Páscoa consciente com consumo responsável de peixes

Aquario lança guia para orientar sobre espécies que podem ser consumidas de forma liberada ou moderada ou devem ser riscadas do cardápio porque correm risco de extinção

 

Na manhã desta Sexta-feira Santa, após caminhar na pracinha com minha filha, fomos à feira e fiquei impressionada com a enorme quantidade e variedade de peixes e frutos do mar ofertados nas bancas. E, claro, com a enorme variação de preços. O camarão, por exemplo, chegava a ser oferecido desde R$ 24 a até R$ 120 (claro, de acordo com o tamanho, o tipo e a forma do pescado)! Mas será que os peixes que, tradicionalmente, consumimos em maior volume nesta época do ano não correm risco de extinção? Qual de fato, devemos escolher se temos preocupação com a preservação das espécies e com a sustentabilidade do planeta?

O AquaRio preparou um Guia de Consumo Responsável, que ajuda a orientar sobre os tipos de peixes que podem ser consumidos de forma liberada ou moderada ou simplesmente devem ser riscados do cardápio. O guia faz parte da Campanha Nacional de Consumo Responsável dos Recursos Pesqueiros, que o AquaRio lançou esta semana. O objetivo é  informar a população sobre as espécies cujo consumo deve ser evitado, as que são liberadas e as que podem ser consumidas de forma controlada. A recomendação é que se evite, por exemplo, o consumo de atum-azul, budiões, cação-anjo, cações, chernes, mero, raias e raia-viola. São espécies com elevada ameaça de extinção, com captura proibida ou com risco para o consumidor. 

“Se continuarmos nesse ritmo, em poucas décadas diversas espécies de peixes e crustáceos terão desaparecido da costa brasileira”. A frase impactante é do biólogo marinho e diretor presidente do AquaRio, Marcelo Szpilman, que há décadas estuda e propõe ações de conservação do ecossistema marinho brasileiro. A origem dessa problemática é a pesca exagerada e às vezes predatória que ocorre mundialmente e de forma ainda mais acentuada na costa do Brasil, reduzindo os estoques pesqueiros e provocando o desequilíbrio dos oceanos.

Campanha prevê também exposição temporária

Na ação da campanha (que irá até 22 de abril), a população será orientada a identificar as espécies marinhas em risco de extinção, que serão categorizadas com as cores vermelha, para risco alto de extinção; amarela, que indica situação de vulnerabilidade; e verde, para as espécies de peixes e crustáceos que estão fora de risco e estão liberados para o consumo.

O AquaRio usará sua estrutura para promover essa identificação por meio de sinalização e inserção de informação em todos os painéis localizados sobre os tanques. Também haverá distribuição permanente de material impresso para os visitantes levarem consigo para consultas futuras. A campanha conta com a parceria da Biomar (UFRJ) e do BioTecPesca, um dos principais laboratórios da Biologia Marinha da UFRJ, especializado no estudo da gestão pesqueira.

Atividades educativas e uma exposição temporária sobre artes de pesca também farão parte da programação da campanha. Aos sábados, às 15h, os visitantes terão a oportunidade de assistir uma peça infantil com a temática do consumo responsável e, ao longo dos meses de março e abril, convidados farão ciclos de palestras sobre o assunto. Aos domingos, às 15h.

AquaRio quer devolver espécies em extinção aos oceanos

Mais de 90% dos peixes que estão no AquaRio são recursos pesqueiros da costa brasileira. Diversos estudos realizados pelo equipamento ajudarão a devolver aos oceanos espécies que estão em risco de extinção. Um desses casos é o do tubarão Mangona (Carcharias taurus). No fim de 2017, dois machos da espécie vieram de fora do país para tentar a reprodução em cativeiro com uma antiga “moradora” do AquaRio, uma fêmea vinda do Aquário de Ubatuba. A empreitada inédita é liderada pela equipe de biólogos do Aquário do Rio. Para os visitantes, fica a torcida pelos filhotes da Margarida, nome carinhoso dado ao tubarão-fêmea, que é uma das grandes atrações do grande tanque oceânico.

“É nosso dever e responsabilidade, como equipamento focado em educação, pesquisa e conservação, informar a população sobre a necessidade de tomar uma atitude correta em favor da natureza. Acredito que a informação é a nossa melhor aliada para que a população entenda que uma mudança de atitude faz parte da solução. O Consumo Responsável é sempre uma excelente escolha e talvez a única chance que as populações de peixes têm”, completa Szpilman.

 

Guia de Consumo Responsável

 1 – NÃO COMA OU EVITE

Atum-azul, budiões, cação-anjo, cações, cherne, mero, raia e raia-viola. São categorias comerciais de espécies com elevada ameaça de extinção, com captura proibida ou com risco para o consumidor por poderem apresentar contaminantes (por exemplo, o mercúrio) na carne. Muita atenção para o famoso filé de viola, pois muitas peixarias comercializam o filé do cação-anjo como se fosse o filé da raia-viola. E ambos estão seriamente ameaçados. Importante alertar que os termos “cação” ou “tubarão” designam o mesmo animal.

 2 – CONSUMO MODERADO (até 1 vez por semana)

Anchova, atuns (albacoras), badejos, bagre-estuarino, bijupirá, camarão-branco, camarão-rosa, camarão-sete-barbas, caranha, cioba, corvina, dourado, garoupas, lagosta, linguado, merluza, namorado, parati, pargo-rosa, peixe-sapo, peruá, pescadas, peixe-batata, robalo, sardinha-verdadeira, tainha e vermelho-caranho. São categorias comerciais de espécies com pequeno ou médio grau de ameaça de extinção, captura controlada e/ou estoques pesqueiros em declínio histórico.

3 – CONSUMO LIBERADO

Abrótea, agulhinha, albacorinha, baúna, betara, bicuda, bonito, cabrinha, carapeba, castanha, cavala, cavalinha, cocoroca, congro, enchova, guaiuba, guarajuba, lula, manjuba, maria-luiza, mexilhão, michole, olhete, olho-de-boi, olho-de-cão, ostra, pampo, peixe-espada, pescadinha, sardinha-boca-torta, sardinha-bandeira, sardinha-cascuda, savelha, siri, sororoca, tira-vira, trilha, vieira, xaréu, xerelete e xixarro.

OBS: Estas recomendações são dinâmicas e serão revistas periodicamente, acompanhando as mudanças na legislação brasileira e o estado de conservação das espécies que compõem os recursos pesqueiros.

Fonte: AquaRio, com Redação

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