Saúde mental: decisão de Biles inspira mundo dos negócios

‘Ela se colocou no lugar de humana e não de máquina’, diz especialista. Ex-executivo que vivia estressado cria empresa para ajudar outros executivos por meio da meditação

A Federação de Ginástica dos Estados Unidos (USA Gymnastics, na sigla em inglês) surpreendeu a todos no último dia 28 de julho quando anunciou que Simone Biles não participaria da final individual geral nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. No dia anterior, a atleta norte-americana de 24 anos já tinha desistido de participar da prova coletiva de ginástica artística da disputa por equipes após um salto ruim. Decidiu cuidar da sua saúde mental e bem-estar emocional, após uma avaliação médica.

Vencedora de 25 medalhas em campeonatos mundiais, sendo 19 delas de ouro, Biles é a ginasta mais condecorada na história do seu país em mundiais. Ela anunciou que sua decisão foi influenciada pelo desgaste mental causado pelo fardo pesado após um ano de luto, perda e restrições associados à pandemia de Covid-19. O episódio evidenciou a realidade de muitos profissionais que se sentem exaustos, sobrecarregados, estressados e frustrados devido aos problemas emocionais desenvolvidos durante a pandemia.

Especialistas afirmam que situações como a da Biles e os quase dois anos de pandemia trazem à tona a importância do cuidado emocional não apenas de atletas de alta performance, mas de trabalhadores em diferentes segmentos. Para se ter uma ideia, de acordo com uma pesquisa publicada pela Capita Employee Solutions, 45% das pessoas consideram deixar o emprego devido ao estresse gerado, e 53% já tiveram colegas que se viram obrigados a deixar o trabalho devido ao estresse.

Isso acontece porque a saúde emocional ainda é um campo pouco explorado na saúde ocupacional, e muitas vezes até olhado com estigma no ambiente corporativo, mas é uma questão de fundamental importância, principalmente após um longo período em isolamento social devido à pandemia. “Simone Biles se colocou no lugar de humana e não de máquina. E este olhar se tornará cada vez mais importante nestes novos cenários que estamos vivenciando”, afirma Daniele Costa, especialista em Gestão de Pessoas, no artigo ao fim deste texto.

Ex-executivos descobrem saída na meditação

Wagner e Alexandre resolveram apostar na meditação para ajudar outros executivos (Foto: Divulgação)

A desistência de Simone Biles continua repercutindo não apenas no mundo dos esportes, mas também no mundo dos negócios. Afinal, vale a pena tanta pressão no dia a dia? Alexandre Ayres, ex-executivo de grandes empresas, acha que não. Ele trabalhou em multinacionais, com a rotina sempre agitada, e vivenciou o estresse proveniente dos cargos que ocupou. Ayres descobriu através de diferentes estudos que a meditação poderia ajudá-lo a lidar melhor com o estresse e emoções relacionadas tanto à vida profissional, quanto a pessoal.

Após vivenciar a melhora da qualidade de vida e experimentar os benefícios da prática, o ex-executivo à beira de um ataque de nervos decidiu se aliar ao amigo Wagner Lima, que também enfrentou as mesmas dificuldades, para criar uma empresa justamente para ajudar colaboradores e executivos a lidarem com a ansiedade por meio de diferentes técnicas de meditação. Segundo Ayres, a MindSelf atua desmistificando o assunto e mostrando como é possível ter mais foco, concentração, motivação e disposição para o dia a dia.

Para Ayres, a saúde mental tem que ser levada mais a sério. “Não somos super humanos, imunes a pressões e sujeitos a ter que aguentar todo tipo de adversidade, sem mostrar nossas fraquezas. O ser humano tem se pressionado muito em busca do sucesso, a busca pelo nosso “ouro corporativo” tem levado muita gente para a exaustão também no ambiente corporativo”, afirma.

E acrescenta: “Que a Simone Biles e a Noemi Osaka sejam exemplos positivos do esporte para que possamos olhar mais para as pessoas como seres normais, que não precisam ser perfeitos em tudo e que possamos lidar com as nossas limitações de forma mais positiva. Não tenha receio em pedir ajuda”, comenta Ayres.

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Por Daniele Costa*

Durante a pandemia, ouvimos o termo modismo quando se tratava de saúde mental, que era algo que estava sendo tratado e abordado pela experiência do momento. Alguns chegaram até a dizer que já estava cansativo ouvir falar sobre, até por conta da comercialização que houve em cima disso. No entanto, cada vez mais a temática “Saúde Mental” vem ocupando o seu devido lugar e vem mostrando que veio para ficar e não se trata de moda e muito menos de assunto do momento.

Daniele Costa é especialista em gestão de pessoas e e facilitadora em desenvolvimento integral humano (Foto: Divulgação)

Saúde Mental é sobre ser humano em meio a um mundo em transformação, no qual a inteligência artificial vem ocupando seu espaço também. E o Universo é muito sábio quando se trata de cada um ocupar o seu devido lugar para o movimento e evolução que se requer no tempo.

Então, surge, Simone Biles, ginasta quatro vezes medalhista de ouro nas Olímpiadas, e que depois de deixar a final da ginástica feminina por equipes, nas Olímpiadas de Tóquio, traz a temática Saúde Mental à tona e ainda deixa uma reflexão de presente para todos nós: “Temos que proteger nossas mentes e nossos corpos e não sair e fazer o que mundo quer que façamos.”

Com esta frase e atitude dela, representou uma enorme contribuição não somente para o mundo do esporte, que lida tanto com alta performance como também para todas as realidades humanas e esferas de atuação. Ela se colocou no lugar de humana e não de máquina. E este olhar se tornará cada vez mais importante nestes novos cenários que estamos vivenciando.

Cada vez mais estamos dizendo um basta para a síndrome do super homem ou da mulher maravilha, que pode, inclusive, nos levar a transtornos como burnout. Um transtorno que acomete a maioria das pessoas que tem um nível de exigência e perfeição acima da média. Talvez em outros momentos da vida ou da história, este movimento da Simone Biles fosse visto como sinal de fraqueza ou imaturidade.

No entanto, cada vez mais temos visto que o desafio de dar voz a este ser humano que possui limites, que é gente, que possui fraquezas e que busca uma forma de vida mais leve e longe de modelos e padrões que levam a pilotos automáticos exaustivos e irreais, vem ganhando espaço nesta nova era que se abre.

Além disso, há um movimento de se criar um novo mindset de que está tudo bem não dar conta de tudo e não ser o melhor em tudo, revisitando as definições de sucesso que viemos construindo nos últimos anos. Saúde Mental tem sido a temática, no entanto, poderíamos trazer outras aqui que fazem um chamado para: não esqueçam a humanidade!

*Especialista em gestão de pessoas é mentora, palestrante e facilitadora em desenvolvimento integral humano. Idealizadora da Plataforma da Vida, é formada em letras, passou pelo serviço público de Brasília e atuou 13 anos como bancária, nove deles como gestora.

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