Um terço dos brasileiros está em grupo de risco para Covid-19

Pesquisa da Focruz mostra que 33,5% dos brasileiros adultos pode ter pelo menos uma das doenças crônicas associadas aos fatores de risco para Covid-19, além da idade. Em 13 anos, obesidade teve alta de 72 . Diabetes e hipertensão também aumentam., aponta pesquisa Vigitel 2019

Pelo menos um terço dos brasileiros adultos possui um dos fatores de risco associados à maior incidência ou gravidade da Covid-19. Pesquisa da Fiocruz estima que cerca de 33,5% dos brasileiros adultos podem ter pelo menos uma das doenças crônicas associadas aos fatores de risco para Covid-19, além da idade. São elas a hipertensão, a diabetes, as doenças cardíacas e as doenças pulmonares. Somada a esse percentual, também está a população com mais de 60 anos. Contudo, os autores da pesquisa pontuam que as doenças crônicas acometem pessoas de todas as idades, em diferentes proporções.

Uma das grandes preocupações acerca da pandemia do novo coronavírus é a maior vulnerabilidade de alguns grupos e estratos da população aos efeitos da doença respiratória Covid-19. Para a comunidade científica, é consenso que idosos e portadores de doenças crônicas apresentam um perfil mais suscetível diante da infecção, o que já foi documentado em diferentes estudos e pesquisas realizados em todo mundo.

No Brasil, estudos como a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2013) e dados do Sistema de Indicadores de Saúde e Acompanhamento de Políticas do Idoso (Sisap-Idoso) oferecem informações sobre essas faixas da população brasileira e sua saúde e podem oferecer um retrato desse grupo populacional mais vulnerável diante da pandemia.

A partir de uma amostra analisada pela PNS 2013, ainda considerada uma referência em inquéritos de saúde, a  PNS foi realizada em âmbito nacional pela Fiocruz em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio de metodologia de entrevistas domiciliares; assim como o censo, alcançando uma amostra de 80 mil domicílios, por recortes de Grandes Regiões, unidades da federação e municípios das capitais e Distrito Federal.

Diabetes, hipertensão e obesidade avançam entre os brasileiros

Alguns dos principais fatores de risco para a infecção pela Covid-19 estão em alta no Brasil. O Ministério da Saúde traçou o perfil do brasileiro em relação as doenças crônicas mais incidentes no país: 7,4% tem diabetes, 24,5% tem hipertensão e 20,3% estão obesos. É o que aponta a pesquisa Vigitel 2019 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), lançada na última semana pelo Ministério da Saúde.

No período de 13 anos, desde o início do monitoramento, o maior aumento é em relação à obesidade, que passou de 11,8% em 2006 para 20,3% em 2019, uma ampliação de 72%. Significa que dois em cada 10 brasileiros estão obesos. Se considerando o excesso de peso, metade dos brasileiros está nesta situação (55,4%). Clique aqui para ver o estudo da Pesquisa Vigitel COVID-19

A pesquisa mostrou que, no período entre 2006 e 2019, a prevalência de diabetes passou de 5,5% para 7,4% e a hipertensão arterial subiu de 22,6% para 24,5%. Em relação à diabetes, o perfil de maior prevalência está entre mulheres e pessoas adultas com 65 anos ou mais. O mesmo perfil se aplica a hipertensão arterial, chegando a acometer 59,3% dos adultos com 65 anos ou mais, sendo 55,5% dos homens e 61,6% das mulheres

Quanto ao  excesso de peso, o índice passou de 42,6% em 2006 para 55,4% em 2019. O maior índice está entre os homens, alcançando 57,1% e entre as mulheres o percentual de 53,9%. A pesquisa apontou que o excesso de peso tende a aumentar com a idade: para os jovens de 18 a 24 anos, a prevalência foi de 30,1% e entre os adultos com 65 anos e mais de 59,8%. Por outro lado, a incidência diminui com a escolaridade: para as pessoas com até oito anos de estudo, a prevalência foi de 61,0%, já entre aqueles com 12 anos ou mais de estudo, de 52,2%.

