Rio corre risco de reurbanização de febre amarela, alerta Fiocruz

Rosayne Macedo

mosquito

O município do Rio de Janeiro e a Região Metropolitana correm o risco de sofrer um processo de reurbanização da febre amarela, até agora presente na forma silvestre. O alerta é de especialistas da Fiocruz, diante do avanço do vírus da doença no estado, onde 135 casos já foram confirmados em humanos este ano, dos quais 57 morreram – um índice de mortalidade de mais de 600% em relação a todo o ano de 2017. A baixa adesão à vacinação contra a doença no Estado do Rio, onde apenas metade do público esperado atendeu ao chamado do governo e compareceu aos postos no segundo Dia D no último dia 3, e a infestação de mosquitos Aedes aegypti na área urbana são a perigosa mistura que pode trazer de volta ao estado a febre amarela urbana, erradicada desde 1942.

Ricardo Lourenço, pesquisador da Fiocruz, explica que para que o vírus passe a circular em áreas urbanas do Rio de Janeiro basta que uma pessoa contaminada, por exemplo, em Angra dos Reis – onde se registra a maior quantidade de casos (34, com 14 mortes) – venha para a capital e seja picada pelo Aedes aegypti, transmissor da febre amarela urbana. “Se a pessoa desenvolver a viremia e a região onde ela vive tiver muito Aedes, é possível que o mosquito contaminado pique outra pessoa, desencadeando uma transmissão autóctone urbana”, explica. Por isso, alerta: “quanto menos casas com mosquitos tiver e maior a cobertura vacinal, menor será o risco”.

Diante do risco de reurbanização da doença, o Ministério da Saúde já havia anunciado a expansão da vacinação para todo o país e também reforçou as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti. No município do Rio, a situação está sob controle, de acordo com a prefeitura, e desde 2009 os índices de infestação pelo mosquito vêm caindo. É o que afirma o coordenador de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, Marcos Vinicius Nunes. No último Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa) , relativo ao período de 7 a 18 de janeiro deste ano, o índice médio do município ficou em 1,28%. Um novo levantamento será divulgado na próxima terça-feira (13) e se refere ao período do final de fevereiro até o início de março.

Desafio é lixo nas ruas após as chuvas

Segundo Nunes, o depósito predominante para encontrar o mosquito são os fixos (ralos), que são internos, nas residências e imóveis comerciais, e em segundo os inservíveis, como o lixo. Com as chuvas de fevereiro, houve um aumento do lixo nas ruas, o que preocupou as autoridades sanitárias, que acionaram a Comlurb para reforçar a limpeza e remoção do lixo. Mas a situação é bem melhor que há alguns anos. “Em 2009, o índice era de 2,9% e veio caindo. Nos últimos 3 anos, passa um pouco de 1% na média, mas já chegou até a 0,7, no período de inverno”, conta Nunes. “Antigamente batia-se muito no Rio, mas hoje o município não puxa mais a epidemia de dengue. Até um tempo atrás, 55% do número de casos eram no município. Agora são só 18% dos casos. O Rio já deixou de ser vitrine da dengue”, ressalta.

Além da ajuda da população para eliminar os focos do Aedes aegypti, outro fator que contribuiu para a redução dos índices foi a entrada compulsória em imóveis  abandonados. Após notificação em Diário Oficial, é chamado um chaveiro para arrombar o imóvel e em seguida o agente de saúde entra para eliminar os focos. A estrutura para enfrentar o mosquito também é outro fator positivo. O município tem 3.300 agentes mata-mosquito, quando o necessário seria 2.800, segundo Nunes. Apesar de controvérsias sobre o seu uso, o fumacê ainda é utilizado em algumas áreas mais críticas – são 14 carros fumacê para circular na cidade. Sobre o risco de febre amarela urbana, alardeado pela Fiocruz, ele é taxativo: “Se houver caso de febre amarela na cidade, só mesmo por descuido da pessoa de não se vacinar. Hoje tem muito menos mosquito aqui que na Baixada”.
Rio está com índice satisfatório no Mapa da Dengue

O Rio está entre as 17 capitais que estão com índices satisfatórios de infestação por Aedes aegypti, de acordo com o LIRAa divulgado em dezembro de 2017 pelo Ministério da Saúde. As outras são os municípios de Macapá (AP), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Belo Horizonte (MG), João Pessoa (PB), Teresina (PI), Curitiba (PR) e Palmas (TO). O levantamento foi realizado por 5.480 (98,4%) municípios de todo o país, sendo que destes, 3.268 municípios apresentaram condição satisfatória com índices de infestação menor que 1%, 1.445 municípios apresentaram estado de alerta, com índice de infestação entre 1% a 3,9% e 461 restantes apresentaram risco de epidemia, com Índice de Infestação superior a 4%.O Mapa da Dengue, como é chamado o LIRAa, é um instrumento fundamental para o controle do mosquito. Com base nas informações coletadas, o gestor pode identificar os bairros onde estão concentrados os focos de reprodução do mosquito, bem como o tipo de depósito onde as larvas foram encontradas. O objetivo é que, com a realização do levantamento, os municípios tenham melhores condições de fazer o planejamento das ações de combate e controle do mosquito Aedes aegypti.

