Por que é preciso se proteger da gripe todos os anos?

Os tipos de vírus influenza sofrem constantes mutações e, portanto, a composição da vacina muda anualmente. A vacina tetravalente de gripe com a composição de 2018 já está nas clínicas privadas

Redação
vacina

O vírus da gripe circula o ano todo, porém, é mais frequente no outono e no inverno, quando as temperaturas caem, principalmente no Sul e Sudeste do país. Em 2018, até 7 de abril, foram registrados 286 casos em todo o país e 48 óbitos.

Idosos, crianças, gestantes e pessoas com alguma comorbidade possuem um risco maior de desenvolver complicações. Por isso, é muito importante a conscientização da população sobre a importância da imunização todos os anos. Uma pesquisa recente da GSK revelou que mais de 60% dos adultos brasileiros não estão com a vacinação em dia. E isso se comprova pelos casos confirmados em pessoas acima de 45 anos.

Mesmo essa faixa etária não sendo contemplada no Programa Nacional de Imunizações, é importante que procurem se vacinar. As pessoas devem checar se fazem parte dos grupos de risco que podem se vacinar nos postos de saúde. Caso contrário, devem procurar as vacinas na rede privada”, afirma Bárbara Furtado, gerente médica de vacinas da GSK.

Tipos de vírus sofrem mutações a cada ano

Mas por que é importante se proteger contra a gripe todos os anos? Especialistas explicam que Os tipos de vírus influenza sofrem constantes mutações e, portanto, a composição da vacina muda anualmente, por isso é importante se vacinar contra a gripe todos os anos.

A gripe é causada, principalmente, por quatro cepas do vírus influenza: 2 cepas A (H1N1 e H3N2)  e 2 linhagens B (Yamagata e Victoria).  E, como esses vírus estão em constante mudança de um ano para outro, novas vacinas precisam ser produzidas anualmente e por isso é importante se vacinar contra a gripe todos os anos.
Anualmente, a composição das vacinas de gripe é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Para 2018, a OMS anunciou que houve modificação na cepa A H3N2.
Ao contrário dos boatos que circulam nas mídias sociais, não existe no Brasil uma cepa ‘H2N3’ do vírus da influenza. Circulam, atualmente, influenza A/H1N1pmd 09, A H3N2 e influenza B. A vacina contra a gripe protege contra esses três tipos de vírus. Por isso, a vacinação é fundamental”, ressaltou o coordenador de Vigilância e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Rivaldo Venâncio.

Surto nos Estados Unidos e Europa

Atualmente, os Estados Unidos e a Europa passam por um dos mais intensos surtos de gripe com altas taxas de casos confirmados e hospitalizações. De outubro de 2017 a 3 de março de 2018, os EUA tiveram 24.664 hospitalizações confirmadas por Gripe (Influenza). Já na Europa, desde outubro de 2017, foram confirmados 20.312 casos de gripe e 11.434 hospitalizações.

No Brasil, conforme dados do Ministério da Saúde, o número total de casos confirmados de influenza até o final de outubro de 2017 foi de 2.412, sendo pacientes com uma mediana de idade de 45 anos – faixa etária que não é contemplada pela vacina oferecida no Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Dentre os casos de influenza, predominou o vírus influenza A (H3N2) com 64,5% e influenza B com 25,4%, sendo assim responsáveis por quase 90% dos casos. O estado com maior número de óbitos por influenza foi São Paulo, com 35,8% dos registros.  Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2017, foram confirmados 2.691 casos no estado pela doença. 

Uma epidemia de todos os anos

A Fiocruz promove o evento “Influenza: Uma epidemia de todos os anos”, nesta quinta-feira (26), das 9h às 13h, no Museu da Vida, no Rio de Janeiro. O encontro terá como objetivo principal apresentar o panorama da Influenza no Brasil e no Estado do Rio. Entre os temas que serão abordados estão os vírus circulantes, os grupos de maior risco de contraírem as formas graves, as medidas de prevenção e as estratégias de vacinação.

