Sedentarismo pode levar a explosão de casos de osteoporose

Doença causa a perda da qualidade dos ossos e aflige quase 10 milhões de pessoas no Brasil, com mais risco para mulheres na menopausa

Você sabia que uma em cada três mulheres têm osteoporose em todo o mundo? Entre os homens, a incidência da doença é um pouco menor: um em cada cinco apresenta o diagnóstico. Essa doença do metabolismo provoca a perda de massa óssea e a incapacidade de reconstrução das células do tecido ósseo.  O isolamento social causado pela pandemia da Covid-19 levou a um aumento do sedentarismo, o que pode resultar num crescimento dos casos de osteoporose, conforme alertam especialistas.
“Com as pessoas tendo diminuído suas atividades físicas desde março de 2020, aliado ao aumento do envelhecimento da população, da fragilidade dos ossos e, consequentemente, da incidência da osteoporose”, afirma o médico Alexandre Pallottino, coordenador de Ortopedia do Hospital Pan-Americano (RJ).

Na prática do consultório, ele passou a observar maior incidência da doença. “Tenho pacientes, em especial idosos, que apareceram pela última vez em 2019 e só estão voltando agora. Recomendo que retomem o acompanhamento com seus médicos o quanto antes, além de buscar realizar alguma atividade física, com segurança”, destaca.

Entenda a doença dos ossos frágeis

O Dia Mundial e Nacional da Osteoporose (20/10) busca chamar a atenção para essa doença silenciosa e assintomática que reduz a densidade ósseo mineral e causa uma perda de qualidade dos ossos, o que aumenta consideravelmente o risco de fraturas graves. A data reúne campanhas de conscientização no mundo todo, difundindo informações a respeito do diagnóstico, tratamento e, principalmente, prevenção à doença.

A osteoporose é uma doença caracterizada pela diminuição de massa óssea, resultando em ossos mais frágeis. “Podemos dizer que essa é uma doença silenciosa. Infelizmente, a manifestação clínica da osteoporose é a complicação mais grave da doença, as fraturas”, afirma Francisco José Albuquerque de Paula, endocrinologista e presidente da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso).

O envelhecimento também causa, naturalmente, uma perda de densidade óssea. Além dele, algumas enfermidades e a redução da produção de hormônios sexuais também contribuem para essa perda. Assim, uma dieta pobre em cálcio durante a infância pode ocasionar um acúmulo insuficiente de massa óssea para quando isso acontecer.
“A osteoporose ocorre devido a um desequilíbrio entre a reabsorção e a formação óssea – os osteoclastos, que são responsáveis pela reabsorção do osso, estão mais ativos do que os osteoblastos, que formam o osso novo. Por consequência, os ossos ficam mais porosos e com maior risco de fraturas, principalmente na coluna, quadril e punho”, explica Nilton Salles, reumatologista e professor do curso de Medicina da Universidade Santo Amaro – Unisa.

Suplementação de cálcio e vitamina D

Existem alguns hábitos que auxiliam na prevenção à osteoporose e que podem ser feitos por todos. A ingestão correta de cálcio, proteínas e vitamina D, exercícios físicos (podem variar de acordo com o caso do paciente), evitar consumir bebidas alcoólicas e fumar e realizar exames, regularmente, são alguns exemplos.

Segundo a Abrasso, o consumo diário recomendado de cálcio é de 1.200mg para pessoas acima de 51 anos. “A vitamina D é responsável por ajudar o organismo a absorver o cálcio. Ela é obtida, principalmente, por meio da exposição ao sol ou por suplementação. Apenas de 10 a 15 minutos de exposição solar por dia são suficientes para atender nossas necessidades”, ressalta Francisco de Paula.

Segurança em casa para evitar quedas

Para quem já tem a doença, além do tratamento, é fundamental também se minimizar o risco de quedas. Como grande parte das fraturas por osteoporose acontece durante tarefas do cotidiano, é fundamental ter uma casa segura, fazendo algumas pequenas alterações.

A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia tem um projeto chamado Casa Segura, que traz dicas como: retirar os tapetes dos banheiros para evitar escorregões; colocar apoios dentro do box onde se toma banho; e manter uma luz acesa para ajudar a visualização do quarto quando levantar durante a noite, entre outros.

