Os erros mais comuns na hora de lavar as mãos

Álcool comum ou gel: o que é melhor para afastar risco de bactérias? Especialistas ouvidos pelo ViDa & Ação explicam em detalhes

Redação
higiene das mãos

Você que lava as mãos várias vezes todos os dias, nem deve imaginar que o hábito, tão comum, tem uma data mundial só para ele. Em 5 de maio é comemorado o Dia Mundial de Higienização das Mãos, definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O objetivo é esclarecer sobre um procedimento básico e essencial.

É o método mais barato e eficaz para a prevenção e o controle das infecções relacionadas à assistência à saúde. No entanto, alguns erros são comuns no momento da higiene das mãos. Para evitá-los, é importante lembrar de retirar adornos, como anéis, pulseiras e relógio antes da lavagem. Esses objetos acumulam sujeira e microrganismos.

Outra falha é utilizar álcool comum, famoso por seu poder de assepsia, o produto não merece tanta credibilidade – pelo menos na higienização das mãos. Isso porque o líquido pode causar microfissuras na pele, facilitando a colonização por vírus e bactérias.

O álcool comum está vetado, mas outras soluções alcoólicas ainda podem ser utilizadas. As preparações alcoólicas – álcool gel, por exemplo – existentes no mercado são feitas à base de etanol ou associadas a n-propanol, são consideradas ideais para a higiene correta das mãos, se não houver sujeira aparente.

Entre as vantagens das preparações alcoólicas estão a fácil disponibilização em vários locais de assistência, a fácil utilização, não necessita de água e, se forem fórmulas adequadas, não causam ressecamento das mãos. Além disso, tem melhor eficácia antimicrobiana e ação é mais rápida do que lavar com água e sabonete.

O álcool próprio para higiene das mãos, é na formulação 70% gel ou líquido. Neste caso, deve-se aplicar uma quantidade suficiente em uma das mãos, em forma de concha, e friccionar a outra nas palmas, dorso, entre os dedos e unhas, desde que as mãos não estejam visivelmente sujas. A opção água e sabão garantem a higiene recomendada.

É importante lembrar de algumas regiões das mãos, geralmente esquecidas durante a limpeza, como alerta Débora: “Áreas como as pontas dos dedos, os espaços entre eles, embaixo das unhas e o polegar geralmente não são higienizadas. Não basta aplicar e passar rapidamente o sabonete ou espalhar um pouco de álcool-gel. Esse é um erro muito comum”, alerta Débora Gomes, coordenadora de Enfermagem da Apoio, empresa especializada em facilities para a área da saúde.

70% das causas de infecções hospitalares

A importância da data se deve ao fato das infecções serem um desafio de saúde pública e um dos maiores temores entre os pacientes que vão se submeter a um procedimento ou internação. Estima-se que 70% das infecções hospitalares poderiam ser evitadas com a higiene correta das mãos.

Em 2017, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) lançou o Primeiro Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil. De acordo com o documento dos 19,1 milhões de brasileiros internados em hospitais ao longo de 2016, 1,4 milhão foi “vítima” de, ao menos, um evento adverso, como por exemplo, infecção hospitalar, erros de dosagem, entre outros casos.

Já em 2018, o relatório do Banco Mundial, OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e OMS (Organização Mundial da Saúde), constatou que em países de renda alta, 7% dos pacientes internados têm risco em adquirir alguma infecção durante a internação hospitalar. Esse índice sobe para 10% em países de renda baixa.

A higiene correta das mãos é a maneira mais eficaz e barata de prevenir as IRAS. Cerca de 5 milhões de infecções ocorrem anualmente em hospitais europeus, representando um prejuízo ou déficit de 13 a 24 bilhões de euros.

Estudos já apontaram que, para cada dólar investido no programa de higiene das mãos, há uma economia de US$ 23,70 no orçamento do hospital.  No entanto, a OMS estima que aproximadamente 70% dos profissionais de saúde e 50% das equipes cirúrgicas não praticam rotineiramente a higienização das mãos.

Novos antibióticos não deverão resolver o problema

“As infecções por bactérias e outros agentes multirresistentes (MR) estão aumentando em todo o mundo. Ações para prevenir e controlar a disseminação desses microrganismos MR em serviços de saúde são fundamentais e urgentes, pois, o número de antibióticos disponíveis para tratar essas infecções é extremamente limitado e pior ainda, a perspectiva de novos antibióticos no futuro próximo é baixíssima”, completa.

Ainda segundo a especialista há um período de incubação entre a aquisição do vírus ou bactéria e a manifestação da infecção. Essa delonga é o que impede identificar quando, onde e quem foi o responsável pela transmissão microbiana pelas mãos.

