Solidariedade disparou no Brasil, movida pela pandemia do coronavírus

Confira dados de pesquisas que confirmam uma onda solidária para ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade social

Parecia um ano igual aos outros, até que a pandemia do novo coronavírus mudou tudo. As desigualdades econômicas e sociais ficaram ainda mais evidentes – e todos nós ganhamos o compromisso de redefinir a realidade. A generosidade se manifestou logo no início de 2020 e transformou esse em um ano de recorde de doações: ultrapassamos R$ 6 bilhões arrecadados em lives, campanhas de financiamento coletivo e por grandes empresas e filantropos.

De acordo com a Stilingue, única plataforma de inteligência artificial para monitoramento e interação com consumidores desenvolvida para o português do Brasil, entre 1º de abril e 23 de novembro de 2020, foram analisadas cerca de 1.9 milhões de postagens nas redes sociais  sobre doações – um volume 307% maior quando comparado com menções à voluntariado, por exemplo.

Em 2019, o volume de menções referentes ao termo “doar” somaram pouco mais de 868 mil, um volume 54% menor quando comparado com este ano. Apesar do crescimento ao longo do ano, percebe-se uma queda das menções nos meses de relaxamento da quarentena. Enquanto em junho houve 9.6 mil citações sobre doação, em agosto foram registradas 6.8 mil, uma queda de 29%. A pesquisa voltou a registrar alta nos meses de setembro e outubro quando as menções ficaram acima de 7.2 mil.

Entre as doações mais citadas, a expressão “Doar Sangue” aparece com 6,9%, seguida de “Doar Máscaras” ou itens relacionados ao combate da Covid-19 com 5,1%. Doar “Alimentos” e “Cestas Básicas” aparecem com 4,1% e “doar roupas” com 3,6%. As marcas tiveram uma participação muito importante ao impulsionar a hashtag #DiadeDoar e representaram 53% das publicações que somaram 2,4 mil menções. Outras principais palavras foram: Movimento, Cultura de Doação, Tempo e Doação.

Foi um ano diferente de tudo que já vivemos até aqui, inclusive na cultura de doação. O assunto ganhou espaço. Agora, precisa se fortalecer nas conversas que acontecem em todos os lugares, da mesa de jantar em família à mesa onde diretores de grandes empresas tomam decisões”, diz Rodrigo Pipponzi, cofundador do Instituto MOL.

Em um dos momentos mais desafiadores da nossa história, vimos a agilidade e a força que alianças multissetoriais podem ter para mobilizar, articular e direcionar recursos. Isso ilustra o potencial da filantropia no Brasil, e nos motiva a trabalhar cada vez mais pela cultura de doação e pela generosidade”, diz Carola Matarazzo, diretora-executiva do Movimento Bem Maior.

“É hora de furar a bolha e mostrar que doação não é caridade: é um gesto cidadão que carrega consigo o poder de moldar o mundo que queremos ver daqui para frente”, afirma Roberta Faria, cofundadora do Instituto MOL. Para Richard Sippli, relações institucionais do Movimento Bem Maior, o florescer de uma sociedade mais generosa só é possível através da mudança de hábitos individuais. “Precisamos parar de temer a empatia e entender que ela é a bússola do futuro.”  

Número de voluntários cresceu 12% na Atados; maioria é jovem

Atados revelou que durante a pandemia houve aumento de 12% nas inscrições para trabalho voluntário quando comparado ao mesmo período de 2019. Durante a pandemia do novo coronavírus, diversas ONGs e instituições ficaram em situação de vulnerabilidade, precisando do auxílio de novos colaboradores e de equipe. A iniciativa social que conecta pessoas e organizações facilitando o engajamento em diversas oportunidades de voluntariado conta com mais de 2.500 ONGs inscritas e mais de 155 mil voluntários.

Segundo a plataforma, 249 novas ONGs se cadastraram no site em busca de voluntários. O distanciamento social fez com que a procura por voluntariado a distância (online) desse um salto: aumento de 252% comparado ao mesmo período de 2019. “As pessoas passaram a ter mais tempo em suas mãos para dedicar ao próximo, e acreditamos que esse foi o principal motivo para o crescimento que percebemos na plataforma”, disse Beatriz Basile de Carvalho, coordenadora de redes do Atados.

O perfil do voluntariado também mudou na pandemia. De acordo com o levantamento, em 2019 existiam 73% de mulheres e 27% de homens cadastrados na plataforma do Atados. Em 2020, esse número mudou: mais homens estavam inscritos para práticas voluntárias (45%). A mudança também foi vista com relação à faixa etária. Enquanto em 2019, os jovens representavam apenas 14% dos inscritos, em 2020 uma fatia de 35% dos inscritos tem entre 18-24 anos.

A quarentena revelou de forma exacerbada diversos problemas que sempre existiram, muitas vezes invisíveis para muitos. Com certeza esse período fez com que as pessoas se sentissem mais solidárias e estivessem mais dispostas a doar tempo e recursos”, concluiu Beatriz. 

Dia de Doar alcançou 26 milhões de pessoas nas redes sociais

Um dos principais sinais dessa mudança de cultura foi o crescimento no Brasil do Dia de Doar (1º de dezembro), um movimento global para promover doações no mundo todo, e uma mobilização que incentiva a generosidade e a solidariedade, por meio da conexão de pessoas com causas celebrando o prazer e o hábito de doar com frequência. Em 2020, a mobilização dos brasileiros começou quando a sociedade percebeu que era hora de olhar com mais atenção para o próximo em um momento de crise inédita: a pandemia do novo coronavírus.

