Pandemia causa queda de 50% nos casos de AVC e infarto

Redação

Dados da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista apontam a queda de 50% no atendimento aos pacientes com doenças do coração. Com a pandemia de COVID-19 e a necessidade do isolamento social há indícios de que as pessoas estão evitando sair para buscar atendimento médico. Para casos como o acidente vascular cerebral (AVC), infarto agudo do miocárdio (IAM) e trombose venosa profunda (TVP), no entanto, procurar ajuda imediata é fundamental para minimizar o risco de morte ou de sequelas.

Manter o tratamento prescrito pelo profissional de saúde também é imprescindível para prevenir problemas cardiovasculares. Um dos exemplos é o AVC em pacientes com fibrilação atrial. A doença se caracteriza por batimentos irregulares do coração que tornam o paciente mais favorável à formação de coágulos sanguíneos, que podem se deslocar até o cérebro causando o popularmente conhecido derrame. Ter a doença controlada pode prevenir, ainda, o desenvolvimento de um quadro mais grave de COVID-19, em uma eventual contaminação, pois pacientes com alterações cardiovasculares já apresentam um estado de inflamação latente e crônico, o que agrava a evolução da doença.

Além do AVC, o infarto e a trombose também podem ser fatais sem o atendimento rápido. O IAM é a principal causa de morte no país e caracteriza-se pela instabilização de placas latentes de gordura nas artérias do coração, com a formação, na fase aguda, de coágulo sobre a placa, que bloqueia a irrigação de parte do tecido cardíaco.

Um outro sinal de alerta, que reforça a importância de seguir com a medicação indicada pelo médico é o fato de que especialistas têm percebido que o novo coronavírus pode causar alterações neurológicas e provocar a formação de microcoágulos nos vasos sanguíneos. Há relatos, inclusive, de pessoas jovens e saudáveis que tiveram AVC e, depois, o diagnóstico de COVID-19. A relação tem mudado o protocolo de atendimento em alguns hospitais, encorajando a testagem para o novo coronavírus em pacientes que chegam com sintomas de AVC.

Sheila Martins – Presidente da Rede brasil AVC e Vice presidente da organização mundial de AVC, e Agnaldo Pispico – Cardiologista intencivista e coordenador dos cursos de cardiologia da AHA (American Heart Association) e Socesp

In the news
Leia Mais