Sexo sem proteção faz aumentar o risco de câncer

Aumento dos casos de infecção por HPV, que pode levar ao câncer, é grande. Preocupação é maior entre os jovens, por conta da liberdade sexual, diz médico

Nesta nova matéria da série sobre Câncer, que trazemos na Semana Mundial de Combate ao Câncer em ViDA & Ação, destacamos o aumento no número de casos relacionados à infecção pelo chamado papilomavírus humano – conhecido como HPV. Sua transmissão entre homens e mulheres ocorre por meio da prática sexual sem proteção, inclusive durante o sexo oral. Entre as consequências desse cenário, está o aumento do número de casos de câncer, o que já é considerado por especialistas e governo como problema de saúde pública.

Além dos tumores de orofaringe e colo do útero, a infecção pelo HPV está ligada a mais de 90% dos casos de câncer anal, 63% dos cânceres de pênis e 71% dos cânceres de vulva. Essa preocupação em especial está relacionada à geração de jovens e adultos que nasceu após o “boom” do HIV e, apesar de bem informada e consciente dos riscos envolvendo doenças sexualmente transmissíveis, apresenta índices elevados de contágio pelo HPV.

O que acontece é que o risco de desenvolver o tumor maligno entre os jovens é muito grande pela liberdade sexual adquirida nos últimos anos. O HPV, em conjunto com o tabagismo (consumo de cigarro) e o etilismo (consumo de álcool), estão diretamente associados ao desenvolvimento precoce de tumores malignos”, explica Andrey Soares, oncologista do Centro Paulista de Oncologia – Grupo Oncoclínicas.

Alerta: maioria não usa preservativo para se prevenir do câncer

Campanha de vacinação

Não à toa, o Ministério da Saúde lançou recentemente uma nova campanha de mobilização para vacinação de adolescentes contra o vírus e também incluí proteção para a meningite C. O objetivo é imunizar 10 milhões de jovens, considerando meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos ao longo de 2018.

Segundo estudo apresentado pelo governo federal na abertura da campanha, dados do projeto POP-Brasil coletados em 2017 indicam que pessoas entre 16 e 25 anos apresentam uma prevalência estimada do HPV de 54%. Além disso, o HPV atinge de forma massiva a população feminina. Em média, 75% das brasileiras sexualmente ativas terão contato com o HPV ao longo da vida, sendo que o ápice da transmissão do vírus acontece justamente na faixa dos 20 anos.

“Atualmente possuímos uma alta incidência de câncer de colo do útero entre a população feminina no Brasil, sendo ele hoje considerado a quarta maior causa de morte entre as mulheres. Ao todo, são estimados 16 mil casos da doença por ano. Quando tomamos conhecimento do agente causador da doença, os dados são ainda mais alarmantes, pois 90% das mulheres acometidas com câncer de colo do útero têm o vírus HPV”, revela o oncologista Daniel Gimenes, também do CPO.

Vacinação como prevenção ao câncer

“As neoplasias decorrentes do contágio pelo HPV são consideradas problema de saúde pública e o Ministério da Saúde desempenha um importante papel no controle dentro de seu Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) no Brasil, o que inclui a vacinação contra esse vírus sexualmente transmissível”, complementa o Dr. Andrey.

Para os especialistas, a prevenção primária, por meio da vacina para imunização, está diretamente relacionada à diminuição do risco de incidência do câncer e, por isso, é recomendada geralmente para garotas e garotos que ainda não iniciaram a vida sexual.

Importância do diagnóstico precoce

Em complemento, os oncologistas do CPO destacam os exames periódicos para detecção de tumores. “Falar de diagnóstico precoce é sempre importante, pois considerando que boa parte dos tumores relacionados ao HPV, como colo de útero e garganta, pode ter sintomas silenciosos, muitas vezes os pacientes perdem a chance de descobrir a condição ainda na fase inicial. De forma geral, quando diagnosticado precocemente é possível que haja uma redução de até 80% de mortalidade pelo câncer”, afirma o Dr. Andrey.

O especialista reforça essa percepção. “Se pensarmos em tumor orofaríngeo, os primeiros sinais podem aparecer por meio de feridas que não cicatrizam na boca nos primeiros 15 dias, além do aparecimento de nódulos no pescoço. Dor para mastigar ou engolir também são sintomas que não devem ser ignorados.

Estes fatores, ligados à rouquidão persistente, manchas/placas vermelhas ou esbranquiçadas na língua, gengivas, céu da boca e bochecha, bem como lesões na cavidade oral ou nos lábios, aparecimento de pequenas verrugas na garganta ou na boca e dificuldade na fala podem revelar um possível diagnóstico com associação ao HPV. Portanto, é muito importante que seja acompanhado de perto por um especialista”, finaliza.

Fonte: CPO, com Redação

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

In the news
Leia Mais