Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) e seu bom relacionamento com ele são tão importantes quanto o custo final da cirurgia.

Quanto aos cuidados pós-cirúrgicos, é necessário usar uma faixa protetora – parecida com aquela usada pelos tenistas – durante um ou dois meses. “O inchaço é comum, mas diminui até o fim das primeiras três semanas. Caso o paciente sinta dor nos primeiros dias, ela se torna suportável com analgésicos. Esse incômodo é comparável a uma extração de dente”, compara.

Por fim, a médica enfatiza que os primeiros dias após a cirurgia requerem cuidados redobrados com exposição ao sol e evitando traumatismos no local, além de sempre fazer o acompanhamento médico após a cirurgia. “Tanto para crianças como adultos operados, o grau de satisfação é muito alto, o que impacta positivamente na vida social do paciente”, finaliza.

Alguns riscos associados à cirurgia

A cirurgiã plástica destaca que a cirurgia dura cerca de uma hora e é de risco muito baixo. “A decisão de se submeter à otoplastia é pessoal e é o paciente quem deve decidir se os benefícios atingirão seus objetivos e se os riscos e potenciais complicações são aceitáveis. O cirurgião plástico e/ou assistentes explicarão, em detalhes, os riscos associados à cirurgia”, afirma o cirurgião.
Segundo ele, o paciente deverá assinar o termo de consentimento para assegurar que compreendeu plenamente o procedimento ao qual vai se submeter e quaisquer riscos ou complicações. Veja os principais:
– Sangramento (hematoma),
– Assimetria,
– Infecção,
– Má cicatrização,
– Alteração na sensibilidade da pele,
– Contornos irregulares na pele,
– Descoloração da pele/inchaço,
– Riscos da anestesia,
– Cicatrizes,
– Alergias à fita, ao material de sutura, a colas, a produtos derivados do sangue, a preparos tópicos ou a agentes injetados,
– Dor, que pode perdurar,
– Possibilidade de novo procedimento cirúrgico.

Mutirão de cirurgia ortopédica na rede municipal

Hospitais da rede municipal tiveram mais um fim de semana de muitas cirurgias. Além das cirurgias de otoplastia, 109 pessoas passaram por cirurgias ortopédicas, totalizando 1.020 procedimentos nas 13 etapas da ação. Os mutirões acontecem sempre nos fins de semana, com equipes extras aos plantões, para não impactarem na rotina cirúrgica ou nos atendimentos de emergência dos 11 hospitais envolvidos.
Iniciado em janeiro, o mutirão de cirurgias ortopédicas vem reduzindo o tempo de internação de casos menos complexos de ortopedia, muito comuns nos hospitais de emergência. Por serem cirurgias consideradas eletivas, são pacientes que passam alguns períodos internados aguardando para serem operados, já que a prioridade nessas unidades são os casos de maior gravidade e risco.
Com mais esta etapa do mutirão ortopédico, o número de cirurgias na ação já chega a 1.020, superando em 48,47% a meta até aqui, que era de 687 procedimentos. Foram, portanto, 333 cirurgias a mais. Somente neste fim de semana, estavam inicialmente previstas 60 operações e foram realizadas 49 a mais. Esta ação acontece em nove hospitais da rede de atenção da Secretaria Municipal de Saúde Souza Aguiar, Miguel Couto, Lourenço Jorge, Barata Ribeiro, Salgado Filho, Evandro Filho, Albert Schweitzer, Rocha Faria e Pedro II.

Da Redação, com Assessorias

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.