Recorde em casos novos em um dia: 2.210

Brasil levou 17 dias para sair de um a 100 casos e 14 dias para ter mais 10 mil confirmados. Ainda faltam duas semanas para o pico da epidemia

O secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, e o secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, durante a divulgação de boletim sobre a covid-19 (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O  Brasil registrou novo recorde de número de casos novos do novo coronavírus (covid-19) em um só dia, mostrando a progressão da pandemia. Foram 17.857 nesta quinta-feira (9), 2.210 a mais que o registrado na véspera (15.927), aumento de 12%, ainda faltando pelo menos duas semanas para o pico da epidemia, previsto para o final de abril e início de maio. O maior resultado até então havia sido o total acrescido na véspera: 1.661 casos. O Brasil levou 17 dias para sair de um a 100 casos e 14 dias para ter mais 10 mil confirmados.

O número de mortes decorrentes da  Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), causada pela covid-19,  totalizou 941, segundo atualização divulgada pelo Ministério da Saúde na tarde desta quinta. O resultado marca um aumento de 17% em relação ao dia anterior, quando foram registrados 800 óbitos. No total foram 141 novas mortes em dois dias, um novo recorde – na quarta foram 133 novos óbitos; na terça, 114 e na segunda, 67.

São Paulo concentra mais da metade do número de mortes (495). O estado é seguido por Rio de Janeiro (122), Pernambuco (56), Ceará (55) e Amazonas (40). Foram registrados óbitos no Paraná (22), Bahia (19), Santa Catarina (17), Minas Gerais (15), Distrito Federal (13), Maranhão (12), Rio Grande do Sul (12), Rio Grande do Norte (11), Goiás (7), Pará (sete), Paraíba (sete), Espírito Santo (seis), Piauí (seis), Sergipe (quatro), Alagoas (três), Mato Grosso do Sul (dois), Amapá (dois), Acre (dois), Mato Grosso (dois), Rondônia (dois) e Roraima (um).

Em relação ao perfil, 41% das vítimas fatais eram mulheres e 59% eram homens.  Quanto à idade, 77% tinham menos de 60 anos. Na semana passada, eram 90%. Já em relação às complicações associadas à morte, 336 dos pacientes tinham alguma cardiopatia, 240 diabetes, 82 apresentavam alguma pneumopatia e 55 apresentavam alguma condição neurológica. Até o dia 8 de abril, foram registrados 34.905 hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país. Desse total, 3.416 foram de casos confirmados para covid-19.

As cidades com índice mais alto são Fortaleza (43,9), São Paulo (40,4), Manaus e Alto Rio Negro (28,1), Distrito Federal (16,9), Área Central, no Amapá (16,8) e Laguna (SC). Os estados maior incidência por 100 mil habitantes foram Amazonas (19,1), Distrito Federal (16,7), São Paulo (14,5), Ceará (14,1), Amapá (12,4) e Rio de Janeiro (11,2). Todas essas unidades da Federação pelo menos 50% acima da média nacional, que ficou em 7,5 pessoas infectadas por 100.000 habitantes.

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O secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, e o secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, durante a divulgação de boletim sobre a covid-19 – Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Faltam testes para 127 mil casos suspeitos

O secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, afirmou que há 127 mil notificações para a realização de testes. Até o momento, foram encaminhados 480 mil testes rápidos e 392 mil de laboratório (RT-PCR). O secretário acrescentou que foram aplicados 92,9 mil testes para covid-19.

A intenção do governo é adquirir no total 22,9 milhões de testes. Para esse total, serão agregados exames doados por empresas, como a Petrobras e a Vale. Enquanto isso, vale o protocolo já divulgado pelo ministério.

Não é para testar casos que não sejam internados ou por meio de vigilância sentinela. É importante que estados que estão testando fora desta estratégia evitem fazer fora desta forma”, observou Oliveira.

Já sobre a aquisição de máscaras, o secretário informou que a chegada de 40 milhões de máscaras de proteção que estava prevista para sexta-feira (10), não deverá ocorrer, por problemas de burocracia. O esforço da equipe do MS é de adquirir 40 milhões por semana. Um edital será aberto para que empresas interessadas em ofertar esses insumos possam se cadastrar.

Distanciamento social em diferentes modelos

Sobre o distanciamento social, os representantes do Ministério da Saúde voltaram a defender a recomendação de modelos diferentes, o ampliado para locais com mais casos e o seletivo para locais com poucos casos e estrutura do sistema de saúde com pelo menos 50% de ociosidade.

O secretário executivo da pasta, José Gabbardo dos Reis, disse que locais já com sinal vermelho, que já têm aumento bastante considerável do número de casos, devem dar a máxima atenção à questão da mobilidade social.

Isso não significa que estados como Rio de Janeiro e São Paulo tenham que manter todos os municípios neste mesmo comportamento. Municípios que, sentindo-se tranquilos, tendo capacidade instalada e tendo EPIs, estão preparados para quando aumentar”, declarou.

Auxílio emergencial de R$ 600 começa a ser pago

Cerca de 2,5 milhões de pessoas receberam nesta quinta-feira a primeira parcela do auxílio emergencial de R$ 600. Na terça-feira (14), será feito o pagamento da primeira parcela para mais 3,5 milhões de pessoas, informou o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, em transmissão ao vivo para anunciar novas medidas relacionadas ao crédito imobiliário.

Dos 2,5 milhões com o crédito na conta hoje, 2 milhões receberam os recursos na Caixa e cerca de 500 mil no Banco do Brasil. A Caixa iniciou o pagamento para quem já está inscrito no Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico) e tem conta em um dos dois bancos públicos. Os demais trabalhadores têm que se cadastrar no aplicativo Caixa Auxílio Emergencial ou no site Auxílio Caixa e começarão a ser pagos até o dia 14. Segundo Guimarães, já foram feitos 28 milhões de cadastros na última terça-feira e ontem (8).

O auxílio emergencial será pago a trabalhadores informais de baixa renda, microempreendedores individuais, contribuintes individuais ou facultativos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a beneficiários do Bolsa Família. A renda básica emergencial será de R$ 600 ou de R$ 1,2 mil para mães solteiras. Quem está no Bolsa Família não precisa se cadastrar e receberá o auxílio emergencial no mesmo dia do pagamento do programa social, que ocorre entre nos últimos dez dias úteis de cada mês.

Da Agência Brasil, com Redação

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