Pornografia infanto-juvenil dobra na quarentena: como saber se seu filho/a é vítima

Brasileiro que comandava rede na DeepWeb é preso. Ong Aldeias Infantis alerta para o cuidado com as crianças mais tempo conectadas à Internet

Imagem de ongchinonn por Pixabay

No início do mês, um brasileiro de 50 anos –  solteiro com uma filha e um neto foi preso pela Polícia Federal, acusado de ser o responsável pela criação e manutenção de um dos maiores fóruns em língua portuguesa de pornografia infantil da deepweb. O crime, infelizmente, não é um ato isolado. O confinamento, devido ao isolamento social, fez aumentar em até 5.000% os crimes cibernéticos, entre eles a pornografia infantil.

Segundo dados coletados pela Safernet, nos três primeiros meses da pandemia foram registradas 42.931 denúncias de pornografia infantil, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado (20.860). Uma reportagem publicada pelo The Intercept mostra como o ódio e a pornografia infantil explodem no Twitter, Instagram e Youtube durante a pandemia.

E não só aumentou a oferta, mas também a procura por esses materiais. O aumento do nível de estresse pode ser um gatilho para os consumidores. Do outro lado, as crianças e adolescentes passaram a ficar conectadas por muito mais tempo, tanto para atividades escolares, como para o lazer. Isso aumenta o risco de serem acessadas por aliciadores em busca de fotos e vídeos das crianças para publicar da deepweb. Uma vez publicados, é muito difícil controlar para onde vai o conteúdo.

Neste mês de setembro, que também marca o Dia Internacional Contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças (23), a Aldeias Infantis SOS Brasil, organização humanitária global que atua no cuidado infantil há 53 anos no país, faz um alerta para o risco das crianças e adolescentes utilizarem a internet sem supervisão dos responsáveis.

Existe uma falsa sensação de segurança quando os filhos estão em casa mexendo no celular ou no computador, pelo fato de estarem no mesmo ambiente que os responsáveis. Mas, com quem nosso filho, que está do nosso lado, está falando? A internet é um mundo de possibilidades”, comenta Olivia Valente, coordenadora de Serviços no Acolhimento na Aldeias Infantis.

Ela lembra que as redes sociais podem ser acessadas por qualquer pessoa, inclusive, pelos aliciadores que têm técnicas para se aproximar das crianças, ganhar a confiança delas e, então, começar a pedir fotos e vídeos em troca de algum “presente”. Algumas vezes, sem que a criança sequer entenda a conotação sexual do que está fazendo. Depois de conseguir as primeiras imagens, é comum que eles passem a se utilizar da chantagem para conseguir mais conteúdo.

O que fazer para evitar que seus filhos sejam vítimas

Segundo Olivia, para proteger os pequenos desse tipo de crime, o primeiro passo sempre é criar um ambiente de confiança e manter o diálogo aberto, para que eles se sintam seguros de contar aos pais se alguma coisa acontecer. É fundamental que os responsáveis estejam sempre atentos ao que as crianças estão consumindo na internet e a qualquer mudança de comportamento que possa indicar que estão passando por algum problema.

Outra dica é ficar de olho em quais redes sociais eles acessam, que tipo de conteúdo postam e manter os perfis sempre privados. Existem também aplicativos em que o objetivo é conversar com estranhos. Esses devem ser evitados. É possível ativar em navegadores e celulares alguns dispositivos de segurança que podem bloquear conteúdos impróprios.

A melhor forma de combater esse tipo de crime é através da denúncia, seja quando você encontra um conteúdo impróprio ou quando conhece alguém que foi vítima”, conclui Olivia.

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