Saiba quais são os critérios para vacinar obesos contra a Covid-19

Pessoas com IMC entre 35 e 40 entram nos requisitos para a prioridade. Quem passou pela cirurgia bariátrica também pode receber a dose

Nos últimos meses, os governos dos estados brasileiros vêm incluindo pessoas com obesidade grave nas listas prioritárias para a vacinação contra a Covid-19. Mesmo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) defina a obesidade pelo Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 30, para que o paciente seja vacinado prioritariamente contra a covid-19 é preciso que o índice seja maior que 35, o obeso grave. Além disso, pessoas que passaram pela cirurgia bariátrica também podem receber a imunização por se tratar de doença crônica.

De acordo com o cirurgião bariátrico e do aparelho digestivo do Hospital Brasília Luiz Fernando Córdova, pessoas com IMC entre 35 e 40 entram nos requisitos para a prioridade. De acordo com o especialista, os critérios para casos de prioridade são comorbidades, ou doenças associadas, como hipertensão, diabetes, imunodeprimidos, transplantados e os obesos graves. Por obesidade ser doença crônica, aqueles que passaram pela cirurgia bariátrica recentemente também podem receber a dose.

Alguns estados ampliaram a gama de pacientes. Por exemplo, em algumas cidades no Brasil, os governantes abriram a vacinação para aqueles que iam operar e para os pacientes operados, considerando que eles estão melhor da obesidade, melhor das doenças, mas que continuam tendo uma doença crônica. Por outro lado, na maioria dos estados do Brasil, os governantes levam em consideração os critérios de indicação para a cirurgia bariátrica, que são IMC acima de 35 com comorbidades ou IMC acima de 40, que é o obeso grave”, explica Luiz Fernando.

O médico informa que é importante salientar que os pós operados recentes, aqueles que ainda não iniciaram seus processos de manutenção da cirurgia bariátrica, devem se vacinar. De acordo com Luiz Fernando, esses pacientes ainda não se curaram das doenças causadas pela obesidade. Em todos os casos, o médico explica que ainda assim há necessidade da comprovação médica, mesmo que o caso seja visível. “Tem que ter laudo do médico. É preciso atestar se o paciente é portador de tal peso, tal altura, tal IMC, tais doenças associadas, colocando o CID e indicando a vacina”, finaliza.

A obesidade é uma doença que atinge uma em cada quatro pessoas acima de 18 anos no País. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), isso é o equivalente a 41 milhões de indivíduos. O diagnóstico se dá quando o paciente apresenta um acúmulo de gordura acima do adequado para suas faixa etária e altura. Os motivos mais comuns para o ganho de peso são a má alimentação e o descontrole emocional.

As pessoas ficam esperando que haja um remédio curativo para a obesidade, mas não existe. O que precisamos é conscientizar a população de que trata-se de uma doença que precisa do envolvimento de cada um”, afirma Cláudia Cozer Kalil, endocrinologista do Núcleo de Obesidade e Cirurgia Bariátrica do Hospital Sírio-Libanês.

Segundo ele, se uma mudança nos hábitos e no pensamento das pessoas não acontecer em breve, o Brasil continuará acumulando índices desanimadores.  Hoje, o país já é o segundo no mundo que mais realiza cirurgias bariátricas, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).

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