Queda nos estoques de banco de leite chega a 60% com pandemia

Além de alimentar crianças prematuras, leite materno ajuda a diminuir o risco de doenças, como diabetes e obesidade. Campanha estimula doação de leite

Redação

A fase da amamentação é de extrema importância nos primeiros meses de vida do bebê. Além dos benefícios ao sistema imunológico, o aleitamento é responsável pela criação do vínculo entre mãe e filho, estabelecido através desse contato. Porém, muitas crianças não conseguem se alimentar diretamente no seio materno ou as mães não têm leite suficiente. O leite materno é fornecido a crianças prematuras internadas, que não podem ser amamentadas. Além de alimentar crianças, ajuda a diminuir o risco de doenças, como diabetes e obesidade.

Desde o início da pandemia de coronavírus, os estoques dos bancos de leite das maternidades estão reduzidos e nem todos conseguem receber o reforço com regularidade. O  Ministério da Saúde informou que de janeiro a abril o número de mulheres que se dispuseram a contribuir caiu de 61 mil para 58 mil, uma queda de 5%. Em alguns estados, como São Paulo, a queda chega a 50%, suficiente para abastecer o banco por apenas três dias. No Rio de Janeiro, a maternidade Leila Diniz, que recebe em torno de 35 a 40 litros por mês, teve uma redução de 25% em abril. Cada pote de 300 ml pode alimentar até 10 recém-nascidos.

Nestes tempos de pandemia do novo coronavírus, muitas gestantes se mostram preocupadas com a possibilidade de contaminação. “Foi uma fase angustiante e apreensiva. Mas eu sabia que a minha filha estava bem cuidada e alimentada graças à ajuda de outras mães que doaram seu leite para o Banco de Leite Humano”, afirma Cláudia Sampaio, mãe da Valentina, protagonista da nova campanha do Ministério da Saúde para incentivar a doação de leite materno.

Toda mulher pode doar, mas diante da pandemia, o Ministério da Saúde colocou algumas restrições nas orientações. “A doação deve ser evitada se tiver sintoma de gripe ou morar com alguém que apresente sintomas”, explicou a secretária substituta de Atenção Primária à Saúde, Daniela Ribeiro.

Em comemoração ao Dia Mundial de Doação de Leite Humano (19/5), a Rede Global de Bancos de Leite Humano (rBLH) está promovendo uma série de atividades virtuais (webconferências e mídias sociais) em todo o país. O objetivo é mobilizar a todos para o enfrentamento da Covid-19 a favor da doação de leite humano, levando mensagens de esclarecimento, de segurança para as mães e para profissionais de saúde, além da enfatizar a importância da continuidade da amamentação nos dias atuais.

O Brasil possui a maior e mais complexa rede do mundo, sendo referência internacional por utilizar estratégias que aliam baixo custo e alta tecnologia. A RBLH é uma iniciativa do Ministério da Saúde, por meio do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). São 224 Bancos de Leite Humano e, ainda, 217 postos de coleta, além da coleta domiciliar em alguns estados. As possíveis doadoras podem obter mais informações pelo site saude.gov.br/doacaodeleite ou pelo telefone 136.

Vírus não pode ser transmitido pelo leite materno

De acordo com a coordenadora de enfermagem da Perinatal e especialista em amamentação, Graziela Abdalla, ainda não existem estudos que apontem a transmissibilidade do vírus por meio do aleitamento materno e que medidas protetivas são importantes durante a quarentena. “É importante higienizar as mãos antes e depois da amamentação, ou ordenha. O uso de máscaras nesse momento também é um ponto positivo”, explica.

No caso das mães infectadas pela Covid-19, sem condições físicas para amamentar, ou que não se sintam a vontade, a recomendação é que realizem a ordenha e ofereça ao bebê em copinho ou colher, devidamente higienizados. ” O aleitamento traz mais benefícios que riscos, além de aumentar o amor”, explica Grazi. Para as mães, doadoras de leite, a profissional recomenda que continuem colaborando. “É importante que a doadora siga todos os protocolos de higiene recomendados. Lave bem as mãos e os utensílios utilizados na ordenha”, explica.

