Pobreza menstrual: ações distribuem absorventes

Conheça algumas iniciativas para ajudar mulheres a combater a pobreza menstrual. Veja ainda serviço gratuito de atendimento médico

Constanza Del Posso, fundadora da Absorvendo Amor: aumento da evasão escolar durante o período menstrual (Foto: Divulgacão)

Item básico para mulheres em idade reprodutiva, os absorventes higiênicos ainda são inacessíveis a cerca de 26% das adolescentes entre 15 e 17 anos no Brasil. Para se ter noção do quão sério é o tema, em 2014, a ONU reconheceu que o acesso feminino à higiene menstrual é uma questão de saúde pública e de direitos humanos.

Relatório do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostra que 713 mil meninas vivem sem acesso a banheiro ou chuveiro em seu domicílio e mais de 4 milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas.

Outro relatório – do Movimento Livre para Menstruar – estimou que uma mulher gaste entre R$ 3 mil e R$ 8 mil ao longo de sua vida menstrual com absorventes. A chegada da pandemia agravou ainda mais esse cenário, não só para as jovens, mas também para mulheres em situação de vulnerabilidade social, em especial as moradoras de rua.

Segundo Constanza Del Posso, fundadora da Absorvendo Amor, um dos reflexos mais comuns, por exemplo, é o aumento da evasão escolar durante o período menstrual, em função da falta de acesso ao item. 

“A ONG sempre teve como objetivo ajudar as alunas das escolas públicas que não têm acesso a produtos de higiene íntima. Com todos os protocolos de segurança, adotamos a estratégia de levar as doações para a equipe da diretoria, que por sua vez distribuiu para as estudantes. A diretora de uma das escolas que ajudamos relatou que, todos os meses, tira dinheiro do próprio bolso para ajudar as alunas a não faltarem às aulas. Isso tem que mudar”, relata Constanza.

Cruz Vermelha distribui absorventes

Para ajudar no combate à pobreza menstrual, que tem impedido mulheres de irem ao trabalho e alunas de irem às escolas, a Cruz Vermelha São Paulo (CVSP) está distribuindo absorventes em comunidades carentes e calcinhas para incontinência urinária em lares de idosos. A ação foi decorrente de uma doação da P&G, que forneceu 15 mil caixas, com 245 mil absorventes, para serem entregues à população.

Duas ações itinerantes foram programadas pela CV/SP. Na quinta-feira, 15/7, foi realizada entrega no galpão da comunidade do Vietnã, em Vila Santa Catarina, região do Jabaquara. A segunda atividade está prevista para o dia 22/7. No total, serão distribuídos 3.200 absorventes e 3.200 calcinhas para incontinência, além de 4 mil máscaras e 800 sabonetes (que serão separados e entregues em kits individuais).

Haverá rodas de conversa com psicóloga e o serviço social sobre pobreza menstrual, aumento da violência doméstica e saúde mental das mulheres durante a pandemia. Estarão presentes também o AdeSampa (Agência Sampa de Desenvolvimento), que dará orientações sobre empreendedorismo social, e a Enel, que abordará a redução na tarifa de energia elétrica.

Para debater o assunto e o seu impacto na sociedade, a marca de absorventes Diana, da Carta Fabril, convidou as representantes de duas ONGs para uma live. O bate papo virtual acontece no dia 29, às 20h, na página do Instagram @dianaabsorventes. Entre as convidadas estão Constanza Del Passo, fundadora da @absorvendoamor, e Giovanna Souza, da @wonanforw, ambas fortemente engajadas em combater o problema. 

A Carta Fabril tem se mobilizado para ajudar a minimizar esses impactos, por meio de doações mensais realizadas por ONGs parceiras, entre elas a Menstruando sem Tabus, Fluxo Solidário, Unidas pelas Mulheres Virginia Woolf, Woman for Woman e Absorvendo Amor. Desde o início das ações, mais de 20 mil mulheres já foram ajudadas. 

Teleconsultas gratuitas para pacientes de 12 estados

O Instituto Sabin e o Instituto Horas da Vida, por meio do programa Saúde+, vão oferecer tratamento completo e gratuito em atenção primária a pacientes atendidos por mais de 40 organizações sociais de 12 estados brasileiros e do Distrito Federal. Uma jornada completa de atendimento à saúde da população será oferecida por meio da plataforma de telemedicina, oferecida pela Filóo Saúde.

Os médicos vão atender os beneficiários de organizações sociais nos estados do Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. Em cada uma das organizações terá um responsável por realizar o agendamento das teleconsultas para os beneficiários.

O programa oferece exames realizados nos laboratórios do Grupo Sabin de Medicina Diagnóstica e além disso, atua na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), oferece diagnósticos e tratamento de outras patologias a pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Prevista para acontecer de julho a dezembro deste ano, a ação vai oferecer também atendimento gratuito nas especialidades de Clínica Geral, Dermatologia, Ginecologia e Pediatria. Além disso, os beneficiários e as organizações receberão um calendário de Educação e Saúde contendo artigos, webinars, lives nas redes sociais do Horas da Vida e vídeos informativos sobre saúde.

Com Assessorias

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