Samu se prepara para atender pacientes com sofrimento psíquico

Médicos e enfermeiros do Samu serão treinados para atuar em casos de ansiedade, depressão, automutilação, tentativa de suicídio e uso de drogas

O Brasil está entre os 14 países do mundo que têm taxas crescente de suicídio. Entre 15 e 29 anos, o suicídio é a terceira maior causa de mortes do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Diante do agravamento nos quadros de transtornos mentais durante a pandemia, o Ministério da Saúde anunciou que todas as unidades do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) serão preparadas para realizar atendimentos de pacientes em sofrimento psíquico.

O “Curso de Formação de Multiplicadores em Urgências e Emergências em Saúde Mental” tem como objetivo fortalecer a prática de condutas humanizadas e terapêuticas no âmbito da saúde mental. Vai preparar os profissionais de saúde do Samu (médicos e enfermeiros) para uma assistência cada vez mais adequada a pacientes que utilizam do serviço e apresentam quadros como: ansiedade, depressão, violência autoprovocada, ideação suicida e transtornos por uso de substâncias psicoativas, por exemplo.

“Há um consenso científico que aponta que nos últimos 12 meses de vida essas pessoas procuram uma unidade básica de saúde e isso aumenta a nossa responsabilidade”, pontuou a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), Mayra Pinheiro, durante o anúncio da implementação da linha de cuidado de Saúde Mental na Atenção Primária à Saúde (APS) nesta quarta-feira (1), que marcou a abertura do Setembro Amarelo.

Nas três primeiras turmas, serão 108 profissionais capacitados em todas as capitais do país. A capacitação é promovida pela SGTES, em parceria com o Samu-DF e ministrado por profissionais especialistas, com aulas teóricas e práticas.

O ponto alto do curso são as simulações realísticas, que replicam situações de emergências atendidas pelo Samu. A metodologia de treinamento inovadora é apoiada por tecnologias de alta complexidade, com cenários reais, que favorecem um ambiente participativo e de interatividade.

Os instrutores simulam o atendimento desde a chamada realizada pelo paciente ou um familiar até o devido encaminhamento às unidades de saúde. Há até atores que encenam as ações criando o ambiente ideal para o atendimento e colocando os profissionais à prova. Entre as situações estão surtos psicóticos; abuso de álcool; comportamento suicida; agitação psicomotora; ou comunicação de más notícias, como a morte de um familiar.

Ministra Damares Alves diz que já tentou suicídio

O lançamento da nova iniciativa foi feito pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, juntamente com a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos (MFDH), Damares Alves. O ministro lembrou que uma das consequências da pandemia de Covid-19 é a exaustão mental da população, em especial dos trabalhadores de saúde que estão na linha de frente dos cuidados da doença. Na ocasião, Damares contou que já tentou suicídio quando era criança.

“Aos 10 anos de idade eu tentei suicídio e debocharam de mim. Por favor não zombem. Assim como eu muitas crianças se machucam e tentam medidas extremas. A gente precisa dar atenção para as nossas crianças e adolescentes que estão em profundo sofrimento”, alertou.

Queiroga reforçou o compromisso com o atendimento de pessoas com doenças mentais na Atenção Primária, uma das prioridades do Ministério da Saúde. Segundo ele, a pasta está ampliando essa rede de atenção psicossocial, que está instalada em mais de 3 mil estabelecimentos de saúde pelas 27 unidades da federação e nos mais de 570 municípios do Brasil.

Já o secretário de Atenção Primária à Saúde, Raphael Câmara, reforçou a importância de a família e amigos estarem atentos aos sinais dados por pessoas com doenças mentais para que o encaminhamento e os cuidados com esses pacientes sejam adequados. “Antes de chegar a atitudes extremas, como o suicídio e a automutilação, as pessoas com problemas mentais mudam de comportamento e, em sua maioria, tentam pedir ajuda”.

Investimentos em saúde mental no Brasil

Em 2020 e 2021 foram repassados R$ 99,2 milhões para 2.657 Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Hoje, pelo menos 3.164 estabelecimentos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) fornecem atendimento em saúde mental no País.

Atualmente, a Raps conta com 796 Residências Terapêuticas; 69 Unidades de Acolhimento (adulto e infanto-juvenil); 1.802 leitos de saúde mental em hospitais gerais; 13.098 leitos em hospitais psiquiátricos, 59 equipes multiprofissionais de atenção especializada em saúde mental e 144 Consultórios na Rua.

No âmbito da saúde mental, o Ministério da Saúde ampliou os investimentos. Aproximadamente R$ 650 milhões foram aplicados na aquisição de medicamentos do Componente Básico da Assistência Farmacêutica. Só em 2020, a pasta investiu cerca de R$ 1,5 bilhão para a abertura de novos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps).

O Ministério da Saúde desenvolve, ainda, desde setembro de 2020, a qualificação de profissionais da saúde, educadores da rede pública e privada de ensino, líderes de associações religiosas, profissionais de conselhos tutelares, entidades beneficentes e movimentos sociais e corporações militares por meio dos cursos “Prevenção do Suicídio” e “Prevenção da Automutilação”, disponíveis gratuitamente no UniverSUS Brasil.

A nova capacitação integra as ações do Comitê Gestor de Política Nacional de Prevenção da Automutilação e o Suicídio que regulamenta a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio (lei Nº 13.819, de 26 de abril de 2019). Também estiveram representantes do Conass Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

Da Agência Saúde, com Redação

 

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