Segundo Graziella, nervosismo e tensão podem afetar a fabricação de leite, justamente por provocarem a produção da adrenalina, inibidor da ocitocina – hormônio responsável pela ejeção do leite materno. “É ideal que as mães se mantenham tranquilas. Sabemos que em situações fora da pandemia, o aleitamento é difícil para algumas mulheres, então uma dica importante é cuidarmos da mente”. Exercícios de meditação e atividades prazerosas podem ser benéficas para a lactante. “Tudo vai passar”, tranquiliza.

Doação é ato de amor e solidariedade

Neste Dia Mundial de Doação de Leite Humano (19 de maio), é lembrada a importância da sensibilização da sociedade sobre esse ato e solidariedade. Com a pandemia do coronavírus, a queda nas doações por todo o país tem preocupado os profissionais de saúde. Dessa maneira, a data que culminou de ser justamente neste período difícil para a população, tem o objetivo de estimular as mães que podem doar, além de promover debates e divulgar o trabalho essencial que os bancos de leite realizam em todo o Brasil.

De acordo com a enfermeira pediátrica e professora do curso de Enfermagem da Unoeste Stela Faccioli Ederli, este período de pandemia e de isolamento social realmente é um momento muito delicado para as lactantes e seus bebês, pois o medo da contaminação é geral e inevitável. “A maneira que temos de incentivar e tranquilizar as mães frente à doação de leite humano é garantindo que os bancos de leite sigam um controle rígido de qualidade na ordenha, coleta e processamento do leite doado. Além disso, a mulher que decidir tornar-se doadora não precisará sair de sua casa, pois os bancos de leite realizam a coleta domiciliar, atendendo aos critérios e recomendações da Rede Brasileira de Bancos de Leite e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária [Anvisa]”, explica.

A professora salienta ainda que é importante reforçar que até o momento os estudos mais recentes não indicam que o novo coronavírus possa ser transmitido pelo leite materno e todo o leite doado é submetido à pasteurização, assegurando a qualidade do produto. “Além disso, a doação de leite materno aos bancos de leite humano e postos de coleta é contraindicada para mulheres com sintomas compatíveis com síndrome gripal, infecção respiratória ou confirmação de caso da Covid-19”, fala.

Em Presidente Prudente (SP), o estoque atual está em 30 litros na sala de dispensação (entrega para os hospitais) e mais 30 litros na pasteurização em aguardo de análise físico-químico do Laboratório da Unoeste, já que todo o leite, além de pasteurizado, também recebe essa análise para garantir total qualidade ao consumo do recém-nascido.

Contamos, atualmente, com 60 doadoras. O número considerado ideal seria de 70 para manter a meta mínima padronizada de atendimento do município, que é atender 65% das solicitações feitas pelos hospitais. Se fosse para atendermos 100% da demanda, teríamos que ter de 100 a 120 doadoras por mês”, diz a enfermeira Adriana Trevizan Monteiro,  coordenadora do Banco de Leite Humano do município.

Sobre a importância da não interrupção das doações, mesmo neste período de pandemia, Adriana salienta que o objetivo do Banco de Leite Humano é principalmente a promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, priorizando sempre que os mais frágeis, como os bebês internados nas UTIs, prematuros ou com algum outro problema grave de saúde, receba o leite. “O leite materno é fundamental para o restabelecimento da imunidade e fortalecimento do organismo desses bebês como um todo, pois nenhum leite se compara ao materno”, finaliza..

Ministério da Saúde lança nova campanha de doação de leite

Campanha do Ministério da Saúde – No Dia Mundial de Doação de Leite Humano, o Ministério da Saúde lançou, nesta terça-feira (19), campanha para sensibilizar e mobilizar as doações de leite materno, mesmo durante a pandemia da Covid-19. O ministério alerta que com os cuidados necessários, tanto da doadora quanto dos Bancos de Leite, é possível manter a rotina de doação.

Com o slogan “Doe leite materno. Nessa corrente pela vida, cada gota faz a diferença”, a campanha tem o objetivo de estimular doações durante todo o ano.  Neste ano, diante do momento de emergência pública que o país enfrenta, até o momento, por conta do coronavírus, a orientação do Ministério da Saúde é que mulheres saudáveis continuem doando leite, mesmo que o pote não esteja cheio. Cada pote de leite humano pode ajudar até 10 recém-nascidos.