“A Higiene das mãos é vital para prevenir a transmissão de microrganismos de um paciente a outro, de um local do corpo para outro – por exemplo, tocar uma parte do corpo mais contaminada ou suja para outra parte limpa – e do ambiente para paciente e vice-versa. Cada um tem a responsabilidade em evitar a transmissão de microrganismos pelas mãos e prevenir a ocorrência das infecções evitáveis em qualquer serviço de saúde, seja hospital, ambulatório, casa de repouso ou assistência domiciliar”, ressalta  Júlia Kawagoe, docente do Mestrado Profissional em Enfermagem da Faculdade Albert Einstein e consultora técnico – científica da B. Braun Brasil.

Processo simples, mas exige prioridade

Atualmente, o cuidado com a segurança do paciente envolvendo o assunto é tido como prioridade no ambiente hospitalar ou até no consultório.  O processo é simples, mas pode fazer uma diferença significativa, podendo prevenir uma série de contaminações e infecções dentro do ambiente hospitalar. Na prática, quase metade (cerca de 40%) das infecções e doenças como diarreia, resfriados e conjuntivite pode ser evitada, segundo dados da OMS.

A importância se dá por um fato simples: as mãos são uma das principais ferramentas para o trabalho da assistência nessa área e merecem um cuidado especial, pois podem acumular diversos microrganismos prejudiciais. Por meio do contato direto ou indireto, bactérias podem ser transferidas de uma superfície para outra, caracterizando a contaminação cruzada.

E mesmo que você já esteja internado, ainda pode obter vantagens com o hábito de higienizar as mãos – tanto as suas quanto as dos profissionais de saúde ao seu redor.

O impacto da higienização está relacionado ao tempo de internação e ao processo de recuperação do paciente, quanto mais seguro ele estiver mais rápida será sua recuperação e menor o tempo que ficará internado”, diz Débora.

Quando lavar adequadamente as mãos

Agora que você sabe higienizar suas mãos como ninguém, fique atento às situações em que é imprescindível realizar o procedimento, de acordo com a OMS:

antes de contato com o paciente;

antes da realização de procedimentos assépticos;

após risco de exposição a fluídos corporais;

após contato com o paciente;

após contato com áreas próximas ao enfermo.

A importância do procedimento é de tamanha relevância e deve ser monitorado e orientado pelos supervisores e gestores aos seus colaboradores e visitantes, como explica Alexandra Leite. Caso a higienização das mãos não seja bem-feita o risco de infecção pode aumentar. Entretanto, seguindo os protocolos corretos, é possível que, cada vez mais, as taxas de contaminação cruzada e infecção diminuam.

Recomendações da OMS

“A OMS recomenda que a higiene das mãos seja realizada nas indicações que são conhecidas como ‘Os cinco momentos’, e com técnica correta. Bastam 20 segundos para eliminar estes microrganismos das mãos, ao friccionar preparação alcoólica – mais conhecido como álcool-gel. São de fácil utilização, porque estão disponíveis próximos ao paciente e, portanto, não há desculpas para não realizar a higiene das mãos. Entretanto, as mãos devem ser lavadas com água e sabonete quando estiverem visivelmente sujas, este  procedimento leva o dobro do tempo – 40 segundos”, declara a especialista.

A OMS recomenda que a higiene correta das mãos deve ser realizada da seguinte maneira: colocar uma quantidade de álcool gel na palma das mãos (suficiente para atingir todas as superfícies) esfregar bem a palma, o dorso, os dedos, os interdígitos, isto é, o vão dos dedos, e os polegares. É preciso tomar cuidado também com a área das pontas dos dedos e embaixo das unhas.

SOBRE A DATA

Celebrado todo dia 5 de maio, o Dia Mundial de Higiene das Mãos foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para reforçar a necessidade da prática correta de higiene das mãos na prevenção das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) e na garantia de segurança ao paciente.  Esse ano, a Campanha Mundial Salve Vidas: Higienize suas mãos, promovida pela OMS, traz como tema: “Cuidado seguro para todos está nas suas mãos”.

Apoiadora das ações do Dia Mundial de Higienização das Mãos,  a B. Braun vai promover uma campanha de conscientização sobre Prevenção de Infecções em suas redes sociais e irá apoiar seus clientes na realização de campanhas internas relativas à data.

“A campanha desse ano reforça a necessidade de pensarmos na coletividade. É preciso que os profissionais da saúde, pensem na prevenção das IRAS como um cuidado que deve ser estendido a todos os setores e profissionais. Infelizmente, há uma tendência de se achar que a prevenção das infecções deve estar concentrada apenas em áreas de pacientes críticos como em Unidade de Terapia Intensiva. E é justamente isso que a campanha desse ano quer desmistificar”, afirma Júlia.

Da Redação, com Assessorias

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