Quem deve ser prioridade na fila da vacinação contra a Covid-19 no Brasil?

Imagem de Wilfried Pohnke por Pixabay

Após o Governo de São Paulo anunciar, na última quarta-feira (24/3), que começará a vacinar agentes de segurança pública contra a Covid-19 a partir de 5 de abril e um contingente de 350 mil professores com mais de 47 anos a partir de 12 de abril, outros estados afirmaram que esses grupos começarão a ser contemplados em seus planos de vacinação.

O Espírito Santo prometeu começar a imunizar as duas categorias profissionais em 15 de abril. Em Goiás forças policiais e de salvamento terão direito a 5% do estoque de vacinas encaminhado ao Estado pelo Ministério da Saúde. No Distrito Federal, não foi estabelecida data, mas o governador Ibaneis Rocha (MDB) afirmou que professores serão incluídos na próxima etapa de vacinação. No Paraná, a expectativa é vacinar educadores até maio.

Esses estados pretendem começar a vacinar esses grupos específicos provavelmente antes de conseguir concluir a vacinação de idosos, considerados a faixa etária sob maior risco de desenvolver quadros graves e fatais da covid-19.

No momento, o Brasil é o país do mundo que tem contabilizado o maior número de casos diários confirmados do coronavírus, tendo superado os Estados Unidos. Só na quinta-feira (25/3), segundo o Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass), foram registrados 100.736 novos casos da doença, um recorde. Neste sábado (27/3), foram mais quase 86 mil novos casos.

Como não há dados nacionais com a idade dos infectados, é difícil saber se as infecções têm crescido mais em um ou outro grupo populacional, por exemplo. Em nota técnica de resposta, o ministério listou as categorias prioritárias e afirmou que, “considerando que alguns grupos prioritários possuem grande volume populacional, faz-se necessário prever prioridades dentro desses estratos populacionais (‘prioridade dentro da prioridade’)”.

Estados e municípios, porém, têm tido flexibilidade para ajustar a vacinação conforme a disponibilidade de doses e as necessidades locais.

No início de março, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, chegou a comemorar a inclusão de professores entre os grupos prioritários, mas até agora isso não foi determinado pelo Ministério da Saúde. Na Câmara, ao menos dois projetos de lei em tramitação pedem a inclusão de professores entre os prioritários.

O Plano Nacional de Operacionalização de Vacinação contra a covid-19, feito pelo governo federal, elencou os seguintes grupos, nesta ordem, como prioritários à vacina:

– pessoas com 60 anos ou mais e pessoas com deficiência institucionalizadas;

– povos indígenas vivendo em terras indígenas;

– trabalhadores de saúde;

– pessoas de 75 anos ou mais;

– povos e comunidades tradicionais ribeirinhas e quilombolas;

– pessoas de 60 a 74 anos;

– pessoas com comorbidades;

– pessoas com deficiência permanente grave;

– pessoas em situação de rua;

– população privada de liberdade e funcionários do sistema carcerário;

– trabalhadores da educação do ensino básico (creche, pré-escolas, ensino fundamental, ensino médio, profissionalizantes e EJA);

– trabalhadores do ensino superior;

– forças de segurança e salvamento;

– Forças Armadas;

– trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros, metroviário e ferroviário, aéreo e aquaviário;

– caminhoneiros;

– trabalhadores portuários e industriais.

A lista do Ministério da Saúde segue as recomendações da Organização Mundial da Saúde, que orienta que “quando os suprimentos de vacina estão severamente reduzidos, (…) justifica-se um foco na redução direta da morbidade e mortalidade e na manutenção dos serviços mais essenciais, ao mesmo tempo em que considerando-se reciprocidade a grupos colocados sob riscos desproporcionais (como trabalhadores da saúde).”

À medida que mais doses chegarem, “a estratégia se expande para reduzir a transmissão para conter as perturbações às atividades socioeconômicas.” Mas a OMS faz a ressalva de que deve-se priorizar, também, locais “com alta transmissão ou onde se antecipa que haverá alta transmissão”.

Fonte: BBC Brasil

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