Terapia oral avança no tratamento do câncer de mama

Câncer de mama é o tipo de tumor cujos progressos em pesquisas vêm mostrando bons resultados e alternativas mais avançadas de tratamento

Atualmente o câncer de mama lidera o ranking dos que mais afetam a população mundial, segundo o mais recente levantamento da Organização Mundial de Saúde (SMS), feito em 2020, com mais de 2,2 milhões de casos, 11,7% do total. A boa notícia é que este é o tipo de tumor cujos progressos em pesquisas vêm mostrando bons resultados e alternativas cada vez mais avançadas de tratamento, conforme explicam os especialistas.

“Esse foi um ano excepcional em termos de avanços no combate ao câncer de mama, com dados extremamente relevantes. O câncer de mama começa realmente a mergulhar na era genômica, ou seja, de tratamentos direcionados por biomarcadores. Durante o Simpósio iremos aprofundar as conversas sobre os impactos desses avanços na rotina de cuidados com pacientes aqui no Brasil”, afirma o oncologista Max Mano, líder de tumores de mama do Grupo Oncoclínicas.

Um dos estudos internacionais recentes é o OlympiA, que traça alternativas para diminuir a recorrência de câncer dentro do grupo de pacientes com mutações hereditárias por meio do uso de medicações orais. O OlympiA foi apresentado em uma sessão plenária do Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, da sigla em inglês) e também publicado simultaneamente no The New England Journal of Medicine.

Para Max Mano, o estudo deve ser comemorado como positivo e com potencial de alterar a atual prática clínica. Segundo ele, o estudo OlympiA avaliou o papel do olaparibe, medicamento que funciona como uma quimioterapia oral e atua como inibidor de uma enzima chamada polis da polimerase (PARP). “O medicamento age para diminuir a recorrência de tumores entre o grupo de pacientes com câncer hereditário do tipo HER2 negativo com mutações nos genes BRCA 1 e BRCA 2”, explica.

Também há perspectivas animadoras no uso de terapias avançadas para tumores metastáticos positivos para receptor de estrogênio (ER), subtipo que representa cerca de 75% de todos os casos. Os avanços no uso de moléculas projetadas para tratar esse tipo de doença, renovando assim as esperanças de pacientes, também farão parte das discussões do Simpósio Internacional que o Grupo Oncoclínicas, em parceria com Dana-Farber Cancer Institute, realizará entre os dias 29 e 30 de outubro, gratuito e totalmente virtual.

Impactos da pandemia na evolução do câncer

Até 2040, a Organização Mundial da Saúde projeta que os casos de câncer terão aumento de mais de 80% nos países em desenvolvimento. Hoje, a doença já é a segunda maior causa de morte no mundo, exercendo pressão física, emocional e financeira sobre pacientes, famílias, comunidades e sistemas de saúde. Apesar disso, há boas notícias em tratamentos e diagnósticos precoces que podem ajudar a desacelerar o avanço da doença.

No ano passado, a OMS acendeu um alerta vermelho para o câncer em função do avanço da pandemia do coronavírus. Por conta dela, foi registrada uma redução global nos índices de diagnóstico e tratamento da doença em todos os países do mundo em 2020. Cerca de 50% dos serviços públicos de tratamento de câncer foram parcial ou totalmente interrompidos durante a pandemia.

No Brasil, mais de 70 mil pessoas deixaram de ser diagnosticadas por não fazerem exames, segundo a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC). Segundo dados de 2020 do Instituto Nacional do Câncer (Inca), os tumores malignos mais comuns em homens são próstata (29%), cólon e reto (9,1%) e pulmão, (7,9%), enquanto em mulheres são câncer de mama (29,7%), cólon e reto (9,2%) e colo do útero (7,5%).

Para discutir os impactos dessa realidade, assim como novas formas de combate à doença e caminhos para a democratização do acesso à saúde, “A pandemia trouxe desafios importantes para a medicina como um todo. No caso da oncologia, temos não apenas reflexos negativos nas rotinas de acompanhamento de pacientes oncológicos como também um ‘apagão’ global de diagnósticos, o que afeta o processo de descoberta de tumores malignos ainda em estágio precoce”, comenta o oncologista Carlos Gil Ferreira, presidente do Instituto Oncoclínicas.

Ainda segundo ele, esses aspectos se somam ainda aos inúmeros desafios enfrentados pelos médicos e demais profissionais de saúde na rotina da sua prática clínica e que envolvem temas como equidade no acesso às melhores alternativas terapêuticas a todos os pacientes oncológicos e formas de promover novos avanços nos tratamentos.

Até metade dos casos de câncer poderia ser evitada

Em relação ao diagnóstico precoce, o médico lembra que é preciso estimular a discussão como forma de promover a melhora no quadro de ocorrência do câncer.  De acordo com a OMS, grande parte dos casos da doença poderia ser evitada.

Entre 30% e 50% das neoplasias podem ser prevenidas por meio da adoção de melhores hábitos de saúde, como não fumar, e medidas de saúde pública, como vacinação contra doenças infecciosas causadoras de câncer.

É o caso do vírus do papiloma humano (HPV), que responde por 70% dos casos de tumores de colo de útero e está ligado ao aumento no risco de incidência de outros cinco tipos de câncer.

“Em países onde os sistemas de saúde são fortes, as taxas de sobrevivência de muitos tipos de câncer estão melhorando graças à disseminação de informações para conscientização sobre prevenção de causas evitáveis do câncer, à detecção precoce acessível, tratamento de qualidade e cuidados médicos de sobrevivência. O câncer não é uma sentença de morte, é essencial esclarecermos os tabus sobre a doença, suas causas e condutas terapêuticas”, ressalta Carlos Gil.

Nesse sentido, é fundamental garantir que a população tenha acesso a exames de controle periódicos e ao que há de mais atual no tratamento dos mais variados tipos de câncer.

Mais sobre o evento

O 9º Simpósio Internacional Oncoclínicas e Dana-Farber Cancer Institute, de 29 a 31 de outubro, vai reunir mais de 250 palestrantes nacionais e internacionais para debater os últimos avanços da medicina no desenvolvimento de pesquisa clínica, processos diagnósticos, tratamentos e impactos da Covid-19 no enfrentamento à doença.

Serão 14 salas temáticas divididas por especialidades – ginecologia, mama, urologia, hematologia, gastrointestinal, pulmão, medicina de precisão, sarcoma, pele, cabeça e pescoço, sistema nervoso central, multidisciplinar, cuidados paliativos, neuroendócrinos, onco-hemato-pediatria e radioterapia.

Fonte: Oncoclínicas

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