Em relação à obesidade, o maior percentual está entre as mulheres (21%) e aumenta conforme a idade: para os jovens de 18 a 24 anos é de 8,7% e entre os adultos com 65 anos e mais, alcança o patamar de 20,9%. A obesidade é maior para as pessoas com até oito anos de escolaridade (24,2%) ante e aqueles com 12 anos ou mais (17,2%).

Os resultados apresentados para diabetes e hipertensão merecem destaque frente à pandemia da COVID-19. Estudos realizados com pacientes da China e de outras localidades apontaram para maior risco de agravamento e morte por COVID-19 em pessoas que apresentam doenças pré-existentes, como diabetes e hipertensão, além de doenças cardiovasculares. No Brasil, até o dia 20 de abril, 72% dos óbitos confirmados para a doença tinham mais de 60 anos e 70% apresentavam pelo menos um fator de risco.  A cardiopatia foi a principal comorbidade associada e esteve presente em 945 dos óbitos, seguida de diabetes (em 734 óbitos), pneumopatia (187), doença renal (160) e doença neurológica (159).

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METOLOGIA

Dados abertos – Para contribuir com os diversos esforços de pesquisa relacionados ao tema das doenças crônicas e envelhecimento, a equipe da PNS disponibiliza, em acesso aberto, tabelas com indicadores de prevalência das doenças crônicas, além de outros fatores de risco como fumo e obesidade, extraídos a partir dos levantamentos do estudo.

Os autores também elaboraram uma tabela inédita com um cálculo da proporção estimada da população em risco de agravamento da Covid-19, por sexo (valores percentuais). Cabe ressaltar que não constam dados pessoais sensíveis no conjunto de informações disponibilizadas. Acesse as tabelas aqui.

Saúde do Idoso – Outra fonte de informação relevante para se informar sobre a saúde da população idosa no país é o Sistema de Indicadores de Saúde e Acompanhamento de Políticas do Idoso. Ele apresenta indicadores por dimensões relacionadas a determinantes da saúde, fatores de risco e condições demográficas.

O Sisap-Idoso também monitora as políticas de saúde voltadas a essa população e a oferta de serviços em todo o país. Os indicadores estão disponíveis no site do Sisap-Idoso.

MonitoraCovid-19 – Considerando a importância da comunicação e da informação como elementos essenciais para o enfrentamento da pandemia causada pelo novo coronavírus, o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) tem contribuído para publicar e disseminar dados relevantes sobre a situação de saúde relacionada à Covid-19.

Uma dessas contribuições é a plataforma MonitoraCovid-19, sistema que agrupa e integra dados sobre a pandemia do novo coronavírus no Brasil e no mundo. A ferramenta está disponível em acesso aberto e pode ser utilizada por toda a comunidade científica, profissionais de saúde e demais interessados.

O monitor também apresenta análises inéditas por meio de notas técnicas, publicadas periodicamente pelas equipes de pesquisa da unidade. Todas as análises são divulgadas pelo site do Icict/Fiocruz e estão disponíveis também no Portal Fiocruz, que abriga as informações do Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz e também recursos e fontes para pesquisadores, como bibliotecas virtuais de saúde e outros acervos especializados.

Vigitel 2019 – O Vigitel é uma pesquisa telefônica realizada com maiores de 18 anos, nas 26 capitais e no Distrito Federal, sobre diversos assuntos relacionados à saúde. O objetivo é conhecer a situação de saúde da população para orientar ações e programas que reduzam a ocorrência e a gravidade de doenças, melhorando a saúde da população.

No ano de 2019 foram realizadas 52.443 entrevistas com adultos residentes nas capitais e no Distrito Federal, com duração média de, aproximadamente, 12 minutos, variando entre 4 e 58 minutos. Foram avaliados os indicadores de hipertensão arterial e diabetes, excesso de peso e obesidade, consumo abusivo de álcool, fumantes, consumo alimentar e atividade física.

Foram entrevistadas pessoas com 18 anos ou mais, residentes em domicílios com, pelo menos, uma linha de telefone fixo. Anualmente, estima-se um número amostral mínimo de duas mil entrevistas telefônicas para cada capital e o Distrito Federal e foram realizadas entre os meses de janeiro e dezembro de 2019.

Para mais informações, clique aqui para acessar Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde

Da Agência Saúde e Agência Fiocriz, com Redação

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