Os 5 tipos de câncer mais comuns em mulheres

Rosayne Macedo
Pontual Farmacêutica faz campanha Eu Venci o Câncer (Foto: Auê FotoConceito)
Alessandra Farias posa para a campanha Eu Venci o Câncer, da Pontual Farmacêutica (Foto: Auê FotoConceito)

Na semana dedicada ao Dia Internacional da Mulher (8 de março), a comunidade médica aproveita para reforçar a importância dos cuidados com a saúde da mulher que vão além dos exames ginecológicos.  A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) faz um alerta sobre a saúde das mulheres, no que diz respeito à importância da prevenção e diagnóstico precoce dos cinco tipos de câncer mais comuns entre a população feminina: os tumores de mama, colorretal, colo de útero, pulmão e estômago.

“O câncer de mama, mais comum entre as mulheres, possui campanhas de conscientização durante o mês de outubro, reconhecido como Outubro Rosa, que são fundamentais para discutir o problema e orientar sobre a detecção da doença. Porém, é importante ressaltar que há outros tumores muito comuns entre a população feminina, como por exemplo o de pulmão e colorretal, que também podem ser evitados ou tratados com sucesso quando diagnosticados precocemente e nem sempre recebem tanta atenção dos órgãos públicos e da sociedade”, comenta Claudio Ferrari, diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

Segundo dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer), os cânceres de mama, ovário, útero e colorretal são os que se manifestam com mais frequência nas mulheres.  Uma em cada cinco pessoas que sobrevivem ao câncer no mundo, diagnosticados nos últimos cinco anos, é uma mulher que teve câncer de mama. Só no Brasil, a estimativa é de que em 2016, tenham ocorrido 57.960 casos, de acordo com o Inca. O diagnóstico quando feito de forma precoce facilita o tratamento imediato e a possível cura da doença.

Segundo a médica Andréia Melo, especialista em oncologia da Pontual Farmacêutica, distribuidora de medicamentos especializados no tratamento de câncer, o autoexame nos seios é fundamental para acompanhar a saúde na região. “É importante que as mulheres conheçam o seu corpo, fiquem atentas a qualquer alteração nas mamas e que procure o médico sempre que perceber algo diferente”, explica Andréia.

O segundo tipo de câncer que mais acomete mulheres no Brasil é o de cólon (uma parte do intestino grosso) e do reto. Os tumores crescem na região a partir de pólipos, um tipo de lesão que geralmente não evolui para o câncer e que é facilmente tratável. “É de suma importância ficar atenta a dores no estômago e mudanças no hábito intestinal, além de sangramentos nas fezes”, comenta a especialista.

Já o câncer do colo do útero é causado pela infecção do vírus HPV.  O preventivo ginecológico, também conhecido como Papanicolau, é o exame responsável por detectar alterações nessa região e deve ser feito regularmente. “Vale ressaltar que a vacinação contra o HPV já está disponível no Brasil, inclusive na rede pública de saúde, para meninas e meninos em determinada faixa etária”, pontua a médica, que é presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica Regional Rio de Janeiro.

Pontual Farmacêutica faz campanha Eu Venci o Câncer (Foto: Auê FotoConceito)
Celina Ramos, recuperada do câncer de mama (Foto: Auê FotoConceito)

Os sintomas do câncer de ovário são discretos e tardios, ou seja, costumam aparecer apenas quando a doença já está em estágio avançado e espalhou-se pela pelve ou abdome. Isso porque esse tipo de câncer é o mais difícil de ser diagnosticado e por conta disso, o mais fatal.  “São esperados mais de seis mil casos novos de câncer de ovário esse ano no Brasil. É importante que toda mulher faça exames periódicos com seu ginecologista. Aquelas que têm história familiar da doença devem ter acompanhamento rigoroso”, alerta a profissional.

Jacques Bines, oncologista clínico do Grupo Oncologia D’ Or, também reforça a importância do diagnóstico precoce, que pode aumentar as chances de cura em até 90%. O especialista também destaca a atenção para os tumores de pulmão (com incidência crescente), ovário, útero e estômago.

Segundo ele, a maioria dessas neoplasias pode ser evitada adotando medidas simples. “Abandonar o cigarro, começar uma atividade física, ter uma alimentação saudável, evitar a exposição excessiva ao sol e usar filtro solar, limitar a ingestão de álcool são alguns dos hábitos que podem ajudar na prevenção do câncer”, aponta.

