Primeiros passos para largar de vez o cigarro

Rosayne Macedo

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Mais do que uma agradável sensação, um risco mortal. A cada tragada, o fumante inala mais de 4.700 substâncias além da nicotina, como o monóxido de carbono, alcaloides do alcatrão, aldeídos, metais pesados, nitrosaminas, elementos radioativos e outros agentes altamente tóxicos, sendo alguns desses componentes causadores de câncer.  Essas substâncias provocam alterações no sangue, bioquímicas e hormonais que alteram a fisiologia normal do organismo, de acordo com o Manual de Prevenção Cardiovascular da Sociedade de Cardiologia do Rio de Janeiro (Socerj) lançado no início de maio.

Para alertar sobre as mortes evitáveis causadas pelo tabagismo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lembra todo dia 31 de maio do Dia Mundial sem Tabaco. De acordo com especialistas, o tabaco é a principal causa de morte evitável no mundo, já que pode ser responsável por casos de câncer e doenças do coração. A  aproveita a data para estimular o fim da dependência ao cigarro. O tabagismo é um fator de risco importante para  doenças respiratórias e do sistema cardiovascular, além dos cânceres de pulmão e de garganta.

Infartos, derrames e acidentes vasculares cerebrais (AVC) são doenças cardiovasculares frequentemente associadas ao tabaco. Com relação às doenças respiratórias, as mais recorrentes são enfisemas pulmonares, bronquite, infecções respiratórias, e até embolia pulmonar. O cigarro envolve não apenas a dependência química, mas a psicológica também, como afirma o médico pneumologista Sérgio Pontes, da Aliança Instituto de Oncologia. “Além destes sistemas, o tabagismo pode ser o motivador de depressão, ansiedade e outras dependências químicas, como o alcoolismo”, enumera.

Os malefícios do tabaco não são notados apenas a longo prazo, algumas alterações no organismo podem ser percebidas no cotidiano de quem fuma. “As decorrências podem aparecer imediatamente com o aumento da pressão arterial, alterações de glicemia, mudanças no olfato e no paladar, na textura da pele, queda de cabelos”, explica. O paciente que está iniciando o tabagismo se queixa muito da tosse, causada pela fumaça e pelas substancias toxicas, segundo o médico. “Além da tosse surge também a falta de ar, a sensação de aperto no peito e o chiado”, descreve.

Primeiros passos para largar de vez o cigarro

Para o presidente da Socerj, Ricardo Mourilhe, uma das formas mais eficazes de prevenir doenças cardiovasculares e canceres é não fumar. “Os benefícios após a cessação do tabagismo são muitos e aumentam conforme o tempo sem fumar. Por exemplo, entre cinco a dez anos sem fumar, o risco de sofrer um infarto se iguala ao risco de um não fumante”, afirma.

Para aqueles que desejam parar de fumar, o recomendado é procurar ajuda médica. Além da avaliação médica e exames complementares, o profissional deve orientar sobre os possíveis métodos de cessação e avaliar a necessidade de medicamentos e/ou terapia.

– Estar motivado a sair do vício. Não adianta a família mobilizar médicos e/ou investir se o paciente não estiver realmente determinado a parar de fumar;

– Diminuir gradativamente o número de cigarros;

– Evitar carregar o maço ou a carteira de cigarro;

– Evitar deixar cinzeiros em casa;

– Evitar qualquer substância que possa estimular o fumo, tais como café e bebida alcoólica;

– Durante a motivação, falar para as pessoas próximas que está tentando parar de fumar, afim de ajudar no policiamento e no controle.

Estatísticas

– A epidemia global do tabagismo mata quase 6 milhões de pessoas por ano. Nesta conta, mais de 600 mil são fumantes passivos (pessoas que não fumam, mas convivem com fumantes).

– Estão previstas mais de 8 milhões de mortes por ano a partir de 2030, segundo estudo da OMS e do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos.

– Em 25 anos, o percentual de pessoas que fumam no Brasil caiu de 29% para 12%. Mas o país ainda é o 8º no ranking mundial de fumantes.

– Ao todo, quase 20 milhões de brasileiros são viciados em nicotina, sendo 7,1 milhões de mulheres e 11,1 milhões de homens, segundo pesquisa publicada na revista científica The Lancet (abril/2017).

– De acordo com pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, o Rio de Janeiro está entre as cidades com um dos maiores índices de fumantes entre homens: 8%.

Veja meu depoimento aqui no blog – Me livrei do vício que me aprisionava

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