Sexo não tem idade, mas é preciso se cuidar

idosos

É cada vez maior o número de pessoas com mais de 60 anos no Brasil. Segundo o IBGE, essa população saltou de 4,8% em 1991 para 7,4% do total de brasileiros em 2010. Quem vive na terceira idade também planeja, viaja, gasta, se relaciona, vive… e faz sexo, claro! Neste Dia Mundial do Idoso (1º de outubro), a fisioterapeuta pélvica Mônica Lopes, diretora da Clínica Salutaire, lembra que o mais importante é desmistificar os tabus relacionados à sexualidade no envelhecimento e que remetem a estereótipos.

“Os idosos não são pessoas assexuadas. O sexo está presente nas relações em todas as fases da nossa vida e é preciso cuidar da saúde para manter o corpo e a mente sãos”, afirma. Para ela, a sexualidade na terceira idade deveria ser melhor degustada, pois nesta fase os filhos já estão criados e o ritmo de trabalho reduzido. Então, sobra mais tempo para cuidar da vida e do relacionamento.

Segundo ela, a atividade sexual só proporciona ganhos. Mas, como o sexo é uma atividade física, é importante estar de bem com a saúde. “São cada vez mais importantes os cuidados com a qualidade de vida e com a saúde para um bom envelhecimento. Cuidados esses que vão se refletir também na hora do sexo”, explica a especialista.

Como qualquer pessoa com vida sexual ativa, os idosos devem ficar atentos para os riscos das doenças sexualmente transmissíveis, como o HPV, Aids e hepatites. Já as mulheres devem procurar seus ginecologistas no caso de ressecamento vaginal, pois com isso, a prática sexual, além de desconfortável, pode levar a infecções urinárias ou vaginais.

Mônica lembra que, ao contrário do que prega nossa cultura, não é só o homem que deseja manter a vida sexual ativa na terceira idade. A mulher também. “Da mesma forma que, ao primeiro sinal de rugas, as mulheres buscam receitas estéticas, também deveriam prestar atenção e queixar-se mais aos seus ginecologistas ao primeiro sinal de declínio sexual”, ensina a especialista.

Mudanças físicas e emocionais no envelhecimento feminino que se prolongam na menopausa precisam ser vencidas para preservar a saúde do relacionamento. Na terceira idade, a mulher pode apresentar casos de secura vaginal, dores, flacidez perineal, maior tendência à infecção urinária, osteoporose e doenças cardiovasculares.

A fisioterapeuta pélvica explica que a resposta sexual feminina está pautada em fatores físicos, psicológicos e socioculturais, independentemente da fase de vida em que ela se encontra. A libido pode diminuir e a mulher pode sentir até desconforto ou dor no ato sexual, mas é importante lembrar que a menopausa, por si só, não diminui o interesse da mulher por sexo nem o seu potencial para reagir aos estímulos.

Técnica ajuda a manter o prazer no sexo

O segredo, diz a terapeuta, é investir na prevenção. Além de manter a atividade física, boa alimentação e consultas ao ginecologista, a mulher pode contar com a Fisioterapia Uroginecológica. “Este é um aprimoramento sexual, que cuida especificamente dos músculos perineais, que participam ativamente do ato sexual e podem apresentar flacidez no climatério e menopausa”.

O conceito de fisioterapia uroginecológica se traduz pelo reconhecimento das disfunções relacionadas a estes músculos perineais ou do assoalho pélvico. O tratamento é feito através de exercícios de fortalecimento e coordenação com auxílio de equipamentos como eletroestimulador, cones e ben-wa, utilizadas no pompoarismo.

Mônica Lopes explica que o tratamento fisioterapêutico proporcionará a estas mulheres uma conscientização da musculatura envolvida na atividade sexual. “A técnica facilita a percepção da intensificação do prazer, facilitando a obtenção do orgasmo, além de auxiliar na prevenção dos indesejáveis sintomas de incontinência urinária e fecal”, esclarece a fisioterapeuta.

Com a colaboração de Elisa Motta

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