Rio na UTI: 3 pessoas morrem por dia à espera de leito

Cerca de 70% dos que buscam a Defensoria Pública do município para garantir o direito de atendimento falecem antes de conseguir uma vaga

Redação
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Três pessoas morrem por dia no Rio de Janeiro à espera de um leito em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Cerca de 70% dos que buscam a Defensoria Pública do município para garantir o direito de atendimento falecem antes de conseguir uma vaga. Os dados foram apresentados pela defensora Raphaela Jahara durante audiência pública promovida nesta quinta-feira (7), pela Comissão Especial da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro destinada a averiguar a quantidade de leitos estaduais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Somados, os municípios fluminenses oferecem 5.985 leitos públicos para tratamento intensivo, de acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). O levantamento do Ministério da Saúde também contabiliza as vagas oferecidas para as diferentes especialidades médicas. Esse número total é de 38.420, sendo 23 mil conveniados ao Sistema Único de Saúde, foco da da Comissão Especial.

Espera para tratar câncer chega a um ano

Entretanto, para Nelson Nohan, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), esses índices não são um retrato fiel da saúde do Estado do Rio. “Os números do CNES não correspondem à realidade. Os leitos são credenciados, descredenciados e, enquanto isso, as planilhas permanecem desatualizadas”, afirmou o médico. Para ilustrar o déficit de vagas, o representante do conselho destaca, por exemplo, as condições encontradas pelos pacientes oncológicos.

De acordo com Nohan, o prazo médio para início do tratamento contra o câncer em municípios fluminenses é de 10 a 12 meses. Sendo assim, 46% dos pacientes só começam o processo de quimioterapia e radioterapia quando a doença já está no estágio avançado, reduzindo drasticamente as chances de cura. Uma das alternativas para contornar esse cenário é a otimização do processo de regularização, segundo a defensora Raphaela Jahara, da Coordenadoria de Saúde e Tutela Coletiva do órgão.

De acordo com ela, muitos leitos deixam de ser credenciados pelo SUS e oferecidos à população por dois motivos. Primeiro, existem aqueles que estão em desacordo com as normas do Ministério da Saúde. No município do Rio, por exemplo, os hospitais Albert Schweitzer e Pedro II tiveram que fechar 34 leitos por esta razão. “Além disso, existem os que estão em pleno funcionamento, mas não estão à disposição das centrais de vagas”, explica a defensora.

Visita às unidades de saúde

A deputada Márcia Jeovani (DEM), presidente da comissão especial, apontou os próximos passos de atuação do grupo. A parlamentar explicou que, para garantir mais efetividade, as ações serão focadas nas áreas mais urgentes da saúde. “O gargalo é imenso. Então, para chegar a um denominador, vamos focar em hemodiálise, oncologia, obstetrícia e UTI. Nosso objetivo é garantir mais transparência sobre a oferta de leitos nos municípios fluminenses”, disse. Para isso, o colegiado vai visitar unidades de saúde que possuem leitos conveniados ao SUS e convocar os secretários de estado de Saúde e de Fazenda para questionar o andamento da pasta.

Fonte: Alerj