Rio confirma caso de meningite meningocócica

Estudante de colégio na Tijuca está afastada desde antes do Carnaval. Pais reclamam de falta de informação. Alunos serão medicados nesta sexta (15)

Rosayne Macedo

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Rio de Janeiro confirmou nesta quinta-feira (14) um caso de meningite meningocócica – a forma mais grave e letal da doença – em uma escola da Tijuca. Na véspera, o Colégio Pensi (unidade 2 do bairro) enviou um comunicado às famílias informando que uma estudante do terceiro ano do Ensino Médio, da turma preparatória para o vestibular de Medicina, teve o diagnóstico confirmado.

Em nota, a Superintendência de Vigilância em Saúde da SMS esclareceu que “acompanha um único caso de paciente com meningite, registrado no colégio. A jovem está estável. As medidas de vigilância epidemiológica foram adotadas”.

De acordo com o colégio, a estudante está afastada desde antes do Carnaval. Nesta sexta-feira (15), segundo a SMS, uma ação com profissionais de saúde do Centro Municipal de Saúde Heitor Beltrão será realizada na instituição de ensino. Em nota, o colégio informou que alunos e professores da turma serão medicados. Também serão prestados esclarecimentos sobre a doença aos alunos e responsáveis.

“Foi solicitado que cada aluno leve a sua caderneta de vacinação para avaliação dos profissionais de saúde e a devida autorização entregue a eles, preenchida e assinada pelos responsáveis para que seja ministrada a medicação”, informou o colégio.

Mãe de Elke Luisa, estudante do pré-vestibular de Medicina na unidade, Cristina Gonçalves conta que recebeu na quarta-feira (13) o comunicado da escola por email sobre o ocorrido com a aluna da turma. Segundo ela, os pais estão desesperados e não sabem o que fazer para proteger os filhos.

Liguei para algumas clínicas de vacinação e informaram que para dar a vacina é necessário saber qual é o tipo de meningite, se é a tipo A ou B. Liguei para o colégio e a direção não sabe informar”, disse Cristina.

“A vacina nem tem na rede municipal de saúde e nas clínicas tem o custo de R$ 450 para a tipo A e 650 para a tipo B. Os pais estão em pânico e o colégio não informa qual o tipo de meningite é”, contou a mãe. Segundo ela, “a turma tem 50 alunos que ficam trancados numa sala de aula com ar condicionado ligado e proliferando o vírus”.

No comunicado distribuído às famílias (veja a íntegra abaixo), a escola informou aos responsáveis”para que se quiserem, tomem as medidas preventivas, procurando naturalmente o auxílio médico ou de posto de saúde”. “Tão logo fomos informados do fato, achamos por bem avisar a todos, visto que o período de incubação da doença varia de 2 até 10 dias”, diz o texto.

Questionada sobre a preocupação dos pais, a escola informou que o exame é feito no hospital onde a menina está sendo atendida e que a escola somente repassa as informações médicas. “Se o caso ainda está sendo analisado e o resultado que mostra o tipo de exame ainda não foi concluído, não tem como informar os pais”.

A procura pela vacina que protege da meningite B, a forma mais grave da doença, fez a Clínica Croce, em São Paulo, registrar um movimento duas vezes maior que o habitual. Às vésperas do Carnaval, o ex-presidente Lula da Silva perdeu o neto Arthur, de 7 anos, vítima de meningite.

Em 2018, segundo dados do Ministério da Saúde, foram registradas 1.072 ocorrências de doença meningocócica no Brasil, sendo 218 mortes.

São 12 tipos de meningite, diz entidade

Em nota divulgada dia 1º de março, a Associação Brasileira de Clínicas de Vacina (ABCVAC) esclarece que a Meningite Meningocócica é composta de 12 tipos, sendo cinco os mais prevalentes na população: os tipos A, B, C, W e Y.

Existem vacinas para esses cinco tipos, desenvolvidas por laboratórios de altíssima confiança. Na rede pública é possível encontrar a vacina contra o tipo C, enquanto nas clínicas privadas encontram-se outras duas versões: a vacina contra os tipos ACWY e a vacina contra o tipo B”, diz a nota.

Essas vacinas são recomendadas pelas Sociedades Brasileira de Pediatria e de Imunizações e estão disponíveis em clínicas em todo o país. “Em todo o mundo são indicadas, com eficácia comprovada e no Brasil são aprovadas pela Anvisa, tendo passado, assim, por todos os testes de qualidade e eficiência”, afirma a entidade.

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SAIBA MAIS SOBRE A DOENÇA

A meningite é uma doença grave que pode ser causada por diversos agentes infecciosos, como bactérias, fungos e vírus. A meningite bacteriana costuma apresentar um quadro clínico mais grave. No Brasil, casos de meningite são esperados ao longo de todo o ano, sendo a ocorrência das bacterianas mais comum no inverno e, das virais, no verão.

A meningite meningocócica é uma infecção bacteriana das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, podendo causar sequelas e até mesmo levar a óbito. É causada pela bactéria Neisseria meningitidis que possui 12 sorogrupos identificados, sendo que cinco deles são os mais comuns (A, B, C, W e Y).

Por ser uma doença grave, é importante conhecer os diferentes tipos de meningite e saber como se prevenir. Confira abaixo algumas informações sobre a doença como transmissão, sintomas e formas de prevenção.

