Perda da visão é um dos principais riscos da diabetes não controlada

Retinopatia e edema macular diabéticos são as maiores causas de cegueira. Aumenro da glicemia também causa flutuações na refração e catarata

Redação
problemas de visão mais comuns

O maior perigo do diabetes é a falta de sintomas que facilita a falta de controle do índice glicêmico, o que pode provocar doenças oculares, cardiovasculares, renais e amputações. Quando não tratado corretamente, o diabetes pode causar diversos problemas. Com o crescente número de pessoas com diabetes, os cuidados com a visão se tornam ainda mais importantes.

Na visão, o diabetes descontrolado pode levar ao desenvolvimento da retinopatia diabética, do edema macular diabético e do glaucoma. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), após 20 anos convivendo com a doença, 90% dos pacientes com tipo I e 60% com o tipo II desenvolvem Retinopatia Diabética (RD), e cerca de 30% dessas pessoas, desenvolverão o edema macular diabético (EMD).

A perda da visão é uma das consequências da falta de acompanhamento médico entre os pacientes com diabetes. A OMS (Organização Mundial da Saúde) aponta a retinopatia diabética como a maior causa de cegueira definitiva entre pessoas economicamente ativas, entre 20 e 60 anos. A doença ocorre quando o excesso de glicose no sangue danifica os vasos sanguíneos dentro da retina.

Das doenças oculares causadas pelo diabetes, o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, ressalta que as mais graves são a retinopatia e o glaucoma. Isso porque, segundo ele, o diabetes altera a viscosidade do sangue e por isso provoca problemas nos microvasos dos olhos de 74% dos portadores, segundo pesquisa do IDF.

A retinopatia diabética é caracterizada por  alterações nos vasos da retina, membrana de fibras nervosas que fica no fundo do olho, recebe as imagens e as envia para o cérebro. O diagnóstico é feito através de exame de fundo de olho e o tratamento pode incluir aplicação de laser, injeções anti-angiogênicas ou cirurgia em casos de hemorragia ou descolamento da retina”, explica o especialista.

Francyne Veiga Reis Cyrino, médica assistente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto -USP, explica que a retinopatia tem quatro fases, e na última, chamada de proliferativa, os vasos sanguíneos estão muito frágeis, e o rompimento deles pode espalhar sangue pela cavidade vítrea, causando a perda de visão.

Já o edema macular diabético é uma potencial complicação da retinopatia diabética. A médica explica que, “essa doença provoca um acúmulo de líquido na mácula, área da retina responsável pela visão central nítida, usada para ler, reconhecer rostos, cores e dirigir”.

Queiroz Neto afirma que o glaucoma em diabéticos é uma reação secundária da retinopatia que se distingue pela formação de neovasos e menor irrigação sanguínea. Também é caracterizado por inflamações oculares que dificultam o escoamento do humor aquoso. Por isso, a doença causa aumento da pressão intraocular e morte de células do nervo óptico.

O especialista ressalta que o glaucoma neovascular tem evolução rápida e o campo visual perdido é irrecuperável. Por isso, é importante que toda pessoa diabética faça exame oftalmológicos regulares de acordo com a periodicidade estabelecida pelo oftalmologista para cada caso.” As alterações oculares que podem cegar geralmente aparecem após 10 anos de convivência com o diabetes e a prevenção ainda é o melhor remédio”, conclui.

Flutuações na refração e catarata

O oftalmologista diz que nos olhos um dos efeitos reversíveis do excesso de glicose é a indução à miopia decorrente da maior absorção de água pelo cristalino, lente natural do olho. “Isso acontece com mais frequência depois das refeições quando o nível de glicose sobe” explica. Após períodos prolongados de jejum o cristalino desidrata e a miopia induzida desaparece. Entre mulheres em idade fértil, a flutuação da refração também pode estar relacionada às alterações dos níveis de hormônios sexuais típicas do ciclo menstrual que podem aumentar a retenção de água pelo cristalino.

Por isso, comenta, a prescrição de óculos exige que o oftalmologista verifique o período do ciclo menstrual da mulher e se o paciente não está descompensado, ou seja, com picos e quedas muito constantes do índice glicêmico. Uma dica do médico para manter a refração e a glicemia estáveis é se alimentar a cada 3 horas, dando preferência aos grãos integrais, verduras e frutas em pequena quantidade.

O processo repetitivo de hidratação e desidratação do cristalino altera suas fibras, antecipando a formação da catarata, opacificação do cristalino que responde por 47% dos casos de cegueira tratável no Brasil.

