Professor precisa estar bem para ensinar os alunos

É preciso focar no bem-estar do professor para melhorar a aprendizagem dos alunos, diz especialista. Brasil lidera o ranking de agressões contra docentes

“Vou dar uma advertência no meio da sua cara”. “Vou botar fogo em você se passar mais tarefa”. Estas são frases reais, ditas por adolescentes reais, em salas de aula reais e que provocam reflexões sobre a violência contra professores em todo o Brasil. Elas são apenas uma amostra do desrespeito ao professor e contribuem para índices cada vez maiores de abandono da profissão. Este cenário coloca o Brasil na lanterna do ranking de países que valorizam os professores.

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil lidera o ranking de agressões contra docentes.  A pesquisa mostrou que 12,5% dos educadores do país afirmam ter sofrido algum tipo de agressão no ambiente escolar. Na maior capital do país, São Paulo, um levantamento feito pela GloboNews apontou que o número de agressões a professores cresceu 73% em 2018, se comparado ao ano anterior. Como reflexo, apenas 2,4% dos jovens no Brasil querem ser professores, segundo o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), divulgado em 2017.

Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, é uma oportunidade de refletir sobre a realidade e o desenvolvimento do profissional disseminador de conhecimento. A profissão é considerada a mais numerosa no Brasil, segundo dados da pesquisa Profissão Professor 2019 realizada pela organização Todos pela Educação. No entanto, o país está em último lugar no ranking de valorização de professores no levantamento feito este ano com 35 países pela Varkey Foundation.

Para Eduardo Calbucci, educador e fundador do Programa Semente – programa estruturado de aprendizagem socioemocional –, o número revela o reflexo de uma sociedade violenta dentro da escola. “Quanto mais as pessoas se dispõem a resolver conflitos por meio da violência e agressividade na sociedade em geral, mais isso se torna um aprendizado ruim para crianças e jovens, e acaba sendo levado para o ambiente escolar”, afirma. “Uma das maneiras de combater essa violência é, justamente, por meio da educação”.

Calbucci explica que trabalhar o bem-estar do professor é uma das maneiras de melhorar o convívio nas instituições de ensino, resultando na melhor aprendizagem dos alunos e, consequentemente, na redução da violência. “Nós precisamos que todos os elos na escola tenham laços com as competências socioemocionais, o que significa não só fazer o professor ensinar essas habilidades ao aluno, mas também focar no bem-estar do professor, pois o aluno sai ganhando também”, diz o educador.

O especialista aponta que a aprendizagem socioemocional voltada para educadores é uma forma de prepará-lo previamente para a resolução de conflitos e adversidades que surgem no dia a dia dentro da sala de aula. “Cursos como os da CoreSkills [plataforma de aprendizagem socioemocional para educadores, criado pelo Programa Semente] permitem que o professor adquira competências que o tornem mais consciente das suas habilidades, passando a ter uma capacidade maior de enfrentar diferentes situações”, conta.

Vale ressaltar que a aprendizagem socioemocional é apenas uma ferramenta para ajudar a diminuir os problemas enfrentados pelos professores brasileiros, que têm ainda que lidar com a desvalorização e a baixa remuneração, situações que estão fora de seu controle.  Eduardo Calbucci esclarece que o ensino socioemocional auxilia o educador a se empenhar naquilo que está sob seu controle, como as práticas pedagógicas e o relacionamento com seus alunos. “Há uma série de outros problemas que não é possível resolver com aprendizagem socioemocional, mas com ela nós estamos olhando para um aspecto do problema e dizendo que, nesse aspecto especificamente, temos uma ferramenta que pode melhorar o bem-estar e a prática pedagógica”.

Conscientizar os professores de suas próprias habilidades vem sendo um trabalho fundamental no meio educacional, mostrando seu novo papel na sociedade. “Os professores estão entendendo que a função deles na escola vai além dos conteúdos programáticos tradicionais (que continuam tendo a mesma importância), e cada um está adquirindo consciência de como as próprias questões socioemocionais, se discutidas de modo estruturado, passam a ter um impacto decisivo na aprendizagem do aluno e no desenvolvimento pessoal e profissional do professor”, conclui.

Campanha Heróis da Educação

Para reverter esta realidade e fomentar a valorização dos professores, a Unicesumar criou a campanha ”Heróis da Educação” e está oferecendo cinco diferentes cursos livres gratuitos, além de bolsas de até 50% em cursos de graduação e pós-graduação para professores. A partir desta terça-feira (15) e até o dia 30 de outubro, qualquer professor poderá fazer sua inscrição por meio do site heroisdaeducacao.com.br.

O público-alvo da campanha são os atuais e futuros professores, mas seu objetivo é o de provocar uma reflexão em toda a sociedade sobre a desvalorização desses profissionais. “Como instituição de ensino e formadora de professores, entendemos ser essencial disponibilizar opções que estimulem a capacitação e a permanência nesta nobre profissão. Afinal, são eles os responsáveis por formar todos os profissionais do futuro e, sendo assim, merecem todo o respeito”, explica Janes Fidélis Tomelin, pró-reitor de Educação a Distância da Unicesumar.

Os cursos livres ofertados gratuitamente são “Adolescência e suas características psicossociais”, “Afetividade no ambiente escolar e familiar”, “Libras”, “Neurodidática” e “O Pedagogo e suas competências”. Todos possuem 40 horas aulas e são certificados pela Unicesumar.

Com Assessorias

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