O oncologista ainda destaca a importância de manter os exames preventivos em dia. Ele recomenda que as mulheres conheçam o próprio corpo e procurem ajuda sempre que necessário. “Elas precisam estar atentas à saúde e buscar ajuda profissional ao detectar algo de errado. Além disso, é importante ter uma postura ativa, fazendo os exames indicados regularmente”, finaliza.

Saiba como identificar os 5 tipos de câncer mais incidentes em mulheres:

Câncer de mama – Considerado o tumor mais comum na população feminina em todo o mundo, o câncer de mama atingiu 57.960 novos casos no Brasil em 2016, segundo estimativas do Inca. Na ausência de fatores familiares que indiquem o risco aumentado para a doença ou de achados de exame físico que exijam investigação específica, as mulheres devem realizar exames anuais de mamografia.  O início da rotina de rastreamento, com exames mais frequentes, é recomendado pelo Inca apenas a partir dos 50 anos, mas sociedades médicas e organizações internacionais indicam como ideal o início aos 40 anos.

“Quando o câncer de mama é diagnosticado em fase inicial, 90% dos casos têm chance de cura. Por isso, também é muito importante que toda mulher realize mensalmente o auto-exame. Aquelas que menstruam devem fazê-lo na semana seguinte ao término da menstruação, enquanto as menopáusicas podem fazer em uma data determinada de cada mês. Caso perceba alguma alteração em sua mama, é recomendável que ela procure seu médico o quanto antes para avaliação” alerta Gilberto Amorim, oncologista diretor da SBOC.

Pode ser identificado em sua fase inicial por meio de mamografia, que pode detectar alterações pequenas não identificáveis ao exame físico. Embora importante como fator de atenção ao próprio corpo, o autoexame não ajuda no diagnóstico precoce da doença. Sinais e sintomas, como alterações da cor da pele da mama, do mamilo (bico) – como retração, saída de líquido (como sangue) ou nódulos (caroços) na mama ou na axila – são achados tardios da presença da doença.

Câncer colorretal – Abrange tumores que acometem um segmento do intestino grosso (o colón) e o reto. Os sintomas envolvem mudanças no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre), desconforto abdominal, sangramento nas fezes, sangramento anal e sensação de que o intestino não se esvaziou após a evacuação. Também poderá ocorrer perda de peso sem razão aparente, cansaço, fezes pastosas de cor escura, náuseas, vômitos e sensações doloridas na região anal, com esforço ineficaz para evacuar. Todos esses sinais também são considerados tardios – a melhor conduta é fazer um exame de rastreio que, muitos desconhecem, porém, está indicado para todas as pessoas acima de 50 anos. São vários os métodos que incluem pesquisa de sangue nas fezes, retossigmoidoscopia ou colonoscopia, exames em que se introduz um tubo flexível pelo ânus, sob sedação, e que permite a visualização de uma parte ou de todo o intestino.

Em 2016, o Inca estimou 17.620 casos de câncer de cólon e reto em mulheres no Brasil. Este tipo de tumor está ligado a hábitos de vida, como alto consumo de carnes vermelhas e carnes processadas, pouca ingestão de frutas, legumes e verduras, obesidade e inatividade física. “Sabemos que o consumo de alimentos ricos em fibras e a prática regular de atividade física são considerados medidas preventivas contra a doença, portanto este é mais um tipo de tumor que pode ser evitado com a adoção de hábitos de vida saudáveis”, explica Dr. Gustavo Fernandes, presidente da SBOC. O diagnóstico do câncer colorretal deve ser suspeitado em casos de alteração do hábito intestinal e eliminação de sangue nas fezes. O exame colonoscópio permite a visualização da lesão e, muitas vezes, o tratamento do câncer em estágios iniciais e de lesões que podem vir a se tornar um câncer.

Câncer de colo de útero – Também conhecido como tumor de cérvix (ou cervical), a doença é causada, principalmente, por infecção crônica derivada do Papilomavírus Humano – HPV. É o segundo tumor mais frequente na população feminina (sendo o mais incidente em algumas regiões do país) e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil.  No Brasil, cerca de 16 mil mulheres são diagnosticadas com câncer de colo de útero por ano. Apesar de ser o terceiro tumor mais frequente na população feminina, atrás do câncer de mama e do colorretal, e a quarta causa de morte de mulheres pela doença no Brasil, sua alta incidência é um contrassenso, pois trata-se de um tipo de tumor facilmente evitável por meio da vacina contra o HPV.

