Overdose sonora pode levar à perda da audição

Tráfego intenso e barulhento nas cidades, música em decibéis acima do indicado em shows e boates, som sempre altíssimo nos fones de ouvido… Tudo isso sem falar nos barulhos naturais da casa, escola ou do trabalho. Essa ‘overdose sonora’ que atinge a todos diariamente, voluntária ou involuntariamente, pode trazer consequências nefastas à audição, prejudicando aos poucos nossa capacidade de ouvir.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 400 milhões de pessoas sofrem de perda auditiva. Infecções de ouvido frequentes, causas genéticas, doenças auto-imunes, algumas doenças que ocorreram durante a gestação como rubéola, toxoplasmose, sífilis e HIV são os principais fatores que levam à deficiência.

Neste dia 10 de novembro em que se comemora o Dia Nacional da Prevenção e Combate à Surdez, especialistas alertam para a necessidade de levar informação e educação sobre a saúde auditiva para a população. “A exposição frequente à ruídos sonoros de grande intensidade também podem levar a perdas auditivas significativas e irreversíveis. Nos dias atuais, a presença dos mais variados acessórios eletrônicos, de qualidade elevada, podem facilitar a exposição a grandes ruídos”, comenta a otorrinolaringologista do Hospital Federal da Lagoa, Luciane Mello.

A perda de audição vem ao longo do tempo e pode chegar mais cedo se não nos resguardarmos quanto ao excesso de barulhos no cotidiano. E as novas gerações serão as maiores vítimas, como prevêem os especialistas. Muitos jovens já incorporaram o hábito de ouvir música por meio de fones que conduzem o som alto diretamente ao canal auditivo, o que é péssimo para a audição. São os próprios médicos e fonoaudiólogos que alertam: a juventude deve ter mais consciência quanto aos riscos do som alto e proteger a audição sob pena de ter perda auditiva antes de envelhecer ou até mesmo antes da meia-idade.

A fonoaudióloga Isabela Papera, da Telex Soluções Auditivas, ressalva, no entanto, que as consequências do uso frequente de fones de ouvido não são as mesmas para todos. Variam de acordo com o período de exposição sonora e a predisposição genética de cada um. “Recomendamos aos jovens que usam fones que façam uma audiometria. É o exame que informa se há perda de audição e como proceder para evitar o agravamento do problema”, aconselha.

O pior é que a maioria das pessoas que já tem déficit auditivo não reconhece que ouve mal. A falta de informação e o preconceito fazem com que a consulta ao médico seja protelada, em média, por sete anos. Isabela Papera, que é especialista em audiologia, analisa os problemas causados pelos maus hábitos e pela poluição sonora:

1 – O trânsito como vilão

Já se constata que a perda auditiva começa a surgir mais cedo entre os moradores de grandes cidades. O trânsito pode ser um vilão. Enquanto houver falhas na fiscalização de ônibus, carros, motos e caminhões, uma solução barata e inteligente é usar protetores de ouvido.

2 – Exposição contínua a ruídos

TV, rádio, liquidificador, aspirador de pó, secador de cabelos, aparelhos de som, jogos de videogame e fones de ouvido fazem parte do nosso cotidiano. O nível de barulho em casa também tem grande impacto. É fundamental estar atento aos limites de decibéis (85 dB) recomendados, não só em respeito aos vizinhos, mas em benefício da própria saúde.

3 – Excesso de barulho da moto 

Se você quer pilotar embalado pelo ronco de sua moto por muitos e muitos anos, vale a pena usar protetores auriculares. Estudo do Instituto Nacional de Surdez e Outras Doenças de Comunicação, dos EUA, constatou que uma moto emite ruídos em torno de 95 decibéis. Ruídos acima de 85 dB podem causar alterações na estrutura interna do ouvido e perda permanente de audição com o decorrer dos anos.

4 – Estudantes desatentos 

Desatenção na escola pode ser sinal de problemas de audição. Com dificuldades para ouvir, o aluno não consegue aprender direito. Costuma ter conflitos de relacionamento e apresentar distúrbios de comportamento como distração, falta de concentração ou retraimento em excesso. É preciso investigar logo para que isso não afete ainda mais o aprendizado.

5 – Crianças vítimas de rubéola

Existem evidências de que a perda de audição seja a deficiência mais comum em crianças infectadas congenitamente pela rubéola. A busca de ajuda deve ocorrer rapidamente. Após teste auditivo, avalia-se o tipo de tratamento necessário para cada criança. A Telex Soluções Auditivas conta com um programa especial, o ‘Cuidado Auditivo Amigo da Criança’, que oferece um futuro melhor para toda criança com perda auditiva.

Consulte um médico

Ao desconfiar de dificuldades para ouvir, consulte um médico otorrinolaringologista para obter um diagnóstico preciso. A partir de avaliações como a audiometria, é indicado o tratamento adequado. Muitas vezes, o uso de aparelho auditivo devolve a alegria de ouvir, facilita o dia a dia e melhora a autoestima. Atualmente os aparelhos são minúsculos, discretos, alguns são até invisíveis, pois ficam dentro do canal auditivo, mantendo a elegância de quem os usa.

Dicas úteis para ouvir melhor

Luciane Mello diz que a palavra-chave para evitar a maioria desses distúrbios é a prevenção. A especialista dá algumas dicas para que qualquer pessoa tenha sempre uma boa audição:

 – Ouça música e assista vídeos com um volume de som de até 85 dB por uma duração máxima de 8 horas e dê períodos de descanso aos ouvidos;

– Use protetores auriculares (ou os chamados EPI – equipamento de proteção individual) em lugares muito ruidosos, quando a exposição é frequente;

– Faça um pré-natal adequado durante a gestação e o teste da orelhinha no bebê;

– Procure perceber se seu filho(a) tem dificuldade de ouvir chamados ou apresenta atraso na fala;

– Fique atento a zumbidos, dores constantes nos ouvidos ou dificuldade na audição;

– Pessoas (de crianças a idosos) que começam a ficar retraídas, não participando de conversas podem ter alguma dificuldade auditiva;

– Realize periodicamente exames com um médico otorrinolaringologista para verificar o estado da sua saúde auditiva.

Fontes: Luciane Mello (Hospital Federal da Lagoa) e  Isabela Papera, da Telex Soluções Auditivas

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