– Quais as diferenças entre meningite viral e meningite bacteriana?

As meningites bacterianas são, do ponto de vista clínico, as mais graves. A meningite meningocócica (causada pela Neisseria meningitidis)certamente está entre as doenças imunopreveníveis que causam maior preocupação e, pela magnitude, gravidade e potencial de ocasionar surtos e epidemias, apresenta maior importância para a saúde pública.  Já as meningites virais podem se expressar por meio de surtos, porém com menor gravidade.

– O que é doença meningocócica? Por que é uma doença grave?

A Doença Meningocócica (DM) é causada pela bactéria Neisseria meningitidis e uma das formas de manifestação é a meningite meningocócica, que é uma infecção das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Uma outra forma mais grave é quando a bactéria atinge a corrente sanguínea, chamada de meningococcemia.

Mesmo quando a doença é diagnosticada precocemente e o tratamento adequado é iniciado, 8% a 15% dos pacientes vão a óbito, geralmente dentro de 24 a 48 horas após o início dos sintomas.

Se não for tratada, a meningite meningocócica é fatal em 50% dos casos e pode resultar em dano cerebral, perda auditiva ou incapacidade em 10% a 20% dos sobreviventes.

– Como a meningite meningocócica pode ser transmitida?

O meningococo, bactéria que causa a meningite meningocócica, pode ser transmitido de uma pessoa para outra por meio do contato direto com gotículas respiratórias através de tosse, espirro e beijo, por exemplo. Aproximadamente 10% dos adolescentes e adultos possuem a bactéria na orofaringe (“garganta”) e podem transmiti-la mesmo sem adoecer – são chamados de portadores assintomáticos.

– Quais são os sintomas mais comuns?

Os sinais e sintomas iniciais da meningite meningocócica — incluindo febre, irritabilidade, dor de cabeça, perda de apetite, náusea e vômito — podem ser confundidos com outras doenças infecciosas.

Na sequência, o paciente pode apresentar pequenas manchas violáceas (arroxeadas) na pele, rigidez na nuca e sensibilidade à luz.

Se não for rapidamente tratado, o quadro pode evoluir para confusão mental, convulsão, sepse e choque, falência múltipla de órgãos e risco de óbito.

Essa rápida evolução e início abrupto, pode levar a óbito em menos de 24 a 48 horas. Por isso, é tão importante a prevenção da doença.

– Quais são as principais formas de prevenção?

A vacinação é considerada uma forma eficaz na prevenção da doença.3 A vacina para prevenção da doença meningocócica causada pelos sorogrupos A, C, W e Y é indicada para crianças a partir dos 2 meses de idade, adolescentes e adultos.

Já a vacina para a proteção contra a doença meningocócica causada pelo meningococo B é indicada para indivíduos dos dois meses aos 50 anos de idade. Nos postos de saúde, a vacina para proteção contra a doença causada pelo meningococo C é gratuita para crianças menores de 5 anos de idade e adolescentes de 11 a 14 anos.

Outras formas de prevenção são evitar aglomerações e manter os ambientes ventilados e limpos.

Comunicado do colégio aos pais

Caros responsáveis,

Infelizmente nos obrigamos a comunicar que tivemos um caso de Meningite Meningocócica em um dos discentes da 3ª série medicina manhã. Sendo assim, estamos informando a todos os pais da nossa comunidade, para que se quiserem, tomem as medidas preventivas, procurando naturalmente o auxílio médico ou de posto de saúde.

Estamos em contato com a Secretaria de Saúde e caso seja necessário alguma medida individual, será feito o contato com o responsável pelo aluno.

O discente em questão está afastado desde a semana anterior ao recesso de carnaval, mas mesmo assim, tão logo fomos informados do fato, achamos por bem avisar a todos, visto que o período de incubação da doença varia de 2 até 10 dias.

Estamos à disposição para quaisquer outras informações e esperamos que nada mais aconteça e que ocorra plena e rápida recuperação do aluno em questão.

Comunicado do colégio à imprensa

“A direção da unidade Pensi Tijuca II confirma o caso do aluno com Meningite Meningocócica, matriculado em curso preparatório para Medicina e está atuando em parceira com a Secretaria de Saúde, cumprindo todos os procedimentos cabíveis em um caso nessa natureza. Assim que tomou conhecimento, a escola comunicou aos pais, para que buscassem as medidas preventivas através de auxílio médico ou no posto de saúde.

O aluno infectado está afastado da escola desde a semana anterior ao recesso de carnaval, e assim que a escola foi informada do motivo do afastamento, foi feita a devida comunicação à comunidade escolar, visto que o período de incubação da doença varia de 2 até 10 dias.

Profissionais da Secretaria de Saúde estarão presentes na unidade na sexta-feira (15/03), a partir das 9h com o objetivo de medicar os alunos da referida turma e professores que trabalharam com a turma no período. Foi solicitado que cada aluno leve a sua caderneta de vacinação para avaliação dos profissionais de saúde e a devida autorização entregue a eles, preenchida e assinada pelos responsáveis para que seja ministrada a medicação.

Profissionais de Saúde vão realizar na unidade também uma palestra com esclarecimentos e orientações para os alunos e responsáveis interessados da turma.
Segundo a família, a aluna não corre mais riscos e seu estado é estável, já se recuperando”.

Da Redação, com informações da SMS-RJ, Colégio Pensi e GSK

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