Semana do Antropoceno mostra marcas da ação humana no planeta

Exposição interativa gratuita será aberta nesta terça (21) e vai até dia 26 no Museu do Amanhã, como parte da programação do 49º Congresso Brasileiro de Geologia

Redação
Museu do Amanhã - Semana do Antropoceno O Museu do Amanhã, na Praça Mauá, abre nesta terça-feira a Semana do Antropoceno, com entrada gratuita (Foto: Divulgação)

Em que era geológica vivemos hoje? Para muitos, é o Antropoceno, uma época em que os humanos substituem a natureza como força dominante da Terra. Será mesmo? O instigante conceito, proposto pela primeira vez pelo químico holandês Paul Crutzen, Nobel em 1995 por seus estudos sobre a camada de ozônio, será tema de uma semana inteira de atividades gratuitas e abertas ao público em geral no Museu do Amanhã, de terça-feira a domingo, dias 21 a 26 de agosto.

Na terça, dia 21, o 49º Congresso Brasileiro de Geologia levará para o auditório pesquisadores das ciências geológicas, biológicas e sociais para discutir os vários desafios colocados por esta nova época, que une tempo geológico e histórico.  Já no lounge do Museu do Amanhã, até domingo (26), pessoas de todas as idades poderão conhecer a exposição interativa “Explorando o Planeta”, que aborda a relação do ser humano com o meio ambiente.

São diversas atividades, como a mesa interativa do tipo sandbox, que consiste numa caixa de areia com sensor do Kinect para gerar interações por meio de realidade aumentada; análises químicas de diferentes tipos de água; manuseio de fósseis e minerais; exposição de equipamentos antigos de navegação e outros experimentos de pesquisas sobre a geologia continental e oceânica.

As duas atividades fazem parte da Semana do Antropoceno, realizada  em parceria com a Companhia de Pesquisa de Recursos Naturais (CRPM), Museu de Ciências da Terra, Departamento Nacional de Pesquisa Mineral e a Comissão Organizadora do 49° Congresso Brasileiro de Geologia.

Explorando o Planeta

 

Dos alimentos para consumo humano ao combustível que move os meios de transporte, praticamente toda a sociedade depende dos recursos naturais disponíveis no planeta. Apesar disso, nem todos conhecem a relação e os impactos do homem no meio ambiente. Essas são algumas das questões que serão abordadas na exposição Explorando o Planeta, no Museu do Amanhã,  que acontece entre os dias 21 e 26 de agosto,

Fósseis de preguiça-gigante, minerais de vários tipos e equipamentos antigos de navegação fazem parte da exposição que está repleta de atividades para crianças e pessoas de todas as idades. A mostra é realizada pelo Museu de Ciências da Terra (MCTer), do Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB), como pontapé inicial na comemoração dos 50 anos do órgão.

A exposição propõe um desafio: como ter um desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual sem comprometer o nosso futuro.  A proposta é discutir a posição de proeminência dos seres humanos em um período curto na história da Terra e o quanto conhecer o nosso planeta é importante para assegurar um ambiente saudável para as gerações futuras.

De acordo com Rodrigo Machado, paleontólogo do MCTer, a exposição busca demonstrar as consequências positivas e negativas da intervenção do homem no planeta. “Queremos mostrar o quanto o ser humano com sua capacidade de pensar e questionar revolucionou o ambiente ao seu redor e o quanto todo conhecimento produzido explorando o planeta foi importante no passado, continua sendo no presente e será essencial para o  futuro”.

Os visitantes poderão fazer seu próprio experimento geológico e análises químicas com diferentes tipos de água. Será possível responder perguntas como, por exemplo, como a água da torneira, a água do mar e a água da baía de Guanabara são diferentes entre si em termos químicos.

 

 

Realidade aumentada

Outra novidade que Explorando o Planeta traz é a sandbox, atividade inédita no Brasil. Ela é literalmente uma “caixa de areia” com sensores que mostram as diferenças de altura entre os montes de areia – usando, para isto, cores diferentes e realidade aumentada. Com a visualização em uma sandbox, fica bem mais fácil entender conceitos de Geografia como curvas de nível, por exemplo.

“A exposição é interativa e usa uma linguagem didática para explicar conceitos sobre geociências e sua importância no cotidiano das pessoas”, explica a historiadora Nathalia Roitberg, responsável pela gestão do MCTer.

Nathalia conta ainda que cerca de 30 turmas de escolas do Rio de Janeiro já se inscreveram para visitar a exposição e participar de atividades educativas, como por exemplo, escavação de fósseis e oficina para conhecer os efeitos da luz nos minerais, além da exibição de vídeos didáticos.

Marcas da Ação Humana

De acordo com os organizadores da Semana, o homem atua como força geológica, produzindo e consumindo energia e alimentos, transformando recursos naturais e criando novos materiais e um conforto material sem precedentes na história humana. A atividade econômica produzida pelo homem polui rios, mares, solos e lança toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera todos os dias.

