Setembro Amarelo: um em cada quatro suicidas têm problemas com drogas

Taxa aumentou em 65% entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos entre 2000 e 2015. Entre 15 e 19 anos, aumento foi de 45%. Especialistas explicam que razões principais são depressão e uso de drogas

Rosayne Macedo
Depressão é uma das principais causas do suicídio (Imagem meramente ilustrativa - Reprodução de Internet)

Pesquisa do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, da faculdade Latino Americana de Ciências Sociais, com base de dados no Ministério Público, de 2000 a 2015, mostra que o suicídio na faixa etária de 10 a 14 anos aumentou 65%  e, entre os adolescentes com 15 a 19 anos, subiu 45%. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é a segunda maior causa de morte nesta faixa etária e  90% dos suicídios poderiam ser evitados.

“O assunto é um tabu para a sociedade, precisa de bastante atenção e, principalmente, de diálogos, para que as pessoas conquistem o equilíbrio emocional com tratamentos especializados, para combater esse tipo de atitude”, afirma o psicólogo Valdecy Carneiro, especialista em Medicina Comportamental pela Unifesp, doutorando em Psicologia e hipnoterapeuta.

“Dentro das escolas, seria muito bom que psicólogos capacitados promovessem debates sobre suicídio; para prevenir, é preciso ajudar o jovem a falar do que sente”, avalia o psiquiatra Jorge Jaber, que observa em sua clínica aumento em internações de adolescentes após tentativas de suicídio.

Segundo Jaber, as razões principais são depressão e uso de drogas. Já para Valdecy é uma prática que na maioria das vezes, pode estar associada à dificuldade de lidar com frustrações, bullying, pressões sociais, falta de atenção, depressão, ansiedade e questões sobre a sexualidade.

“A tendência natural do adulto é tentar convencer o jovem a não ter comportamento de risco e assim ele fala mais do que ouve. Se estimularmos o jovem a falar sobre seus sentimentos, a tendência é ele encontrar uma válvula de escape para o desejo de se matar. Se os sinais não cederem, ai sim será necessária a presença do médico.”, diz o psiquiatra.

Especialista em dependência química pela Universidade de Harvard, Jaber destaca que as maiores causas de atendimento nos hospitais de emergência são acidentes, tentativas de suicídio (mais comuns em jovens de classe média e classe média alta) e homicídios (execuções de envolvidos ou confundidos com envolvidos com o tráfico, na maioria jovens de classes mais baixas).

Confira entrevista do diretor da Clínica Jorge Jaber ao ViDA & Ação:

Há dados sobre o número de pessoas com dependência química que tentam suicídio?

Cerca de um quarto dos suicidas, 22,5% das pessoas que cometem suicídio, têm problemas com uso de drogas. Na verdade, também pessoas que usam drogas sem graves problemas se matam. O segundo maior fator ligado ao suicídio é o uso de álcool e outras drogas, incluindo-se o tabaco.

Qual o perfil de quem mais atenta contra a vida?

 O suicida padrão tem um problema psiquiátrico, geralmente depressão. Portanto, é uma pessoa que demonstra certa tristeza, falta de ânimo, desinteresse, dificuldade com a memória , irritabilidade, mudanças no apetite e no padrão de sono e da atividade sexual, tanto para mais quanto para menos. O segundo ponto é o uso de substâncias químicas.

Como reconhecer se uma pessoa tem potencial de se matar?

Alguns  fatores são muito importantes:
– Existência de tentativa anterior. Aquela pessoa que tentou se matar merece cuidado maior. Um dos enganos comentados pelos leigos é que a pessoa tenta para chamar atenção. pelo contrario. A metade das pessoas que se matam geralmente fizeram tentativa antes, então nunca deve ser visto como encenação.
– Atenção especial aos desesperançados, desesperados, desamparados e impulsivos. Os três primeiros D’s levam a pessoa a pensar em suicídio e a impulsividade desencadeia o processo.
– A idade –  Devemos ter maior atenção atualmente a adolescentes que, nos últimos anos, a partir dos 10 anos de idade, apresentaram aumento de mais de 60% de suicídios. Muita atenção às características descritas quando ocorrem na adolescência.
Idosos também têm maior incidência, principalmente se forem sozinhos, viúvos, se têm doença crônica como hipertensão, diabete, hvi, tumores, etc, e se estão aposentados.
– O fato de ter ocorrido suicídio na família é um forte alerta de possível repetição entre seus membros.
– Um outro fator importante é o afastamento social, que nos tempos atuais, em que a comunicação pessoal próxima olho no olho está sendo substituída pelas mídias de comunicação, provocando isolamento.

 5 dicas de como ajudar uma pessoa com ideias suicidas

1 – Basta conversar sobre o assunto. Isso ja diminui a tendência ao suicídio como comprovado pelo CVV, que salva vidas pelo telefone 188, simplesmente ouvindo a pessoa.  Estimular que as pessoas falem sobre o tema livremente, sem serem interrompidas. literalmente emprestar o ouvido.
2 – Não procurar convencer a pessoa usando argumentos. Isso tende a criar rejeição
3 – Quando uma pessoa conversa sobre vontade de se matar, ela está criando um vínculo com quem escuta. A pessoa que deseja ajudar deve fortalecer este vínculo, por exemplo, oferecendo um copo d’água, mais tempo para ouvir, mostrando interesse, procurando local de encantamento para conversar, como um jardim, uma praia, um museu.
4 – Confiar em que é possível melhorar e repetir frases como: é possível melhorar, isso também passará e dias melhores virão.
5 – Procurar ajuda profissional especializada.

 

Da Redação, com Assessorias

VEJA MAIS:

Setembro Amarelo: 17% dos brasileiros já pensaram em tirar a própria vida

Setembro Amarelo: nem sempre suicidas sofrem de depressão

 

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.