O debate contará com a presença do Ministério da Saúde, da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro e de representantes do Conselho de Secretários Municipais de Saúde com o objetivo de discutir o cenário atual da doença no Estado. Os profissionais de saúde, em especial aqueles que atuam no campo da vigilância, são o público alvo prioritário.

Vacinas trivalente e tetravalente

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a imunização é a forma de prevenção mais efetiva contra a gripe e, para isso, existem dois tipos de vacinas contra a gripe: a trivalente e a tetravalente.

A vacina trivalente protege contra três cepas do vírus influenza. Para 2018, a OMS definiu a composição da vacina com duas cepas de influenza A (H1N1 e H3N2) e uma linhagem de influenza B (Yamagata). Ela é oferecida gratuitamente pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) nos postos de saúde.

Atualmente, a vacinação é indicada para indivíduos com 60 anos ou mais, crianças de 6 meses a menores de 5 anos, gestantes, mulheres até 45 dias após o parto, profissionais de saúde e professores das escolas públicas e privadas, pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, além da população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional e dos povos indígenas.

Rede privada já tem vacina contra quatro cepas do vírus

A vacina tetravalente está disponível na rede privada e possui proteção contra quatro diferentes cepas do vírus influenza: 2 cepas A (H1N1 e H3N2) e 2 linhagens B (Yamagata e Victoria), o que significa 1 linhagem B a mais que as vacinas trivalentes. Sabe-se que as linhagens B foram responsáveis por quase 30% dos casos de gripe no ano de 2017.

Todos os anos a OMS recomenda as três cepas de influenza para as vacinas trivalentes e recomenda a linhagem B adicional que deve ser incluída nas vacinas tetravalentes2. Porém, é possível ocorrer um “mismatch” ou incompatibilidade de B, quando a cepa presente nas vacinas trivalentes, é significativamente diferente da linhagem que circula no ambiente.

A partir da campanha de 2018, a vacina influenza tetravalente da GSK, a Fluarix Tetra, estará disponível na rede privada para indivíduos a partir de 6 meses de idade. A Anvisa aprovou, em 26 de fevereiro deste ano, a ampliação de uso desta vacina para indivíduos a partir de 6 meses de idade, tendo a mesma apresentação para crianças e adultos.

“A vacina tetravalente oferece uma proteção mais ampla. É como ter mais de um airbag no carro. A população pode ter uma maior proteção contra os vírus da gripe que estão em circulação”, comenta Dra. Bárbara Furtado.

Diferenças entre gripe e resfriado

A gripe e o resfriado são doenças respiratórias, mas são causados ​​por diferentes vírus. Em geral, a gripe é pior do que o resfriado comum, e os sintomas são mais intensos. As pessoas com resfriado são mais propensas a apresentar sintomas como nariz escorrendo ou entupido. Os resfriados geralmente não levam a complicações de saúde, como pneumonia, infecções bacterianas ou hospitalizações.

A gripe (influenza) é uma infecção viral respiratória aguda e altamente contagiosa, mais grave do que um resfriado comum, podendo levar a complicações médicas sérias e graves. Os sintomas da gripe podem incluir febre alta ou sensação de febre/calafrios, tosse, dor de garganta, nariz entupido, dores musculares ou corporais, dores de cabeça, fadiga (cansaço), sendo uma doença potencialmente fatal.

A doença pode afetar qualquer pessoa em qualquer idade, sendo facilmente transmitida através da tosse, espirro e contato próximo com uma pessoa ou superfície contaminada. O período de incubação da influenza dura de um a quatro dias. Entre os sintomas estão infecção aguda das vias aéreas com quadro febril, calafrios, mal-estar, cafaleia, otite, dor de garganta, sinusite, pneumonia, rouquidão, diarreia e vômitos.

Fonte: GSK e Fiocruz, com Redação

 

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