Trasplante: o que muda em meio à pandemia de Covid-19?

Programa estadual no Rio de Janeiro realiza exames em potenciais doadores: quem já teve a doença ou conviveu com infectados não deve doar órgãos

Redação
Programa Estadual de Transplante (PET-RJ) ampliou número de doações em 10 anos no Rio (Foto: Maurício Bazílio / SES)
Em meio à pandemia de Covid-19, o Programa Estadual de Transplantes (PET) do Rio de Janeiro, que completa dez anos neste domingo (26), continua funcionando normalmente. Para assegurar que os potenciais doadores estejam saudáveis, o Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels (Lacen-RJ), referência estadual em testes para o coronavírus, firmou parceira com o  PET para a realização dos exames. Com isso, não são captados órgãos de pacientes que foram A óbito com suspeita ou confirmação da doença, nem de pacientes que tiveram contato com pessoas infectadas pelo vírus.
O PET comemora a conquista do terceiro lugar no ranking nacional de doadores de órgãos, atrás apenas dos estados de São Paulo e Paraná. Em uma década, o programa já realizou 18.898 transplantes. Entre os recordes já alcançados, o mais recente foi entre janeiro e março deste ano, quando foi registrado o melhor primeiro trimestre da história do programa, com 254 transplantes de órgãos sólidos. A marca supera em quase 54% o mesmo período do ano passado.  Em 2010, ano da criação do programa, o Estado do Rio de Janeiro estava entre as últimas posições do ranking.

Atualmente, o PET realiza captação e transplante de coração, fígado, rim, pâncreas,  medula óssea, osso, pele, córnea e esclera. Em 2019, a taxa de transplantes de órgãos sólidos e tecidos foi 289% maior do que em 2010, no início do programa. Para o secretário de Estado de Saúde, Edmar Santos, os marcos refletem os investimentos que o programa tem recebido.

O PET tem sido uma prioridade desde o início da atual gestão. Por isso, instituímos o repasse anual de R$ 25 milhões ao programa, que vai nos ajudar a expandir a rede de transplantes pelo estado. Outra meta é zerar a fila de transplantes de córnea até 2022. O PET é um trabalho que nos orgulha e vamos nos dedicar a quebrar recordes, porque, mais do que números, eles representam novas oportunidades de vida aos pacientes”, afirma.

Campanha de doação de órgãos chega a nove cidades

Para descentralizar da capital do estado a campanha de doação de órgãos, a ampliação do número de Organizações de Procura de Órgãos (OPOs) é a principal estratégia de 2020, passando de quatro para nove, no Rio de Janeiro (duas), Niterói, Nova Iguaçu, Petrópolis, Araruama, Itaperuna, Campos e Barra Mansa. As OPOs são responsáveis pelo apoio operacional ao processo de doação, dedicando, além de profissionais em tempo integral e meios de comunicação eficientes, o aparato logístico para um transporte mais ágil e seguro desde a captação dos órgãos até a cirurgia de transplante.

Mais uma frente de atuação que já vem mostrando resultados é a capacitação dos profissionais que abordam as famílias em busca da aprovação da doação de órgãos, num momento tão delicado quanto o luto. Com a adoção de treinamentos das equipes de Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), a taxa de autorização das famílias saltou de 38% para 72% em apenas nove meses, superando a média nacional de 40%. Os especialistas montam os cursos com foco na simulação e recriação de situações práticas do dia a dia, agregando mais realismo ao preparo dos profissionais.

Outros objetivos desse ano são a ampliação e profissionalização da CIHDOTT, através do redimensionamento de equipes e metas, bem como auditorias sobre resultados. Além disso, será criado um modelo de educação permanente e de investimento em pesquisa para todos os envolvidos no PET. Haverá ainda a promoção de palestras sobre transplantes  em empresas públicas e privadas, e em cursos de graduação da área da Saúde, fortalecendo a marca e a conscientização da importância da doação.

Coordenador do PET, Gabriel Teixeira destaca que a capilaridade do programa para mais municípios do estado ajuda a promover o debate sobre a doação de órgãos. Colocando o tema em evidência, além de mostrar o impacto do gesto, que pode ser decisivo para os receptores terem uma nova chance, também colabora com atuação das equipes nas etapas do processo de doação e transplante, aumentando o número de doadores e órgãos para transplante.

“Nossa busca diária é pelo ‘sim’ das famílias e é gratificante observar como a população do Rio de Janeiro tem respondido a esse chamado de solidariedade. O resultado do nosso trabalho ao longo dessa década evoluiu de forma gradual, pela conscientização, e o melhor reflexo são as histórias de superação e recomeços. Salvar vidas é o que nos move todos os dias”, diz.

Como ser um doador


Legalmente, no Brasil, o transplante só pode ser ocorrer mediante autorização dos parentes, sem necessidade de documentação. Mas comunicar sua família, ainda em vida, que deseja ser doador de órgãos pode ajudar na decisão da autorização do procedimento e a respeitar sua vontade. O site www.doemaisvida.com.br e o Disque Transplante 155 são canais para esclarecimento de dúvidas e debate do tema, além de você poder se declarar, informalmente, como doador.

FOTOS: Mauricio Bazilio / SES