Qual o colchão mais adequado para evitar dor nas costas?

Muitos brasileiros vivem diariamente o drama do jogador Marcelo, que deixou o campo no jogo do Brasil contra a Sérvia por conta de dores causadas pelo colchão do hotel

Redação
marcelo-dor-nas-costas2 Durante o jogo Brasi x Sérvia, Marcelo saiu de campo com dor nas costas (Foto: Alexander Nemenov/STF)

A gente passa um terço da vida dormindo, mas nem sempre dá tanto valor a um bom colchão. E foi por conta de um colchão inadequado no hotel em que a Seleção Brasileira estava hospedada que o lateral-esquerdo Marcelo teve que deixar o campo no início do jogo do Brasil contra a Sérvia, na última quarta-feira (27) – para desespero dos torcedores. O camisa 12 – que ficou de fora da escalação para o jogo desta segunda-feira (2) contra o México pelas oitavas de final da Copa do Mundo da Rússia – apresentava claros sinais de dor aguda nas costas e logo saiu da partida aparentando bastante desconforto na lombar.

O drama do jogador é o mesmo de muitos brasileiros que sofrem com dores nas costas, muitas vezes, após uma noite de sono mal dormida, num colchão que não é lá muito apropriado. De acordo com o ortopedista do Instituto Vita, especializado em coluna, Alexandre Sadao, muitos pacientes com dor lombar têm preocupação em relação ao colchão em que dorme.

Sejam eles mais firmes ou moles, são poucos os estudos que mostram correlação entre eles e a dor lombar. O importante mesmo é o material ser de boa qualidade, seja ele de mola ou de espuma, diz o especialista. “Aparentemente, os colchões chamados de intermediários performam melhor, causando menos dor. No entanto, o termo intermediário é um espectro muito grande de maciez e pode não ser claramente determinado”, explica.

O ortopedista ainda recomenda: “Se há um determinado padrão de maciez ao qual ele já esteja acostumado, é mais indicado que a pessoa compre algo similar, ao invés de trocar de repente por um colchão muito mais firme ou muito mais macio”.

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Falta de sono reduz capacidade aeróbica

De acordo com o professor PhD de neurosciência da UC Berkeley, Matthew Walker, o sono é a fundação da saúde e bem estar. Em seu livro, Why We Sleep, Walker diz que a falta de sono reduz a capacidade aeróbica, aumenta o acúmulo de ácido láctico e faz com que uma pessoa chegue à exaustão de 10 a 30% mais rápido. Apesar desta importância, consumidores se preocupam muito pouco com o colchão em que dormem ou com a relação entre uma boa noite de sono e a saúde.

Conforme estudo realizado pela Zissou, 90% dos entrevistados não souberam dizer a marca e composição de seus colchões, além de não recordarem onde adquiriam seus produtos. “Fizemos workshops e pesquisas para entendermos a relação das pessoas com o sono, e pudemos perceber que, no geral, as pessoas têm menos consciência do impacto que o sono causa na saúde e no bem-estar”, detalha Andreas Burmeister, um dos idealizadores da empresa.

A pesquisa também identificou quais as preferências que os consumidores esperam de um colchão: “Os brasileiros esperam quatro pontos de um colchão: que ele tenha um determinado nível de conforto, que dê suporte para as costas, que não esquente e não tenha movimento – ou seja, que uma pessoa deitada não sinta o impacto da movimentação da outra”, ilustra Amit Eisler, co-fundador da Zissou.

Maioria das pessoas já teve dor nas costas

Embora a dor possa ser extremamente incapacitante, a crise de dor nas costas não é grave na imensa maioria das vezes, garante o médico. “Na verdade, estima-se que a maior parte das pessoas, cerca de 80%, terá, em algum momento de sua vida, uma crise de dor nas costas que a afastará do trabalho ou de suas atividades por pelo menos um dia. Por mais intenso que o desconforto seja, ele tem uma evolução ‘benigna’ que passa, normalmente, em até três semanas”, explica Alexandre Sadao.

No entanto, segundo ele, em determinados casos pode haver gravidade relacionada a uma crise de dor lombar, especialmente quando há sinais associados de compressão da medula e de suas raízes, o que clinicamente se apresenta para o atleta/esportista como um predomínio de dor que se irradia para as pernas, causando formigamento, queimação ou amortecimento. Em situações extremas, o problema pode acarretar ainda perda de força, e, até mesmo, ausência do controle sobre urina e fezes.

Na população em geral, segundo a literatura médica, duas ações eficazes podem diminuir a incidência de dor lombar e de crises nas costas. “A atividade física regular, de três a cinco vezes por semana, e o controle do estresse e da ansiedade são medidas preventivas importantes e possuem um impacto comprovadamente positivo na diminuição de dor lombar e cervical na população”, aconselha Sadao.

Tratamentos consistem em aliviar a dor

Na fase aguda de dor, o tratamento, geralmente, é realizado com medicações analgésicas e, além disso, são também utilizadas algumas técnicas manipulativas, que podem ser usadas pela equipe de fisioterapia, de forma a aliviar a crise de dor e permitir o retorno na mobilidade normal do atleta. Geralmente não se consegue identificar a causa específica da origem do desconforto.

“Ele pode estar relacionado a um único movimento (ou uma sequência deles) com sobrecarga muscular ou de esforço, e pode estar associado, ainda, à presença de um estresse físico e mental importante na fase de aparecimento da crise. Mesmo que a causa do problema não seja totalmente identificada, isso não interfere muito no tratamento da crise, que consiste basicamente em aliviar a dor e esperar o corpo responder ao desaparecimento do espasmo muscular”, afirma o médico.

No caso específico do jogador Marcelo, as informações disponibilizadas pela equipe médica parecem mostrar um quadro de dor sem compressões neurais. “Isso significa que, provavelmente, o atleta poderá estar apto sim para retornar a campo em breve, se não houver, claro, associada à crise uma lesão muscular, como poderia acontecer na coxa do atleta, por exemplo, ou alguma lesão no disco intervertebral”, destaca o especialista.

Colchão de luxo para evitar dor nas costas

Na dúvida, para o jogo desta segunda-feira, contra o México, Marcelo deverá ter passado a noite em outro colchão, presente em redes hoteleiras de luxo, como o Fasano, e enviado especialmente para a Rússia. Idealizado com tecnologia americana ‘bed in a box’, o colchão Zissou é embalado a vácuo e prensado com uma chapa de 60 toneladas. Depois, é submetido a uma máquina, que o enrola para caber na caixa. “Graças à sua composição, este processo preserva o produto, que retorna ao seu tamanho normal em duas horas após a abertura”, explica Ilan Vasserman, sócio-fundador da empresa.

O colchão é armazenado em uma caixa compacta retangular, o que permite seu transporte com facilidade, reduzindo custos logísticos. Para chegar até o atleta, o engenheiro de produtos da Zissou levou o produto com o grupo ‘Segue o Hexa’, formado por nove brasileiros que viajaram na útima quinta-feira (28) para a Rússia a bordo de um motorhome, veículo que simula uma casa ambulante.

Da Redação, com Assessorias (atualizado dia 02/07/2018 às 10h)

 

 

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