Toda esta atividade é o ponto central do que muitos pesquisadores consideram como uma nova época geológica. Agora a comunidade científica, a partir do conhecimento das ciências naturais e humanas, procura definir os marcadores do Antropoceno, entendendo quais são os indícios geológicos e biológicos e os marcadores econômicos e sociais desta nova época.

Vão participar da mesa redonda “Marcas da Ação Humana no Planeta” os especialistas Claudia Gutterres Vilela (Instituto de Geociências/UFRJ); Paulo Vasconcelos (University of Queensland, Australia); Heitor Evangelista da Silva (Departamento de Biofísica e Biometria/UERJ) e Henri Acselrad (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional/UFRJ).

Promovido pela Sociedade Brasileira de Geologia (SBG), o evento acontece das 15h às 18h. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas online.

Visita a outros museus

Ainda como parte da programação do 49º Congresso Brasileiro de Geologia, das 10h às 16h, o público poderá conhecer a exposição  permanente do Museu de Ciências da Terra, que fica na Urca (Avenida Pasteur 404), com entrada franca. Veja aqui. Estudantes de escolas da rede estadual de ensino também poderão conhecer o Museu da Geodiversidade, que funciona na Ilha do Fundão, numa parceria com a Secretaria Estadual de Educação. Saiba mais.

Congresso reúne especialistas em Ciências da Terra

Com o tema central ‘Conhecer o passado para entender o futuro’, o  49º Congresso Brasileiro de Geologia acontece de 20 a 24 de agosto, no Centro de Convenções SulAmérica. O evento espera reunir cerca de 4 mil profissionais (indústria, comércio e serviços), pesquisadores, professores, estudantes (graduação e pós-graduação) das diversas áreas de conhecimento das Ciências da Terra. Também deverá atrair interessados nos temas que envolvem as Geociências, seja na área aplicada ou teórica/acadêmica, além da comunidade em geral.

Durante os cinco dias de congresso, deverão ser apresentados 2.175 trabalhos técnicos e científicos. Além de sessões tradicionais sobre temas relacionados com a formação básica dos profissionais da área de Geologia, aspectos sobre a atividade do geólogo e o mercado de trabalho, haverá mesas redondas sobre grandes temas como Segurança do Trabalho, Defesa das Instituições Públicas de Geologia e da Ciência Brasileira, Petróleo e Gás e Geologia, Mineração e os Recentes Desastres Ambientais.

A programação contará com as sessões temáticas “Geociências, Sociedade e Desenvolvimento Sustentável’, ‘Recursos Minerais e Energéticos’, ‘Tectônica e Evolução Geodinâmica’, ‘Estratigrafia, Sedimentologia e Paleontologia’, ‘Geofísica e Geotecnologia’ e ‘Investigação Básica em Geociências’. Além do 9º Simpósio do Cretáceo do Brasil e do 7º Simpósio de Vulcanismo e Ambientes Associados, haverá outras atividades paralelas, como minicursos, excursões e concurso de fotografia. Os interessados devem acessar o site.

Realização, patrocínio e apoio

O evento é realizado pela Sociedade Brasileira de Geologia (SBG), com organização da MCI e patrocínio da Petrobras, Shell Brasil, Bratexco, Bruker, Fundação Gorceix, Malvern Panalytical, IHS Markit, Instituto de Geociências da USP e Geologia BR, e conta com a parceria com algumas das principais empresas e entidades voltadas para o desenvolvimento das Geociências e da indústria nacional.

São apoiadores as seguintes entidades: ABGE, Agid, Adimb, Anepac, ANP, APG-RJ, DRM-RJ, Geo-Rio, Ibram, IG, ITCG, Pré-Sal Petróleo, SBGf, SBGq, SBP e SBP-RJ; das universidades UFRJ, UFRRJ, UFF, Uerj, Uenf e UniRio, além do Museu Nacional e Rio Convention & Visitors Bureau. Os apoiadores de mídia são Anuário do Instituto de Geociências,  Brasil Mineral, Portal Conexão Construção, Conexão Mineral, Notícias de Mineração Brasil, Paleonotícias, REM – Revista Internacional de Engenharia, Revista Areia e Brita e Revista Plurale.

Serviço:

Semana do Antropoceno no Museu do Amanhã

Mesa Redonda ‘Marcas da Ação Humana no Planeta’

Dia 21 de agosto, terça-feira, das 15h às 18h

Auditório do Museu do Amanhã – Praça Mauá nº 1 – Centro – Rio de Janeiro/RJ

Entrada gratuita. Inscrições online.

Exposição Explorando o Planeta

Dias 21 a 26 de agosto, de terça-feira a domingo, das 10h às 18h

Lounge do Museu do Amanhã – Praça Mauá nº 1 – Centro – Rio de Janeiro/RJ

Entrada gratuita. Saiba mais.

Fonte. Diário do Porto

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