Quando o medo prevalece: como lidar com a ansiedade

Rosayne Macedo
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Natal, Réveillon, férias, Carnaval… Chega! Já estamos quase em março e é mais do que hora de focar no futuro! 2018 realmente chegou. E aí vem a ansiedade a todo vapor, especialmente para pessoas que já têm a propensão. Medo de errar, de sofrer, de não ser aprovado no processo seletivo, de ficar desempregado, da violência, de avião, de ser abandonado e criticado… É esta a sensação de quem sofre de ansiedade patológica, um problema cada vez mais crescente, já “debitado na conta” dos efeitos da chamada “vida moderna”, que têm trazido prejuízos à saúde da população em todo o mundo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que 264 milhões de pessoas sofrem de transtorno de ansiedade, uma média de 3,6%. O número representa uma alta de 15% em comparação a 2005. O Brasil é o país com maior taxa de pessoas com esse problema, que já atinge 9,3% da população, totalizando 18,6 milhões de brasileiros. Segundo dados do INSS, a ansiedade é a segunda causa de afastamento do trabalho no Brasil, considerando a categoria de transtorno mental e comportamental. Dados da Secretaria de Previdência mostram que as concessões de auxílio-doença por transtornos de ansiedade cresceram 17% em quatro anos. Neste período, as despesas com o benefício à União foram de R$ 1,3 bilhão.

De acordo com a  a psicanalista e Mestre em Psicologia Rita Martins, toda situação a ser vivida é precedida de expectativa. O problema está na preocupação excessiva e desproporcional a ponto de prejudicar a execução das tarefas do dia a dia. “A ansiedade está relacionada a um sentimento de que no futuro, algo negativo ou perigoso irá acontecer, mas o medo é agora, no momento presente”, explica. De acordo com Rita Martins, a situação atual do país só agrava estes sentimentos, pois há um desamparo em todas as esferas.
“O anseio por renovação, seja no lado pessoal ou profissional, comum no início do ano (principalmente depois que passa o Carnaval) pode desencadear a sensação de preocupação excessiva, desconforto e angústia, podendo se tornar prejudicial à pessoa”, afirma o professor Mario Louzã, médico psiquiatra e psicanalista, doutor em Medicina pela Universidade de Würzburg, Alemanha.
Como prevenir e tratar o problema
Segundo ele, pessoas muito ansiosas têm a tendência de pensar em muitas coisas ao mesmo tempo, e querer fazer várias atividades simultaneamente.  Com isso, se “atropelam” e não conseguem ser produtivas, o que gera mais ansiedade, criando um círculo vicioso de ansiedade e improdutividade. “Tentar resolver diversos problemas no mesmo dia é um chamariz para a ansiedade. O ideal  é organizar suas tarefas e atividades. Tenha uma agenda e registre o que precisa ser feito em cada dia. Priorize o que for mais importante. E evite marcar vários compromissos no mesmo dia para evitar o estresse e a ansiedade”, recomenda.

Mas se a  sua ansiedade estiver tão forte a ponto de interferir na sua vida social e profissional, é hora de buscar ajuda médica. O tratamento do transtorno envolve o uso de medicações para redução da ansiedade e psicoterapia. Os medicamentos mais indicados são os antidepressivos inibidores seletivos de receptação da serotonina, eventualmente associados aos ansiolíticos, os quais são usados por prazo limitado. Já a psicoterapia ajuda o paciente a lidar melhor com as situações que potencialmente podem trazer/aumentar a ansiedade. “Cuide primeiro da sua saúde. Só assim você conseguirá concretizar suas metas e se renovar em 2018!”, afirma o especialista.

Para tratar o problema, pode ser recomendado também um tratamento com psicanalista que trabalhe com a técnica da hipnose. “É fundamental descobrir a origem da ansiedade, não só o gatilho. Sessões de psicanálise com hipnose apresentam ótimos resultados. A hipnose proporciona o relaxamento e também alivia as pressões mentais e emocionais. Essa técnica é capaz de trabalhar os bloqueios, já que a pessoa libera angústias e medos, tudo o que lhe sufoca, com a certeza de que não haverá julgamento”, ressalta Rita, que também é professora da faculdade Facha, no Rio de Janeiro.

Da Redação, com assessorias