Neste Dia de Doar observamos um grande envolvimento de todo o país para promover a generosidade, com alcance de 26 milhões de pessoas só nas redes sociais, sem considerar outras mídias. Grandes empresas se envolveram também, e promoveram ações de engajamento com causas”, afirma João Paulo Vergueiro, diretor executivo da ABCR, responsável pelo Dia de Doar.

Dia das Boas Ações já acontece em mais de 100 países

Como parte das ações realizadas pelo Atados em 2020, a quinta edição no Brasil do Dia das Boas Ações – maior movimento de voluntariado do mundo, promovido para mobilizar e despertar pessoas, organizações e empresas para a atuação social – aconteceu no dia 5 de dezembro, no Dia Mundial do Voluntariado, em um evento online aberto e gratuito.  

Realizado em mais de 100 países no mundo, a iniciativa é organizada no Brasil pelo Atados, em parceria com a Muda Cultural. O evento tem o intuito de fortalecer e aumentar o movimento e a cultura do voluntariado no Brasil. Esse ano, por ser um evento online, o movimento será nacional, mobilizando pessoas em todos os estados brasileiros.

Considerado o maior movimento de mobilização voluntária do mundo, o Dia das Boas Ações aconteceu pela primeira edição vez no Brasil em 2016 e teve atividades distribuídas por mais de 40 cidades, beneficiando mais de 40 mil pessoas em quase 300 iniciativas. Na edição passada, o evento mobilizou 108 países, com 23.000 projetos e mais de 3.900 voluntários. 

Quanto aos temas das causas mais procuradas no site do Atados, os que mais chamaram a atenção do público foram as relacionadas à treinamento profissional, combate à pobreza, educação, mulheres e direitos humanos. O propósito do DBA é conectar pessoas interessadas e preocupadas com o próximo à causas e ONGs que podem contribuir. É ser um ponto de partida para uma atuação voluntária com real poder transformador”, explica Marina Frota, diretora do Atados.

A palavra empatia ganhou força na pandemia

*Clemilda Thomé

Motivados ainda mais pela crise causada pela pandemia, gestos de solidariedade dispararam em todo o país. Empatia foi uma das palavras que ganharam força em 2020, e se tornaram indispensáveis para ajudar àqueles que mais precisaram num ano tão caótico.

O ano de 2020 também nos mostrou a importância da solidariedade. Em meio a diversas crises no país, como a econômica e a de saúde, vimos que só era possível passar por este momento estendendo a mão ao próximo, fosse com doações materiais ou com atitudes generosas de carinho e apoio emocional.

Milhões de pessoas perderam seus empregos, com isso, vimos diversas situações de pedidos de ajuda, desde alimentos, porque a fome apertou, até emocional porque a solidão se elevou a patamares altíssimos. Assim,uma corrente de voluntários dispostos a ajudar o próximo surgiu em vários lugares por todo o país.

Quando falamos em saúde, muitos se mobilizaram para auxiliar pessoas que contraíram a Covid-19, ou do grupo de riscos, como os idosos. Nesse sentido, vimos até atitudes inusitadas e muito valiosas: casos de plaquinhas em elevadores dos prédios, com números de apartamento dos moradores que se colocaram à disposição para fazer uma compra no mercado, na farmácia e cuidar de outras necessidades para quem mais precisava.

Mas, nem tudo são flores, também observamos, infelizmente, uma queda na questão de doações de sangue. Só que o brasileiro, bom de coração, também pensou nisso e daí surgiram diversas campanhas de incentivo à doação de sangue, para ao menos, deixar a situação um pouco mais amena.

Diariamente, tenho visto o voluntariado crescer. Notados as pessoas de coração aberto querendo ser mais úteis, fazerem algum tipo de diferença. Mas, aí você me pergunta: onde quero chegar com tudo isso? Mostrar algo que vivo dizendo a respeito: gratidão e generosidade que, inclusive, salvam vidas.

Quando praticamos a generosidade, nos tornamos pessoas melhores. Não porque fizemos algo bom para alguém, mas porque quando olhamos para o problema do outro, geralmente percebemos que somos nós quem aprendemos. Quando doamos alimento a alguém, é a nossa alma que passa a ser alimentada. E assim, enviamos uma mensagem positiva para o mundo, e a corrente do bem se expande. Não importa quem você é, onde está, quais os seus objetivos, em que área você trabalha ou quanto dinheiro tem na sua conta bancária, todo mundo é capaz de ser solidário.

Dias atrás li a noticia de um morador de rua que vende limões para alimentar os seus melhores amigos, os gatinhos da rua que moram com ele. Esse senhor não tem nada, sequer um teto pra morar, mas mesmo assim, ele não se colocou em primeiro lugar. E quantos de nós vivemos em abundância e não somos capazes de um gesto como esse?

“A alma generosa prosperará e aquele que atende também será atendido”, já dizia um proverbio bíblico.  Se deixe motivar pelos casos de generosidade ao seu redor. Comece seu ano fazendo boas ações, e com certeza o universo irá te recompensar. Pode ter certeza que a pessoa que começou a praticar a solidariedade em janeiro de 2021 não será a mesma em dezembro. Será muito melhor!

*Clemilda Thomé é empresária, presidente do Conselho de Administração da DSS Holding e faz parte do Instituto Sou 1 Campeão, que oferece cursos voltados para performance física, prosperidade financeira e equilíbrio emocional.

Mais informações: https://www.atados.com.br/dba

Com Assessorias

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