Pacientes de câncer de mama têm mais risco de desenvolver depressão

Especialistas alertam que depressão podem acentuar sintomas do câncer de mama. Saiba como a saúde mental é impactada na doença

O câncer de mama é uma patologia que traz em seu diagnóstico, além dos medos relacionados ao tratamento e seus riscos, questões que envolvem a sexualidade e a autoestima, em especial no caso das mulheres. Dados de um estudo do Observatório de Oncologia mostram que a chance de uma paciente desenvolver depressão chega a 25%, enquanto a prevalência da patologia é de 3,5% a 7% em todas as mulheres.

De acordo com uma pesquisa feita em 2017 pela National Cancer Institute, até 25% dos sobreviventes de câncer apresentam sintomas de depressão e até 45% sofrem de ansiedade. Muitos também apresentam sintomas que atendem aos critérios do Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).  Essas projeções são assustadoras no Brasil sse considerarmos dados do Inca – Instituto Nacional do Câncer de que existem cerca de 59.700 casos novos de câncer de mama, para cada ano do biênio 2018-2019, com risco estimado de 56,33 casos a cada 100 mil mulheres.

Todo mundo sabe que a saúde mental da população está sendo diretamente impactada pela pandemia da Covid-19. Neste mês de outubro, voltado para a campanha Outubro Rosa, que visa a conscientização do cuidado e prevenção ao câncer de mama, é importante expandir o debate para quem recebe esse diagnóstico. Médicos alertam que é importante ficar atento a alguns sinais que podem provocar instabilidade emocional e interferir na saúde mental do paciente, já que o impacto é devastador para a maioria das pessoas diagnosticadas. 

É preciso que se compreenda e dialogue sobre a relação entre o tratamento do câncer de mama e as doenças mentais – um dos aspectos mais relevantes para o enfrentamento da doença. O câncer não só afeta o corpo, mas também a saúde psíquica de pacientes e até de seus familiares e cuidadores. O distanciamento social, o medo da contaminação, a angústia sobre o futuro, podem aumentar ainda mais a preocupação de todos, gerando quadros psiquiátricos graves. 

Como auxiliar a manter a saúde mental dos pacientes em meio ao tratamento? Qual é o impacto que o diagnóstico, o tratamento e até mesmo o pós causam na saúde psíquica das pacientes. Para a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), tão importante quanto ter apoio psiquiátrico durante todo o tratamento, é ter um sistema de suporte contínuo durante toda a recuperação. “Essa intervenção é necessária para tornar esse cenário menos doloroso e ajudar as pacientes a renovar a esperança em dias melhores”, ressalta a entidade.

Psiquiatra diz que depressão pode acentuar sintomas do câncer de mama

Fabiana Nery, psiquiatra da clínica Holiste Psiquiatria. (Foto: Divulgação)

A detecção e o tratamento da depressão nesta população são importantes, pois sintomas depressivos podem interferir de maneira significativa no tratamento da condição clínica do câncer, destaca Fabiana Nery, psiquiatra da clínica Holiste Psiquiatria.

Segundo ela, a depressão pode afetar negativamente o prognóstico do paciente ao gerar aumento da dor, do desejo de morrer e acentuar o prejuízo funcional global.

Os critérios diagnósticos para depressão incluem sintomas que, frequentemente, são encontrados em pacientes com câncer, tais como inapetência, perda de peso, insônia, perda de interesse e energia. “Essa semelhança normalmente leva à não valorização desses sintomas como parte de uma síndrome depressiva, dificultando seu diagnóstico em portadores de câncer”, enfatiza Fabiana.

Segundo a psicóloga Daniela Araújo, também da Holiste, lidar com as duas doenças não é uma tarefa fácil para a mulher, sobretudo porque envolve muitas questões psicológicas. “Passar por um câncer de mama é ter a imagem do próprio corpo modificada, portanto algo pode mudar definitivamente. Lidar com isto não é fácil, ainda mais para mulheres que são tocadas diretamente pelos aspectos femininos”, comenta.

Ansiedade também dispara entre pacientes

Além da depressão, pacientes diagnosticados com câncer de mama podem desenvolver o Transtorno de Ansiedade. Vários fatores podem desencadear a evolução destes quadros, como problemas físicos, a própria ação inflamatória do câncer e a questão adaptativa, de se acostumar com um diagnóstico novo e com o tratamento.

Muitas vezes a própria medicação traz sintomas depressivos, a falta de suporte social, principalmente em mulheres mais jovens, tudo isso aumenta o risco de transtornos mentais no câncer de mama”, afirma Lívia Castelo Branco, médica psiquiátrica da Holiste.

Com Assessorias ABP e Holiste

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