Senador José Serra se trata de câncer de próstata – entenda a doença

Estimativas do Inca apontam para mais de  68.220 novos diagnósticos de câncer colorretal no Brasil, em 2018. Doença tem altas chances de cura se descoberto em fase inicial

Redação

De acordo com matéria publicada pela revista ‘Veja’, nesta segunda-feira (6), o senador José Serra (PSDB) foi diagnosticado com câncer de próstata, após exames de rotina, essenciais para homens em idade adulta. Serra, 76 anos, já iniciou o processo de tratamento. Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam para mais de  68.220 novos diagnósticos de câncer colorretal no Brasil, em 2018. É o segundo mais comum entre homens – ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma.

Somente entre os anos de 2010 e 2015, mais de 80 mil mortes foram registradas pelos dados do Sistema Único de Saúde (SUS) em consequência deste tipo de tumor. Os tumores agridem o cólon e o reto, segmentos do intestino grosso, e têm sintomas como sangramento anal, eliminação de sangue ou muco nas fezes e alteração do hábito intestinal.

câncer de próstata é uma doença com altas chances de cura se descoberto em fase inicial. Com a Vigilância Ativa, ou seja, exames frequentes que permitem o diagnóstico precoce, evitam-se ou postergam-se intervenções cirúrgicas e radioterápicas. O procedimento também é usado para prevenção, diagnóstico e tratamento de outras neoplasias, como é o caso do câncer colorretal: de acordo com as diretrizes atualizadas para rastreamento da doença, a colonoscopia deve ser realizada anualmente a partir dos 45 anos de idade. Com o exame, é possível identificar tumores e lesões pré-oncológicas e eliminá-las, já tratando o câncer.

A colonoscopia permite a visualização direta do interior do reto, cólon e parte do íleo terminal por meio de um tubo flexível introduzido pelo ânus, contendo em sua extremidade uma minicâmera que transmite imagens coloridas, podendo ser fotografadas ou gravadas em vídeo. Ela é considerada padrão ouro dos métodos que se dispõem atualmente, representando a melhor ferramenta para diagnóstico, prevenção e tratamento do câncer colorretal.

A Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED) promove mutirões de prevenção do câncer colorretal, ação social que já realizou mais de 1.100 colonoscopias em pacientes do grupo de risco para a doença. Os especialistas da SOBED já estão à disposição para comentar a importância da vigilância ativa para assistência em saúde e controle de doenças importantes, como o câncer.

Casos na famíla aumentam as chances

Casos familiares de pai ou irmão com câncer de próstata, antes do 60 anos de idade, podem aumentar o risco em 3 a 10 vezes em relação à população em geral. “A neoplasia afeta somente os homens, já que é uma glândula que faz parte exclusivamente do aparelho reprodutor masculino. Parentes de primeiro grau com tumor de próstata, em idade jovem são fatores de risco. Em alguns casos, apesar de discutível, a má alimentação pode ser um fator que aumenta as chances da doença se desenvolver”, explica Andrey Soares, oncologista do Centro Paulista de Oncologia (CPO) – Grupo Oncoclínicas.

Ao receberem o diagnóstico do câncer de próstata, muitos homens se questionam sobre as causas da doença e os possíveis tratamentos que podem ser seguidos. No começo, pelo fato dos sintomas serem silenciosos, o câncer de próstata é de difícil diagnóstico, já que a maioria dos pacientes apresenta indícios apenas nas fases mais avançadas da doença. Quando aparentes, os primeiros sintomas que são detectados no câncer de próstata podem ser semelhantes ao crescimento benigno da glândula como dificuldade para urinar seguida de dor ou ardor, gotejamento prolongado no final, frequência urinária aumentada durante o dia ou à noite. Em fases mais avançadas da doença, é possível a presença de sangue no sêmen e impotência sexual, além de sintomas decorrentes da disseminação para outros órgãos, tal como dor óssea nos casos de metástases ósseas.

Por ser difícil de ser diagnosticado, é recomendável que homens a partir de 50 anos (e 45 anos para quem tem histórico da doença na família) façam o exame clínico (toque retal) e o PSA anualmente para rastrear o aparecimento da doença. O PSA é uma proteína especifica produzida pelas células da glândula (presente apenas em homens) e cuja taxa, em média, deve ser de quatro nanogramas por mililitro. Uma alteração deste valor para números mais elevados, um aumento muito rápido entre duas medidas, ou até mesmo valores menores, porém em pacientes jovens e com próstata pequena pode ser um indicativo do câncer e é importante aliado para a detecção da condição em sua fase inicial, quando ainda é assintomática.