“Estudos científicos mostram que a idade mais efetiva para a vacinação é entre 9 e 13 anos, mas os pais acreditam que vacinar meninas ainda muito novas pode levar ao início da vida sexual. Precisamos tirar esse estigma da vacina, pois ela traz benefícios comprovados à prevenção do câncer. Esta é uma proteção muito importante que os pais devem oferecer às suas filhas”, comenta Fernandes. Outra medida importante é o exame Papanicolau, que deve ser realizado em toda mulher que já iniciou a atividade sexual, a partir dos 25 anos, devendo ser mantido até os 65 anos.  Após a realização de dois testes anuais com resultado normal, o exame deve ser repetido a cada 3 anos.

Por ser uma doença de desenvolvimento lento ela não apresenta sintomas na fase inicial e evolui para quadros de sangramento vaginal intermitente ou após a relação sexual, secreção vaginal anormal e dor abdominal associada a queixas urinárias ou intestinais nos casos mais avançados. Acomete muitas mulheres jovens. Além do teste de Papanicolau – o chamado “preventivo” – exame que pode detectar precocemente a patologia, temos hoje em dia uma grande arma no combate desta doença: a vacinação, disponível na rede pública e que faz parte do calendário de vacinação anual, a partir dos 9 anos de idade.

Câncer de pulmão – Apresenta um número crescente nos últimos anos – principalmente entre as mulheres. A medida mais importante na prevenção é a interrupção do fumo. Entre os fumantes crônicos há a possibilidade de rastreio usando tomografia computadorizada – na tentativa de detectar lesões pequenas passíveis de ressecção (retirada cirúrgica). Os sintomas mais comumente associados ao tumor de pulmão incluem tosse persistente, rouquidão, falta de ar, perda de peso inexplicada e fraqueza generalizada.

O tabagismo é responsável por, aproximadamente, seis milhões de mortes anuais no mundo e aproximadamente 147 mil mortes no Brasil, incluindo as decorrentes de câncer. Segundo o Inca, estima-se que o Brasil apresente 10.890 casos de câncer de traqueia, brônquios e pulmões entre as mulheres, em 2016.

“O câncer de pulmão é um dos mais agressivos e, ironicamente, um dos mais fáceis de ser evitado, uma vez que o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença é o tabagismo”, comenta a oncologista diretora da SBOC, Dra. Clarissa Matias. Em geral, os fumantes têm cerca de 20 a 30 vezes mais risco de desenvolver câncer de pulmão, quando comparados a pessoas que nunca fumaram.

Os sintomas da doença incluem tosse, que pode vir acompanhada de sangue, dores no peito, espirros, perda de peso, e não costumam aparecer até que o câncer esteja em estado avançado, o que dificulta o tratamento. Para ficar longe do câncer de pulmão, a principal recomendação é não fumar.

Câncer de estômago – Com a melhor conservação dos alimentos – uso de geladeira e redução do consumo de conservas e alimentos salgados –, a incidência do câncer de estômago caiu muito ao longo do século XX. Mesmo assim, esse tumor continua sendo um dos mais comuns na população feminina brasileira, com expectativa de 7.600 novos casos em 2016, segundo o Inca. É o quinto tipo mais comum em mulheres. Pode causar indigestão, queimação, enjoo, falta de apetite e desconforto ou dor na região do estômago. Não há exame de rastreio considerado efetivo.

Intervenções reconhecidamente efetivas na diminuição do risco desta doença incluem a cessação de fumar e o tratamento de infecção pelo Helicobacter pylori, bactéria que infecta o estômago e está associada ao desenvolvimento deste tipo de tumor.  Como o câncer está relacionado à infecção pela bactéria, que também responde por boa parte das gastrites, sua presença deve ser sempre pesquisada em pacientes que apresentam essa doença. A eliminação do agente é possível com o uso de antibióticos. As recomendações gerais relacionadas a dieta e exercício físico também podem ajudar na prevenção da doença.

Wanda Pereira, que venceu um câncer (Foto: Auê Fotoconceito)
Wanda Pereira, que venceu um câncer (Foto: Auê Fotoconceito)

Fonte: Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Grupo Oncologia D’Or e Farma Pontual

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