Na cozinha, a altura máxima de armários e prateleiras não deve passar de 1,60m, para facilitar o acesso. O micro-ondas deve estar a uma altura de 1,30m, com uma prateleira ao lado para apoiar pratos. Lavar louças e passar roupas enquanto está sentado é menos cansativo e reduz os riscos de queda.

Também é recomendado evitar escadas, porém, se não for possível, colocar fitas antiderrapantes na borda dos degraus melhora a aderência e sinaliza o limite do chão. Uma fita de led abaixo dos corrimões ajuda a iluminar e não causa ofuscamento. Uma cama mais alta facilita na hora de deitar e levantar. Barras de apoio nos banheiros, pisos antiderrapantes e móveis com pontas arredondadas são outras medidas importantes.

“Outra questão importante é ter cuidado com os pets. O ideal é não dormir com o animal de estimação no mesmo quarto, pois pode ser pisado ao se levantar durante a noite ou se enroscar entre as pernas e causar uma queda”, pontua o ortopedista. “Mas mesmo em casos de identificação de osteoporose mais avançada, o paciente pode voltar ao estágio de normalidade por meio do tratamento. Por isso, buscar informações sobre seu estado é fundamental”, aconselha.

Dicas para prevenir a osteoporose

Medidas preventivas, diagnóstico precoce e início imediato do tratamento melhoram expressivamente a qualidade de vida de quem sofre de osteoporose. “Atividades físicas como caminhadas e corridas estimulam os ossos, que é um tecido vivo e precisa desse estímulo. Musculação também tem um papel muito importante. Esses exercícios atuam na prevenção da osteoporose”, apontam Dr Alexandre.

Para minimizar a chance de desenvolver a doença, além dos exercícios físicos regulares, o ortopedista recomenda uma alimentação rica em cálcio, com laticínios e vegetais de cor verde escura (como couve ou brócolis), por exemplo, e banhos de sol regulares, idealmente de 40 minutos, entre 8h e 10h da manhã. E mulheres próximas aos 50 anos que não tenham contraindicação devem fazer a reposição hormonal, sob orientação e acompanhamento de seu médico.

 

Dados sobre a osteoporose

A IOF (International Osteoporosis Foundation) aponta que cerca de 10 milhões de brasileiros têm a doença, porém, apenas 20% estão cientes disso. Segundo a SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), no Brasil, as fraturas osteoporóticas causam cerca de 200 mil mortes por ano.

Dados publicados, em 2019, pela revista científica Journal of Medical Economics, mostram que a osteoporose custa R$ 1,2 bilhão por ano para a economia brasileira. Cerca de 61% deste valor, o que equivale a R$ 733,5 milhões, está associado à perda de produtividade do paciente. A pesquisa aponta, ainda, que as despesas com hospitalização representam R$ 234 milhões e os custos cirúrgicos, R$ 162,6 milhões.

AGENDA POSITIVA

Campanha recolhe doações de caixa de leite

Um projeto desenvolvido por alunos do Ensino Médio do Positivo International School, em Curitiba, quer contribuir para a conscientização e na prevenção do problema. A iniciativa tem como objetivo debater esse problema e arrecadar caixas de leite para a Fundação Iniciativa, que acolhe crianças de 3 a 18 anos vítimas de negligência e/ou violência.

“Essa é uma doença que afeta pessoas mais velhas, mas a prevenção deve ser feita na infância e na adolescência. Isso é problemático porque nessa idade nós não costumamos pensar na osteoporose, visto que é uma doença que afeta mais os idosos”, detalha o estudante Artur Ulsenheimer, um dos responsáveis pela iniciativa.

Para contribuir com o projeto, as doações de caixas de leite podem ser feitas na sede do Positivo International School, que fica na rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300, no bairro Campo Comprido, em Curitiba.

Testes gratuitos em São Paulo

Neste ano, para o Dia Mundial de Combate à Osteoporose, a Abrasso fará uma ação na Estação de Metrô da Luz, em São Paulo (SP). Nos dias 20 e 21 de outubro, médicos da entidade estarão presentes para orientar, gratuitamente, a população sobre a osteoporose.

Entre as atividades gratuitas, estarão disponíveis três máquinas para o Teste de Calcâneo (exame que avalia a massa óssea por meio de ultrassonometria do calcanhar), junto ao questionário do Teste Frax (desenvolvido para estimar a probabilidade de fraturas de acordo com os fatores de risco relatados na pesquisa).

Fonte: Lion Saúde 

 

Por Favor, Compartilhe!

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

In the news
Leia Mais