Suicídio: Como cuidar da dor de quem fica?

‘Essas pessoas vivem atormentadas por um fantasma, o que pode levar ao adoecimento psíquico, como transtornos de ansiedade e estresse’, diz especialista

Redação

suicídio é um problema que se estende e atinge não apenas o suicida, mas também todas as pessoas que estão à sua volta. Quem convive com o suicídio ou com a iminência dele, como familiares, amigos e todos aqueles que de alguma forma estão diretamente envolvidos com alguém que já tentou ou que pensa nessa possibilidade, também pode apresentar adoecimento psíquico. Isso se agrava quando se convive com o ato efetivado. Por isso, é importante estender o olhar e perceber que estas pessoas também precisam de ajuda especializada.

“Aparentemente esse tipo de desfecho traz um peso maior do que qualquer outro, pois deixa nas costas dos que ficaram a culpa por não ter evitado ou não ter estado próximo o suficiente do ente querido para salvá-lo desse destino fatal. Além disso, essas pessoas têm que conviver com os riscos de um novo episódio na família, tendo em vista que muitos dos motivadores do suicídio são psicopatologias de ordem hereditária, como a depressão, e por isso podem reincidir, elevando o risco de novos episódios de suicídio. Essas pessoas vivem atormentadas por um fantasma, o que pode levar ao adoecimento psíquico, como transtornos de ansiedade e estresse”, afirma o psicólogo da Holiste, Cláudio Melo.

Sofrimento silencioso

Na maior parte dos casos, o suicídio não expressa um desejo de morte, mas uma tentativa de alívio para um sofrimento insuportável ou um pedido de socorro desesperado, ressalta o psiquiatra Victor Pablo da Silveira. “Em momentos de maior serenidade há perplexidade na mente das pessoas com comportamento suicida, porque racionalmente não anseiam realmente morrer. Estão ávidas para falar com alguém a respeito do que sentem e obter um acolhimento desprovido de julgamentos”, alerta, destacando que, ao receber esse acolhimento e o devido tratamento, o suicídio pode ser evitado.

Victor aponta que os comportamentos suicidas envolvem fenômenos como a contemplação passageira da possibilidade de se matar, o que pode evoluir para planejamentos vacilantes ou mais decididos, chegando às tentativas desesperadas ou letais. Mais de 80% dos casos ocorre em pessoas que têm sintomas de depressão maior, mas também podem ocorrer em pessoas com temperamento explosivo/ impulsivo ou com problemas de uso e abuso de substâncias psicoativas, como álcool e cocaína.

“O cotidiano de uma pessoa com potencial suicida pode ou não estar associado a gestos de negligência com a própria saúde, queda da produtividade, isolamento social, exposição a situações de risco e precariedade na qualidade de vida. Muitas vezes a ocorrência de alguma adversidade ou mudança de vida pode funcionar como gatilho para o impulso”, completa o psiquiatra da Holiste.

Campanha na Bahia

A Bahia registrou cerca de 400 suicídios em 2017, de acordo com o Ministério da Saúde. Ainda segundo as estatísticas do Ministério, entre 2011 e 2015, 2.685 pessoas tiraram a própria vida no nosso Estado. Estas vidas poderiam ser salvas com o tratamento adequado, visto que praticamente 100% das pessoas que se matam sofrem com algum transtorno mental.

Justamente para promover a consciência de que sintomas como sofrimento, ansiedade, angústia e tantos outros precisam de assistência especializada, a Holiste Psiquiatria participa mais uma vez da campanha do Setembro Amarelo, com o intuito de auxiliar o trabalho de conscientização e prevenção do suicídio.

“Nos últimos anos, a campanha do Setembro Amarelo vem ganhando visibilidade e força no Brasil. O conhecimento da natureza do suicídio é relevante por ser uma das principais causas de morte e lesões físicas entre jovens. A campanha de prevenção, em diversos países, ajudou pessoas com pensamentos suicidas a serem acolhidas com maior facilidade e teve impacto na redução das mortes juvenis”, pontua o psiquiatra Victor Pablo da Silveira.

 

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