Uma doença silenciosa que pode até tirar a visão

Glaucoma causa cegueira irreversível e deve ser diagnosticado precocemente por meio do check-up oftalmológico anual

Redação
glaucoma

Segunda causa de cegueira no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o glaucoma afeta cerca de 900 mil pessoas no Brasil. Trata-se de uma doença grave, geralmente assintomática no seu início,  que leva à perda progressiva e irreversível do campo visual. A enfermidade somente é percebida em estado avançado, quando pode já haver comprometido entre 40% e 50% da visão. Por isso a consulta de rotina ao oftalmologista é crucial para o diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento.

Pensando nisso, a causa mobiliza profissionais e instituições de saúde na campanha Maio Verde, que tem seu dia D, o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, em 26 de maio. Mesmo durante a pandemia da Covid-19 é essencial cuidar da saúde ocular. O aumento da pressão intraocular é o principal fator de risco para sofrer de glaucoma. A pressão constantemente elevada no olho danifica, com o tempo, o nervo óptico; a estrutura formada por fibras da retina que seguem em direção ao cérebro. Essas fibras nervosas são as responsáveis por levar a informação visual recebida pelo olho. É como se fosse um cabo elétrico com mais de um milhão de fios. No cérebro, elas geram a visão central e a lateral ou periférica. E o individuo só costuma perceber alguma perda de visão quando a doença já avançou muito.

“Há diferentes tipos de glaucoma, mas o de maior prevalência não causa dor na fase inicial. Quando os sintomas aparecem, o mal já produziu danos graves. A cegueira é evitada com o diagnóstico precoce na consulta de rotina ao oftalmologista, com o auxílio de exames específicos em consultório. Alguns deles são: exame da pupila, teste com aparelho de lâmpada de fenda, tonometria, gonioscopia, avaliação criteriosa do nervo óptico e do campo visual. O tratamento clínico é com colírios receitados pelo oftalmologista. Em situações específicas, existe a opção de cirurgia a laser”, esclarece a oftalmologista especialista em glaucoma Mara Lucia Machado Fontes, das clínicas Lúmmen Oftalmologia, uma empresa do Grupo Opty.

O que é – Ter apenas a pressão intraocular (dentro dos olhos) elevada não significa diagnóstico de glaucoma. “Essa alteração pode ocorrer mesmo com níveis normais. Outros fatores considerados pelo oftalmologista são: idade avançada, história familiar de glaucoma, miopia em alto grau, diabetes e etnia negra”, diz a oftalmologista especialista em Glaucoma Viviane Guedes, do Eye Center Emergência 24 horas, também do Grupo Opty.

Portanto, fazer a consulta de rotina ao oftalmologista, manter hábitos saudáveis e evitar o uso de qualquer colírio por conta própria ajuda a prevenir o glaucoma.Um estudo realizado por oftalmologistas, liderados pelo doutor Ricardo Yuji Abe, do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB) – outra empresa do Grupo Opty -, em parceria com o Hospital das Clínicas da UNICAMP, constatou que uma proporção significativa dos pacientes com glaucoma pode apresentar depressão e/ou ansiedade, situações que merecem maior atenção com a necessidade de isolamento social imposta pelo combate à pandemia da COVID-19. A pesquisa foi publicada na edição de maio da revista científica “Arquivos Brasileiros de Oftalmologia”.

Tipos de glaucoma

O glaucoma primário de ângulo aberto é o de maior incidência e tem evolução lenta e progressiva, sendo assintomático frequentemente. De forma semelhante, embora mais raro, o glaucoma de pressão normal também é assintomático e pode estar presente em pacientes portadores de doenças cardiovasculares. Já o glaucoma de ângulo fechado pode causar dor ocular de forte intensidade e perda visual rapidamente, caso não seja realizado tratamento adequado em tempo hábil. Por fim, o glaucoma pode ocorrer secundariamente a traumatismos oculares, uso de medicações, lesões na retina causadas por complicações do diabetes, inflamações ou tumor.

Vale reforçar que a maioria dos glaucomas é assintomático nos estágios iniciais. A pressão ocular elevada vai lentamente danificando o nervo óptico, levando a uma perda imperceptível na periferia do campo visual. Quando não tratada, a doença avança e os defeitos de campo visual se estendem para o centro da visão, causando perda irreversível da visão. O glaucoma também pode ser encontrado, apesar de raro, em adolescentes ou adultos jovens, geralmente causando pressões bem elevadas, podendo vir acompanhado de dores de cabeça e percepção de halos coloridos ao redor de focos luminosos.

Como tratar

Embora não tenha cura, o glaucoma, na maioria dos casos, pode ser controlado com tratamento correto e contínuo, fazendo com que a perda da visão seja interrompida. Habitualmente é necessário o uso de colírios diariamente. Com o avanço de novas tecnologias, hoje é possível oferecer, dependendo de cada caso, um tratamento moderno, como, por exemplo, cirurgia a laser (fototrabeculoplastia), feita no ambulatório, com baixo risco, permitindo a redução da pressão intraocular.

Uma outra alternativa ao tratamento clínico no controle do glaucoma de ângulo aberto, de leve a moderado, é o microimplante de stents (dois ou mais) nos olhos, explica a doutora Mara Fontes. Essa técnica melhora o fluxo do humor aquoso – um líquido incolor que preenche as câmaras oculares –, reduzindo a pressão intraocular e podendo eliminar a necessidade de usar colírio ou diminuindo sua dose.

A técnica é realizada com anestesia local, e o stent (pequeno dispositivo de metal perfurado) mede quase um grão de arroz (0.4mm por 0.3mm) e não precisa ser trocado. Em geral, esse procedimento é indicado a pessoas que foram submetidas à operação de catarata ou no mesmo ato cirúrgico. Alguns planos de saúde cobrem esse procedimento.

Também na infância

O glaucoma é um dos principais motivos da cegueira na infância, sendo responsável por até 20% dos casos, de acordo com estudos do CBO. O diagnóstico do glaucoma infantil deve ser suspeitado pelo pediatra ainda na maternidade, logo após o bebê nascer, por meio do simples Teste do Olhinho, comenta a doutora Viviane Guedes. Diferentemente do adulto, o recém-nascido com glaucoma apresenta muitos sintomas, como lacrimejamento, aversão à luz, aumento do tamanho do globo ocular, além da perda do brilho natural dos olhos. Esses indícios surgem mais comumente em qualquer momento durante o primeiro ano de vida.

Ao contrário do glaucoma juvenil e adulto, o glaucoma congênito tem grande chance de controle da pressão com a cirurgia angular, se bem indicada e se efetuada com brevidade. É certo que a resposta da cirurgia varia com o quadro clínico da criança e sua gravidade. Na maioria das vezes, o glaucoma infantil vem acompanhado com outras condições sistêmicas ou genéticas que podem dificultar o tratamento.

Quem está no grupo de risco do glaucoma?

Pessoas com mais de 40 anos.

Pacientes com pressão intraocular elevada.

Com histórico de glaucoma na família.

Afrodescendentes são mais suscetíveis ao glaucoma, inclusive às formas de mais difícil controle.

Pacientes com alto grau de miopia.

Pacientes com diabetes, hipertensão arterial e/ou doenças cardíacas.

Que sofreram lesões físicas nos olhos.

Que fazem uso prolongado de medicamentos com corticoide.