Leituristas da Enel vão fiscalizar combate ao mosquito 

Enel 2

Para ampliar as formas de combate às doenças provocadas pelo Aedes Aegypti, a Secretaria de Estado de Saúde assinou na quinta-feira (8) uma parceria com a Enel Distribuição Rio, empresa responsável pela distribuição de energia para 66 municípios. O convênio prevê que 350 leituristas, responsáveis pela medição de energia das casas, ajudarão na fiscalização de combate ao mosquito. O acordo inicialmente valerá para as cidades de Niterói, São Gonçalo e Magé, podendo ser ampliado para as demais cidades da área de concessão da Enel.

Os funcionários da Enel passarão por treinamento realizado pela Subsecretaria de Vigilância em Saúde, em que aprenderão como identificar possíveis focos de criadouros do Aedes e como exterminá-los. Além disso, receberão diretrizes para que também possam dar orientações aos moradores durante visita domiciliar. A cada duas semanas, um relatório com as informações dos leituristas será repassado pela distribuidora de energia para setor de vigilância da Secretaria.

Cada leiturista da Enel Distribuição Rio visita, em média, 400 unidades consumidoras diariamente. Dessa forma, cerca de 1,8 milhão de unidades serão monitoradas mensalmente para identificação da presença do mosquito transmissor. Constatados focos do mosquito, as prefeituras acionarão seus agentes de endemias para as ações de controle.

 

Governo federal reforça mobilização nacional contra o Aedes

Ministério da saúde convoca a população brasileira a continuar com a mobilização nacional pelo combate ao mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. O período do verão é o mais propício à proliferação do mosquito Aedes aegypti, por causa das chuvas, e consequentemente é a época de maior risco de infecção por essas doenças. Por isso, a população deve ficar atenta e redobrar os cuidados para eliminar possíveis criadouros do mosquito

As sextas–feira têm sido escolhidas como Dia Nacional de Combate ao Aedes aegypti. “O enfrentamento ao mosquito é prioridade do Governo Federal” explicou o  ministro da Saúde, Ricardo Barros. “A definição da sexta-feira como um dia nacional para uma grande mobilização, demonstra o nosso empenho e preocupação no combate ao Aedes para que possamos evitar todas as doenças causadas por ele”, explica o ministro.

Em todo o país, o Governo Federal, em parceria com os estados e os municípios, realiza uma série de ações para conscientizar sobre importância de eliminar os focos do mosquito, especialmente no verão, período mais favorável à proliferação do mosquito. As ações integradas e simultâneas, em todo o país, mobilizam prefeituras, governos estaduais e população. São previstas distribuição de material educativo, visitas domiciliares, mutirões de limpeza realizados pelos agentes de saúde, exposições educativas em escolas, entre outras ações voltadas para a comunidade local.

As três doenças transmitidas pelo Aedes agypti tiveram redução significativa. Até 3 de fevereiro, foram notificados 22.586 casos prováveis de dengue em todo o país, uma queda de 39% em relação ao mesmo período 2017 de (31.553). Com relação ao número de óbitos, também houve redução, passando de 20 mortes no ano passado para nenhum nesse período. Em relação à febre chikungunya, foram registrados 4.844 casos neste ano, queda de 55% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 10.630 casos. A redução do zika foi de 89%, passando de 2.981 registros para 330 em 2017. Em relação às gestantes, foram registrados 93 casos prováveis, sendo nove confirmados por critério clínico-epidemiológico ou laboratorial.

Campanha publicitária

O Ministério informou ainda que as ações de prevenção e combate ao Aedes aegypti são permanentes e tratadas como prioridade pelo Governo Federal. Desde a identificação do vírus zika no Brasil e sua associação com os casos de malformações neurológicas, o governo mobilizou todos os órgãos federais (entre ministérios e entidades) para atuar conjuntamente, além de contar com a participação dos governos estaduais e municipais na mobilização de combate ao vetor.

Ainda para reforçar a importância da prevenção, foi lançada em novembro nova campanha do Ministério da Saúde de conscientização para o combate ao Aedes aegypti, que chama atenção da população para os riscos das doenças transmitidas pelo vetor (dengue, zika e chikungunya) e convoca a todos ao seu enfrentamento. O objetivo é mostrar que o combate à proliferação do mosquito começa dentro da própria casa, sendo responsabilidade de cada um, podendo gerar mudança positiva na vizinhança. O material alerta: “Um mosquito pode prejudicar uma vida. E o combate começa por você. Faça sua parte e converse com seu vizinho”.

Da Redação, com informações do Ministério da Saúde e SES-RJ

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