Clique para ver a apresentação em power point com informações e vídeo da campanha

Campanha no Rio – A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro inicia nesta terça-feira, dia 19/05, uma campanha para aumentar os estoques nos bancos de amamentação das unidades municipais. Para garantir a alimentação dos bebês internados nas maternidades municipais, os bancos de Leite Humano (BLH) da SMS são centros especializados e se abastecem a partir de doações de pacientes ou voluntárias externas, todas mulheres saudáveis com excesso de leite.

leite humano doado passa por um processo de pasteurização e todo controle de qualidade para ser utilizado pelos bebês internados nas unidades neonatais. Segundo dados do Ministério da Saúde, cada pote com 300 ml de leite humano é responsável por ajudar até 10 recém-nascidos por dia.

Recolhimento em casa

A Maternidade Leila Diniz faz o recolhimento em casa do leite humano de moradoras da Barra, Recreio e Jacarepaguá. Para isso, basta ligar para o telefone 3111-4930. Ana Paula Abreu, nutricionista chefe do banco de leite humano da Maternidade Leila Diniz explica a importância do leite humano para os bebê internados na UTIs neo-natal, dá dicas de como ser uma doadora.

Se você está amamentando é saudável e tem excesso de leite, você também pode ser uma doadora. Sabemos que no momento de pandemia é um pouco complicado, mas há maternidades municipais, como a Leila Diniz, que podem ir até a doadora recolher o leite“,  explica a nutricionista.

Se você deseja ser uma doadora de leite humano entre em contato com os bancos de leite da Secretaria Municipal de Saúde aqui.

Como doar?

As mães que quiserem doar para o Bando de Leite Humano de Presidente Prudente basta ligar no (18) 3229-1249, de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h. Os profissionais do local levarão o material esterilizado na residência da doadora e além do cadastro, oferecem orientações da ordenha e armazenamento do leite em casa. A mãe precisa estar saudável, não fumar, estar amamentando e ter leite excedente.

Dia Mundial de Doação de Leite

Neste dia 19 de maio, a Unoeste, em parceria com a Prefeitura de Presidente Prudente, distribuirá faixas de orientação e conscientização em três pontos específicos na cidade. Além disso, a universidade oferecerá em seu canal no Youtube uma live totalmente gratuita e aberta a toda a população, às 17h, com o tema “Os desafios da amamentação”, com a enfermeira Sarah Sumaia Dias, especializada em aleitamento materno, desmame gradual e gentil.

Assista ao filme da campanha de doação de leite 2020

POR QUE DOAR?

Bebês prematuros ou de baixo peso (menos de 2,5 kg) precisam do leite materno para se recuperarem mais rápido e crescerem mais fortes e saudáveis. Durante todo o ano de 2019, apenas 222 mil litros de leite humano foram coletados. Deste total, foram distribuídos 165 mil litros, beneficiando 214 mil recém-nascidos, a partir da doação de 188 mil mulheres. No entanto, no Brasil, por ano, cerca de 330 mil crianças nascem prematuras e precisam da doação de leite, já que permanecem sendo assistidas nos hospitais e maternidades. Os bebês prematuros representam, em média, 11% do total de crianças que nascem anualmente, em torno de 3 milhões.

RECONHECIMENTO

A experiência brasileira dos bancos de leite humano é reconhecida mundialmente. Neste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) conferiu o Prêmio Dr. Lee Jong-wook de Saúde Pública ao pesquisador brasileiro João Aprígio de Almeida pelo trabalho à frente da Rede Brasileira de Banco de Leite Humano. Trata-se de um dos mais importantes prêmios da área da saúde.

A rede brasileira é responsável por coletar e distribuir leite materno, com controle rigoroso, a recém-nascidos prematuros e de baixo peso. O leite materno tem tudo o que o bebê precisa até os seis meses de vida, protegendo-o contra doenças como diarreia, infecções respiratórias e alergias. Assim, é uma das mais importantes e efetivas estratégias para redução de mortes de bebês.

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Com Assessorias Ministério da Saúde, Prefeitura do Rio e Perinatal

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