Melhor tratamento é o que começa o quanto antes

Portanto, é importante que pacientes com diabetes sigam o tratamento corretamente, e visitem o oftalmologista pelo menos uma vez ao ano. E, caso diagnosticados com problemas na visão, iniciem um tratamento, pois, quando não tratada, a retinopatia pode evoluir para cegueira em 50% dos casos em 5 anos, se não tratada.

Hoje em dia, existem tratamentos eficazes para os problemas de visão em pacientes com diabetes. A terapia anti-VEGF é eficaz no retardo da progressão do edema macular e tem demonstrado uma recuperação da acuidade visual melhor e mais rápida que a cirurgia a laser, além de ter sido recentemente aprovada para o tratamento da retinopatia diabética proliferativa, a mais grave das fases da doença” finaliza a Dra Francyne.

“O acompanhamento oftalmológico e o controle da hiperglicemia poderiam evitar mais da metade dos casos de perda da visão”, afirma Queiroz Neto. Muitas pessoas só descobrem a doença durante um exame oftalmológico de rotina. Isso porque o diabetes provoca alterações nos vasos da retina.

Tipos, sintomas e tratamentos

O diabetes é uma desordem no metabolismo da glicose (açúcar) que se acumula na corrente sanguínea. Em portadores de diabetes do tipo 1 que responde por 10% dos casos da doença, este processo falha porque o pâncreas interrompe ou diminui a produção da insulina, hormônio que transforma em energia a glicose obtida através da alimentação. Os sintomas são: produção de grande volume de urina, sede excessiva, cansaço e perda de peso. O tratamento é feito com reposição de insulina.

Nos outros 90% que têm diabetes do tipo 2, o oftalmologista explica que as células musculares e de gordura se tornam resistentes à insulina, ou seja, precisam de mais insulina para quebrar a glicose. O tratamento é feito com medicação que estimula a produção de insulina para equilibrar o metabolismo da glicose. O diabetes do tipo 2 pode estar relacionado à hereditariedade, sedentarismo, obesidade ou estresse.

A Federação Internacional de Diabetes (IDF) estima que 463 milhões de pessoas convivam com a doença no mundo, sendo 16 milhões de pessoas no Brasil. O diabetes é uma das doenças crônicas que mais crescem, impondo desafios para a saúde pública. O número de adultos vivendo com a doença triplicou nos últimos 20 anos. As consequências causadas pelo diabetes podem ser agudas e de curta-duração, como alto nível de glicose no sangue, ou crônicas e de longa duração como problemas cardiovasculares ou perda da visão.

Por ser, muitas vezes, silenciosa, estima-se que 50% das pessoas com diabetes não sabem que têm a doença. Com isso, o paciente não toma os cuidados necessários. Dado o cenário da doença, o dia 14 de novembro, Dia Mundial do Diabetes, é dedicado à conscientização sobre a importância de chegar a um diagnóstico rapidamente, e assim, iniciar tratamento e acompanhamento médico, incluindo visitas ao oftalmologista.

De acordo com a IDF, 10% dos pacientes no mundo apresentam diabetes tipo 1, que é caracterizada pela reação autoimune quando o sistema imunológico do paciente ataca as células produtoras de insulina. Os outros 90%, desenvolvem diabetes tipo 2. Esse tipo é causado por uma resistência à insulina, com isso, os níveis de glicose sobem descontroladamente, obrigando o organismo a produzir mais insulina. “O tipo 2 é mais frequente em adultos, porém, crianças também podem apresentar a doença. Alguns dos fatores de risco mais comuns são obesidade, sedentarismo e uma dieta não balanceada”, afirma a médica.

Campanha De Olho Na Visão

Criado em 1991 pela IDF e pela OMS, o Dia Mundial do Diabetes, celebrado em 14 de novembro, é dedicado à conscientização da população sobre os riscos causados pelo diabetes. No Brasil, a Novartis lança a campanha “De Olho na Visão”, que engloba a iniciativa “De Olho no Diabetes”, para trazer uma visão mais holística e integrada no cuidado com a visão e dialogar com novos públicos.

A campanha foi criada em parceria com associações de pacientes, as agências AMZ e o grupo IPG. O apresentador, DJ e influenciador André Marques e Lucinha Lins, atriz, cantora, compositora e apresentadora, também se juntam aos esforços de conversar com a sociedade brasileira sobre o tema.

A ADJ Diabetes Brasil tem como propósito ajudar as pessoas com diabetes a prevenir as suas principais complicações e a desfrutarem de uma vida plena e autônoma, nesse sentido, é importante para nós construir juntos com parceiros de longa data uma campanha que leve informação de qualidade aos brasileiros”, explica Gilberto Casanova, diretor-presidente da associação.

Com Assessorias

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