Primeiro hospital de campanha do Rio já recebe pacientes

Montada em apenas 19 dias, unidade tem capacidade para 200 leitos. Próximo a funcionar será no Riocentro. Em maio, Estado inaugura unidade do Maracanã e outras 8

Redação

Segundo no ranking nacional de vítimas do novo coronavírus, com 6.828 casos e 615 mortes, o Estado Rio de Janeiro corre contra o tempo para salvar vidas em meio à pandemia de Covid-19. Até a tarde deste sábado (25), um total de 339 pacientes aguardavam uma vaga de UTI no sistema de saúde público estadual, que está à beira de um colapso. A esperança para virar o jogo está nos hospitais de campanha. O primeiro deles, construído pela iniciativa privada e doado ao Estado, começou a funcionar neste sábado (25), no Leblon (foto), inicialmente com 30 dos 200 leitos previstos.

Na luta para abrir novos leitos do SUS, especialmente na capital, onde se concentram 65% dos doentes, a Prefeitura do Rio anunciou que no dia 1º será inaugurado o hospital de campanha construído no Riocentro. A obra foi concluída na semana passada, mas ainda faltava a chegada dos equipamentos necessários, vindos da China, e também a contratação da equipe de médicos e demais profissionais de saúde.
Já a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que vai disponibilizar mais 1,8 mil leitos em outras oito hospitais de campanha e uma modular, em Nova Iguaçu que serão abertos em maio, na capital, Região Metropolitana e interior. O próximo a ser inaugurado deverá ser o do Maracanã, que terá 400 leitos, 80 deles de UTI, nos primeiros dias do próximo mês. Somente no município do Rio, 378 pacientes estão internadas por Covid-19, ocupando 92% dos leitos de enfermaria e 94% dos leitos de UTI.
Trabalhamos para aumentar nossa capacidade de atendimento no estado e, em meio a essa crise, foi fundamental contar com o apoio da iniciativa privada. A abertura dos hospitais de campanha vai nos possibilitar diminuir a pressão no nosso sistema de saúde, salvar vidas e, no futuro, permitir que possamos retomar as atividades que hoje estão suspensas”, afirmou o governador Wilson Witzel, que se recupera da Covid-19, junto com a mulher, Helena.

Também infectado, o secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, confirma que a inauguração do hospital de campanha do Leblon é fundamental e ocorre no momento em que as taxas de ocupação na rede estadual crescem rapidamente. “Ao longo do próximo mês, outras unidades de campanha serão inauguradas pelo estado”, afirmou.

Até o momento, a secretaria abriu 551 novos leitos exclusivos para tratamento de pacientes suspeitos ou confirmados da Covid em todo o estado. Desse total, 266 são UTIs e 285 enfermarias. Além dessas unidades destinadas, há ainda 137 leitos para o tratamento da Covid em áreas isoladas de outras unidades estaduais.

Erguido em 19 dias, hospital gera 1.000 empregos por 4 meses

O Hospital de Campanha Lagoa-Barra vai contar com 200 leitos, 100 deles de UTI, que serão abertos ao longo das próximas semanas. Inicialmente serão oferecidos 30 leitos, sendo 20 de enfermaria e 10 de UTI, para pacientes do SUS infectados pela Covid-19. Na noite de sábado, esses pacientes já começaram a chegar. Mas é preciso esclarecer que este não é um hospital de portas abertas: os pacientes devem ser transferidos de outras unidades por meio da Central Estadual de Regulação, operada pela SES.

A unidade foi erguida em apenas 19 dias, ao lado do 23º BPM, no Leblon, na Zona Sul do Rio, e funcionará por quatro meses. Construído e operado pela Rede D’Or, conta com investimento de R$ 45 milhões da Bradesco Seguros, Lojas Americanas, Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) e Banco Safra. A unidade contará com tomografia digital, radiologia convencional, aparelhos de ultrassom e ecocardiograma e laboratório de patologia clínica.

Werner Scheinpflug, diretor do hospital de campanha, explicou que metade dos profissionais de saúde que atuarão na unidade são da Rede D’Or, mas também estão contratando profissionais. “Junto à contratação de profissionais e apoio, higiene e segurança, ultrapassamos a geração de mil empregos”, explicou.

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Hospital de campanha do Riocentro aguarda equipamentos da China

Com data de abertura em 1º de maio, o Hospital de Campanha da Prefeitura, no Riocentro, entrará em funcionamento quando o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, referência para casos do novo coronavírus, chegar a 70% de ocupação da meta de 381 leitos. Com as obras de engenharia civil, instalação elétrica, hidráulica, de rede de esgoto e de ar condicionado concluídas no dia 19, a unidade também conta com todas as divisórias e camas.

A unidade ocupa 16,5 mil metros quadrados de pavilhão e 13 mil metros quadrados de área construída. São 500 leitos destinados a pacientes com o novo Coronavírus, sendo 400 de clínica médica e 100 de UTIs, dentre os quais 15 com recursos para hemodiálise.  O hospital tem também um centro cirúrgico em uma área de 500 metros quadrados, com aparelhos de autoclave e termodesinfectador. Há ainda três salas para procedimentos, além de um centro de imagens com tomógrafo e raio-x digital. O CTI, o centro de imagens e o centro cirúrgico têm instalações de ar-condicionado independentes.

Agora o hospital aguarda a chegada de equipamentos médicos destinados a pacientes com a Covid-19. O prefeito Marcelo Crivella informou que um voo da Vale vai trazer da China na semana que vem 200 respiradores e 40 monitores. Em outros voos deverão chegar mais 300 respiradores, 70 carrinhos de anestesia, 400 monitores e um milhão de EPIs, entre máscaras e outros itens de proteção para os profissionais dos hospitais.  A prefeitura está recorrendo mais uma vez à Justiça para obter o arresto dos 80 respiradores comprados em São Paulo.

No material procedente da China – comprado antes da pandemia e que já havia chegado em março –, está um tomógrafo de 128 canais, com imagem de alta definição, que vai ampliar a precisão do diagnóstico da doença. O aparelho custou U$ 950 mil e deverá realizar, em média, 1.200 exames por mês. Além disso, já chegaram ao hospital duas autoclaves, com capacidade para esterilização de 100 litros de instrumentos médicos, e duas termodesinfectadoras – para esterilização de materiais hospitalares.

 

Com Ascom SES-RJ, SMS, Agência Saúde e Agência Brasil