Rio opta por economia e saúde da população fica em segundo plano

Cremerj emite nota criticando a flexibilização das medidas de isolamento social no estado, que sobrecarregam o sistema de saúde

O hospital de campanha do Riocentro tem 500 leitos, sendo 400 de UTI (Foto: Marcos de Paula / Prefeitura do Rio)

Às vésperas de celebrarmos o Natal, o Ano Novo e tantas outras festas, o aumento de casos da Covid-19 no Estado do Rio de Janeiro está preocupando boa parte da comunidade médica e científica. O Conselho Regional de Medicina (Cremerj) divulgou uma nota esta semana, alertando para um possível colapso no sistema de saúde, depois que a Fiocruz também já havia emitido um alerta. Mas para os governantes, ainda não é motivo para alarde e as compras de Natal estão mantidas.

Em nota técnica às autoridades, o Cremerj pede reforço de campanhas informativas à população, EPIs para a segurança dos profissionais e infraestrutura necessária para atendimento e tratamento dos pacientes. O presidente do Conselho, Walter Palis, alerta ainda, para a atenção redobrada com a higienização das mãos, o uso do álcool em gel e da máscara, além de evitar a aglomerações.

A Comissão de Saúde Pública do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) assinou uma nota técnica, nessa segunda-feira (30/11), devido ao aumento de casos da Covid-19, no mês de novembro. O documento foi enviado às autoridades sanitárias e aos gestores públicos do Estado do Rio de Janeiro, pedindo medidas cabíveis e urgentes de proteção e segurança para a população carioca e fluminense.

No texto, o Cremerj considera, principalmente, o aumento exponencial do número de casos da Covid-19 no estado, que vem sendo considerada como uma possível segunda onda de contaminação. O Conselho ainda relembra a flexibilização das medidas de controle da pandemia, como a reabertura de comércios, praias e eventos, além da intensificação do uso do transporte público. Também aponta a desmobilização de leitos, recursos humanos e insumos promovidos pela rede pública em decorrência da anterior diminuição do número de casos de infectados pelo novo coronavírus.

O Cremerj demonstrou grande preocupação com o cenário atual, visto que muitos médicos têm alertado à entidade sobre uma sobrecarga, nas unidades de saúde, de pacientes com sintomas da doença. Na nota, o Conselho pede que as autoridades cumpram “sua missão em qualquer tempo com o objetivo de impedir ou, ao menos, retardar o aparecimento de novos casos da Covid-19”, promovendo campanhas de conscientização junto à população e, obviamente, a infraestrutura necessária para o atendimento e o tratamento de casos suspeitos e confirmados.

Além disso, o Conselho pede que as autoridades assegurem às equipes de saúde Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para a segurança dos profissionais, assim como a garantia de exames para o diagnóstico, leitos, medicamentos e insumos necessários.

Também pedimos que as autoridades nos informem sobre as reais demandas recorrentes na rede pública e privada, principalmente em relação ao número de leitos ocupados em UTIs e enfermarias e de pacientes que esperam por vagas no sistema de regulação. Tudo que solicitamos é pertinente para garantir a segurança dos pacientes, dos médicos e de todos os profissionais de saúde. Existe um aumento no número de casos e é fundamental que medidas sejam tomadas para conter este avanço”, frisou Walter Palis.

Com Cremerj

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