Quando estas alterações aparecem e há uma suspeita da doença no organismo do homem, é indicada uma biópsia através de ultrassonografia transretal para a confirmação do diagnóstico.

Entenda os possíveis tratamentos da doença

O tratamento depende do estágio e da agressividade em que a doença se encontra. Eles devem ser projetados individualmente para cada paciente de acordo com o seu quadro clínico pessoal. No caso em que a doença se encontra no estágio inicial e com características de baixa agressividade, o acompanhamento vigilante com consultas e exames periódicos deve ser discutido com o paciente, uma vez que é possível poupar os mesmos de algumas toxicidades que o tratamento causa.

Nos outros casos de doença localizada, a cirurgia, a radioterapia associadas ou não a bloqueio hormonal e a braquiterapia (também conhecida como radioterapia interna) pode ser realizada com boas taxas de resposta positiva. “Após realizarem a cirurgia, em alguns casos é necessário realizar o procedimento de radioterapia pós-operatória para a diminuição do risco de recaídas”, completa Dr. Andrey.

Quando os pacientes apresentam metástases, diversos tratamentos podem ser realizados com excelentes resultados como o bloqueio hormonal, a quimioterapia, novos medicamentos que controlam os hormônios por via oral e também uma nova classe de remédios que são conhecidas como radio isótopos, partículas que se ligam no osso e emitem doses pequenas de radioterapia nestes locais.

Curiosidades sobre a próstata aumentada

Pouca gente sabe que por volta dos 45 anos a próstata aumenta naturalmente de tamanho. Esta condição, chamada Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP), atinge cerca de 14 milhões de brasileiros – de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia – e não tem relação com o câncer de próstata. Porém, de acordo com especialistas, a HBP é a doença mais comum da próstata e prejudica a qualidade de vida do homem, afetando sua rotina e vida sexual, e por isso merece atenção.

“A HBP está relacionada ao crescimento natural da próstata que, com o tempo, acaba obstruindo parcial ou totalmente a uretra e provoca problemas urinários como jato fraco, gotejamento e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga”, explica o médico urologista e membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Dr. Ravendra Moniz.

Para auxiliar no cuidado com a saúde masculina, o especialista listou dicas e curiosidades sobre a próstata aumentada:

1: conheça os fatores de risco

O principal fator de risco é o envelhecimento, mas genética, diabetes, obesidade e tabagismo também podem contribuir para o aumento da próstata. Ter uma vida saudável, com alimentação equilibrada, pode ajudar a diminuir as chances de apresentar a condição.

2: fique atento aos sintomas

Como o aumento da próstata pode causar transtornos urinários, a maioria dos sintomas estão relacionados a isso e começam silenciosos. O homem pode suspeitar de HBP caso tenha: dificuldade de urinar, fluxo urinário fraco, necessidade frequente ou urgente de fazer xixi, aumento da vontade de urinar durante a noite, entre outros.

3: faça check up anual e converse com seu urologista

Apesar do alerta para a realização do exame de prevenção, 51% dos brasileiros nunca foram ao urologista, segundo pesquisa da SBU. Para prevenir o surgimento dos sintomas, depois dos 40 anos de idade já é indicado ir ao médico regularmente. Além do histórico do paciente, devem ser realizados exame físico geral, urológico completo e exames laboratoriais.

4: conheça os tratamentos

Os casos mais leves são tratados com medicamentos enquanto os mais severos têm indicação cirúrgica. Mais de 30% dos pacientes precisam de cirurgia para reduzir o tamanho da próstata. O tratamento mais avançado no Brasil atualmente é a cirurgia a laser e não invasiva para próstatas de até 100g – uma próstata saudável tem o tamanho equivalente ao de uma noz e pesa cerca de 15 gramas.

A tecnologia consegue tratar uma próstata seis vezes maior que o normal, é mais rápida, evita sangramentos e não oferece risco para pacientes cardíacos. Além disso, o tratamento de vaporização da próstata por meio do laser reduz o tempo de internação e recuperação – o paciente tem alta em 24 horas.

Da Redação, com Assessorias

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