Nova técnica de radioterapia promete mais eficácia no câncer de próstata

No Dia do Radiologista, conheça a Braquiterapia com alta taxa de dose (HDR), que prevê menor número de sessões e menos efeitos colaterais

Redação

O mês de novembro tem um espaço especial no calendário médico, sendo marcado pela campanha de conscientização à população masculina para o diagnóstico e o tratamento precoces do tumor da próstata, segunda causa de morte oncológica em homens e primeiro tipo de câncer mais comum entre eles. Dados do Inca estimam que nesse ano (2020) o Brasil tenha cerca de 60 mil novos casos de câncer de próstata, com taxa de mortalidade elevada: mais de 15 mil mortes no ano.

O câncer de próstata é o que mais preocupa: o número crescente de casos, a desinformação e o medo/preconceito que os homens têm em se tratar, colocam a doença no radar médico. A boa notícia – especialmente nesse Dia do Radiologista (8 de novembro) – é que essas estatísticas podem mudar. Uma das novidades no tratamento é a a Braquiterapia com alta taxa de dose (HDR), terapêutica que tem como uma das maiores indicações o tratamento do câncer de próstata.

A HDR permite o tratamento de câncer de próstata com muita precisão, um menor número de sessões e menos efeitos colaterais ao paciente. Além dos resultados eficazes, essa terapia – tanto de alta taxa de dose, como de baixa taxa de dose – é um procedimento minimamente invasivo para o tratamento do câncer.

A tecnologia proporciona o espaçamento ideal das doses, com a vantagem de preservar os tecidos sadios adjacentes, o que garante a qualidade de vida do paciente durante o tratamento. Braquiterapia de alta taxa de dose em tempo real é o tipo de radioterapia feita “próxima” ou “ao lado” ou “dentro do tumor”, explica a radio oncologista Ana Paula Galerani Lopes, do Instituto Radion de Oncologia e Radioterapia de Curitiba, um dos primeiros centros oncológicos do Brasil a implementar a técnica.

Segundo ela, com ferramentas de planejamento adaptado a cada caso, é possível determinar a distribuição da dose não apenas na próstata, mas também em órgãos de risco como a uretra, a bexiga e o reto. Essa possibilidade de adaptar o planejamento do tratamento, em tempo real, é essencial na braquiterapia de próstata, de acordo com a especialista.

Mais precisão e minimamente invasivo

O Instituto Radion afirma ter sido o primeiro no país a utilizar o Sistema de Planejamento Oncentra Prostate, que utiliza um poderoso algoritmo de otimização baseado em anatomia 3D, em que as posições das agulhas a serem implantadas são calculadas automaticamente e o tratamento pode ser otimizado.

O sistema garante perfeita integração entre imagens de ultrassom, planejamento do tratamento, implante das agulhas e entrega da dose, oferecendo um fluxo de trabalho genuíno, em tempo real. Além disto, imagens do ultrassom realizado no momento do implante garantem a perfeita visualização da próstata.

A Braquiterapia de alta taxa de tose (High Dose Radiotherapy – HDR) é uma fonte de radiação que fica dentro de um aparelho/robô. Depois de calculada a dose para cada paciente, acionamos o aparelho que, em poucos minutos, faz a aplicação da dose prescrita. A grande vantagem é que ela atua direcionada nas células doentes, diminuindo a dose em tecidos sadios adjacentes”, comenta a especialista.

O tratamento pode ser realizado de forma isolada ou associado com outras técnicas, como a radioterapia externa, conforme indicação médica, sendo muito aplicado no tratamento de câncer de colo do útero, endométrio, próstata, pele, cabeça e pescoço, sarcomas, etc.

A técnica envolve sistema de planejamento em tempo real, uma tecnologia denominada Oncentra Prostate, que já faz parte da rotina do nosso Instituto. Aqui, todo o corpo clínico tem vasta experiência com essa tecnologia, trazendo ainda mais confiabilidade durante as aplicações”, afirma Ana Paula.

Com essas tecnologias avançadas, o Radion garante perfeita integração entre imagens de ultrassom, planejamento do tratamento, implante das agulhas e entrega da dose, oferecendo ao paciente de todo o Brasil um fluxo de trabalho genuíno em tempo real. Além disso, imagens sagitais instantâneas garantem a visualização ideal de tumores, como o da próstata, em todos os momentos.

Casos de tumor em estágio avançado aumentam

Ainda não temos estatísticas, mas percebemos claramente na rotina da clínica que o número de pacientes de câncer de próstata, em estágio mais avançado, aumentou. Por isso fazemos o alerta para que os homens não deixem de fazer seus exames de rotina e biópsias em virtude da pandemia. As clínicas médicas estão preparadas e seguem protocolos internacionais de higiene e segurança para garantir a segurança de todos”, comenta Dra Ana Paula.

Entre os sintomas mais comuns da doença, já em fase avançada, estão a vontade muito frequente de urinar, fluxo urinário fraco ou interrompido, sangue na urina ou no sêmen, disfunção erétil e dor ao urinar ou na ejaculação. Mas como esse tipo de câncer não costuma apresentar sintomas no estágio inicial, a prevenção é a melhor estratégia.

O homem deve estar atento aos fatores de risco, principalmente se já tiver algum familiar que com a doença.  Com diagnóstico confirmado na família o ideal é que a prevenção comece aos  40 anos. Caso contrário, o exame é indicado a partir dos 50. E, não custa lembrar: quanto mais tardio o diagnóstico, menores as chances de cura.

Além de informar sobre os fatores de risco, a equipe lembra que é muito importante combater o preconceito em relação ao toque retal – exame preventivo que pode detectar a presença de um tumor em seu estágio inicial. O exame de toque também é associado à dosagem de PSA (um antígeno de próstata específico, dosado em exame de sangue simples e de fácil acesso).

Segundo o Inca, até o final desse ano, o país deve registrar 600 mil casos novos de câncer. As regiões Sul e Sudeste devem concentrar 70% do número de casos. O Paraná deve ser responsável por 18.700 mil novos casos, ocupando a quinta posição do ranking nacional. A incidência (por 100 mil habitantes) deve respeitar a seguinte ordem: próstata com 3.560 casos, mama com 3.470, cólon e reto com 1.250, traqueia, brônquio e pulmão com 1250 e estômago com 980.

Inovações no tratamento

Além dos tipos de tratamento tradicionalmente encontrados como a cirurgia localizada e a radioterapia, existem inovações para aqueles pacientes que estão na busca da cura. No Hospital Haroldo Juaçaba, que é vinculado ao Grupo ICC no Ceará, os novos aparelhos de radioterapias, ou seja, os aceleradores, já têm a possibilidade de diminuir o número de sessões do paciente e principalmente ser mais assertivos no combate do tumor.

Os pacientes precisavam fazer em torno de 35 a 37 sessões de radioterapia, mas agora o hospital estará fazendo bem mais rápido com ajuda dos novos aceleradores que possibilitarão que essas sessões sejam feitas em torno de uma semana. Há também outras inovações que estão chegando no Brasil, como a Haifu e a cirurgia robótica, que vão auxiliar ainda mais no tratamento desses homens”, conclui o especialista.

Com Assessorias

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