‘Quero viver coisas simples como cruzar as pernas e não sofrer mais com chacotas’

Paciente número 2.500 de programa de cirurgia bariátrica pelo SUS vai passar o Natal e o Ano Novo com a certeza de uma vida totalmente diferente – e para melhor – em 2019

Redação
hospital carlos chagas - bariatrica - paciente 2500 - Marcelo Pesando 150 quilos, o assistente administrativo Marcelo Wagner Ribeiro, de 53 anos, foi o paciente 2.500 no Hospital Carlos Chagas (Foto: Divulgação/SES)

O assistente administrativo Marcelo Wagner Ribeiro, de 53 anos, vai passar, certamente, um Natal diferente, na expectativa de ver realmente sua vida mudar em 2019. Ele foi o paciente número 2.500 do Programa de Cirurgia Bariátrica do Estado do Rio de Janeiro a ser operado no Hospital Estadual Carlos Chagas. Um recorde mundial de operações para redução do estômago realizadas 100% por videolaparoscopia no sistema público de saúde.

De acordo com o Relatório Anual de Registro de Cirurgia Bariátrica, entre 2012 e 2017, foram realizadas 2.300 operações de combate à obesidade pelos serviços públicos do mundo todo. Por aqui, desde 2010, com o Programa de Cirurgia Bariátrica da Secretaria de Estado de Saúde, lançado em dezembro de 2010, já passaram moradores de todas as regiões do Rio de Janeiro.

Pesando 188,6kg, Marcelo procurou o programa depois que percebeu que não cabia no assento do cinema. Quando chegou a vez dele no tratamento de combate à obesidade oferecido gratuitamente pelo SUS, ainda precisava emagrecer antes de ser operado. Durante seis meses, seguindo as orientações da nutricionista e da psicóloga, Marcelo atingiu 150,2kg e, além de peso, está prestes a se livrar da diabetes e da hipertensão adquiridas em decorrência da obesidade.

Casado e pai de três filhos, a maior expectativa de Marcelo é por mudanças na qualidade de vida: não precisar mais se preocupar se vai ficar preso na roleta do ônibus, conseguir amarrar os sapatos, cruzar as pernas e diminuir o manequim de 70 para algo em torno de 46 e 44.

Passar na roleta do ônibus é o sonho da maioria dos obesos

Marcelo e o médico Cid Pitombo, no dia em que foi operado (Foto: Divulgação/SES)
Passar na roleta de um ônibus, aliás, é um ato diário simples para a maioria dos brasileiros. Mas para pessoas com obesidade mórbida pode representar incômodo e constrangimento. Marcelo, por exemplo, já precisou que sua mulher, então grávida, o empurrasse pela roleta para que ele pudesse passar.
“Esse episódio, assim como não encontrar cadeira no cinema ao ir assistir um filme com minha família, fez com que eu decidisse mudar. A atitude permitiu que eu chegasse até aqui, a poucas horas de realizar minha cirurgia bariátrica“, lembra Marcelo, que foi operado dia 28 de novembro de 2018.
“Costumo dizer que, primeiro, precisei fazer uma cirurgia na cabeça, para entender que precisava emagrecer. Com a ajuda dos profissionais do Programa, como nutricionista e psicólogos, perdi 36kg. Agora, quero viver coisas simples, como cruzar as pernas, sentar no cinema e não sofrer mais com chacotas. É o que espero”, disse logo após a cirurgia.

Médico afirma que taxa de sucesso é de 99%

O médico Cid Pitombo (à esquerda) coordena o programa estadual criado em 2010 (Foto: Divulgação/SES)
Coordenador do Programa, o médico Cid Pitombo, que é referência internacional, explica que a técnica traz diversos benefícios. Segundo ele, nenhum outro serviço de cirurgia bariátrica do SUS faz todas as cirurgias por videolaparoscopia, técnica menos invasiva, mais segura e que faz a recuperação do paciente ser mais ágil. A taxa de sucesso é de 99%.
Além de ser a mais moderna, é menos invasiva e mais rápida. A cirurgia é feita em cerca de 35 minutos e o paciente volta para casa em dois dias, sem necessidade de ficar no CTI no pós-operatório. Em cerca de 15 dias o operado pode voltar com a vida normal, caso o trabalho não exija esforço físico”, explica.
Há quase 25 anos, ao sair da faculdade, Pitombo foi para os Estados Unidos se especializar em cirurgia laparoscópica. Voltou ao Brasil cinco anos depois para aprender sobre cirurgias da obesidade e, ao final do mestrado e doutorado, rodou grandes centros de cirurgia bariátrica nos EUA. Logo percebeu que os conhecimentos sobre laparoscopia e obesidade eram uma área a ser explorada.
Juntou-se aos grandes nomes da cirurgia bariátrica, experimentou diferentes técnicas, operou e deu aulas em diversos países e se tornou referência no Brasil em cirurgia bariátrica por videolaparoscopia, técnica que utiliza em todas as unidades em que opera. O procedimento é menos invasivo e proporciona recuperação mais rápida do paciente.

Programa já atendeu 4 mil pessoas

O programa é o único no Brasil a realizar o procedimento exclusivamente por videolaparoscopia, procedimento menos invasivo. Atualmente, são realizadas cerca de 40 cirurgias e 160 atendimentos ambulatoriais por mês no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes. Entre consultas e cirurgias, já foram atendidas cerca de 4 mil pessoas.

Lançado em dezembro de 2010, em um cenário onde eram realizadas pelo SUS cerca de 20 cirurgias por ano, em média, o programa é, hoje, a mais importante unidade pública brasileira a realizar o procedimento por meio de videolaparoscopia, uma cirurgia minimamente invasiva e que traz menos riscos. São 40 operações de redução de estômago por mês, o que leva a cerca de 500 operações por ano.

O combate à obesidade no Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica é feito por uma equipe multiprofissional composta por médicos, enfermeiros, psicólogos e nutricionistas. Mais de quatro mil pacientes estão em acompanhamento pré e pós-operatório.

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Como se candidatar pelo SUS

Para se candidatar a uma cirurgia bariátrica no Sistema Único de Saúde do Estado do Rio, o paciente deve procurar atendimento ambulatorial em uma Clínica da Família próxima de sua residência para que um médico avalie a necessidade da cirurgia.
Se a operação for indicada, o médico solicita uma segunda avaliação para a Central Estadual de Regulação, que encaminha o pedido de forma online para o Programa de Cirurgia Bariátrica do dr. Cid Pitombo. As regras da fila são estipuladas pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Estado de Saúde.
O paciente é contatado e tem uma consulta de avaliação marcada. Antes da cirurgia, há um rigoroso programa de preparo obrigatório, com acompanhamento de uma equipe multidisciplinar (médico, enfermeiro, nutricionista e psicólogo). Nem todos os portadores de obesidade severa ou mórbida podem passar pelo procedimento.

Fonte: SES e Cid Pitombo

 

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