Vacinação impacta hospitais: queda de internados chega a quase 20% na rede privada

Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), que conta com 117 hospitais membros em todo o Brasil, aponta queda em internações por Covid

A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), que conta com 117 hospitais membros em todo o Brasil, apurou os dados de internação de seus associados e constatou que o índice de ocupação de leitos de UTI destinados a pacientes com Covid-19, que vinha apresentando aumento no primeiro trimestre do ano, está novamente em queda.

Em março, os hospitais associados à Anahp registraram o pico da pandemia, com 97% dos leitos de UTI ocupados e 89,6% dos leitos de internação. Já em junho, as taxas ficaram em 76,56% e 70,29%, respectivamente. Em relação à ocupação semanal no mês de junho, o isolamento do período mostra a queda também por regiões.

Para Antônio Britto, diretor-executivo da Anah, a queda de pacientes internados com o novo coronavírus acompanha o crescimento da imunização no Brasil. “Apenas com a vacinação poderemos reduzir o número de casos graves que exigem internação, muitas vezes em leitos de UTI, e que podem até ser fatais. Mesmo com a melhora do cenário, a pandemia não acabou e ainda há muito a ser feito”, analisa.

Como a Covid afetou hospitais privados em 2020

No Observatório 2021 e na 6ª Nota Técnica (NT) do Observatório, a entidade apresentou os resultados de seus associados no ano de 2020 e no primeiro trimestre de 2021. Os documentos mostram o modo como a Covid-19 afetou os principais indicadores dos hospitais privados e as dificuldades que os gestores têm enfrentado durante a pandemia.

Termômetro de desempenho, a taxa de ocupação das instituições associadas à Anahp, que vinha se mantendo acima de 76% nos últimos três anos, sofreu uma queda de 9,37 p.p. em 2020, passando de 76,96% para 67,59%.

A queda foi causada, principalmente, pela recomendação de adiamento de procedimentos eletivos nos meses iniciais da pandemia em 2020 e pelo receio da população de sair de casa, até mesmo para dar continuidade aos tratamentos de doenças crônicas e, infelizmente, até para condições agudas de gravidade”, explica Ary Ribeiro, editor do Observatório e da Nota Técnica do Observatório da Anahp e CEO do Sabará Hospital Infantil.

Já no primeiro trimestre deste ano, com o aumento de casos de Covid-19 devido à segunda onda no País, os hospitais privados registraram uma taxa de ocupação maior do que no mesmo período do ano passado (70%), mas ainda inferior a 2018 (75,9%) e 2019 (76,2%).

O pico de mortalidade de pacientes com Covid-19 nos hospitais associados à Anahp ocorreu em março de 2021, quando chegou a 15,1%, superando a taxa de 14,9% de agosto de 2020, até então o pior mês desde o início da pandemia.

Devido à dinâmica da Covid-19, a média de permanência geral, que vinha apresentando tendência de queda entre 2017 (4,27) e 2019 (4,04), aumentou 13,61% em 2020, registrando 4,59 dias. Diante desse cenário, o índice de giro, que mede a capacidade mensal de internação em cada leito, diminuiu 19,1%, passando de 5,85 vezes em 2019 para 4,73 vezes em 2020, em média.

No primeiro trimestre deste ano, o aumento da taxa média de permanência de leitos foi ainda maior (21,95%), na comparação com o mesmo período de 2020, passando de 4,1 para 5 dias. Este último resultado foi impulsionado pelo mês de março, cuja média de permanência foi de 5,3 dias. O índice de giro, por sua vez, foi 13% inferior ao primeiro trimestre de 2021 (4,7 vezes) em comparação ao mesmo período de 2020 (5,4 vezes).

Analisando os demais indicadores dos associados à Anahp, houve uma redução de 20,09% no número de internações em 2020 em comparação a 2019. Além disso, foi observada uma mudança no mix de pacientes hospitalizados no primeiro trimestre deste ano e do ano passado, com aumento de 7,90 p.p. nas internações relacionadas a doenças infecciosas onde está classificada a Covid 19, e queda de 3,7 p.p. das internações relacionadas às doenças crônicas dos aparelhos digestivo e circulatório, e às doenças do sistema osteomuscular.

Empregabilidade
Na contramão dos indicadores econômicos e sociais do Brasil, que apresentaram queda 7,81 milhões de pessoas ocupadas, o setor de saúde, um dos principais geradores de emprego no País, manteve o ritmo de contratações. No saldo de admissões e desligamentos de empregos formais na saúde, chegou a 111 mil em 2020, sendo 78 mil em atividades hospitalares, os maiores números registrados desde 2012.

Junto com as novas contratações, cresceu também o absenteísmo. O contágio de profissionais da saúde e o esgotamento (burnout) são fatores que explicam o forte aumento na taxa, que saiu de 2,16% em 2019 para 3,56% em 2020. Já em relação a este ano, o absenteísmo (menor ou igual a 15 dias) também apresentou aumento na comparação com o primeiro trimestre de 2020 (2,4%) e 2021 (3,4%).

Negócios
As novas contratações, somadas a outros aumentos de despesas e à queda da receita dos hospitais privados com a redução da taxa de ocupação, fizeram com que, no acumulado de 2020, a margem EBITDA ficasse em 8,04%. O valor representa uma queda significativa de 4,36 p.p., quando comparado ao mesmo período de 2019, e uma redução ainda maior quando comparado ao resultado de 2018 e 2016. “Quando observamos o desempenho econômico-financeiro dos hospitais da Anahp em 2020, ele é, claramente, o desempenho de uma situação crise. Nós vemos uma redução da receita maior do que uma redução da despesa, o que significa que as instituições perderam mais do que conseguiram ganhar”, explica André Medici, editor e coeditor do Observatório 2021 e da 6ª Nota Técnica do Observatório Anahp.

Já o primeiro trimestre de 2021 trouxe números melhores, com EBITDA de 13,3% – um crescimento de 4,9 p.p., em comparação ao mesmo período do ano passado (8,4%). “O que temos percebido é que os resultados obtidos acompanham o aumento e a queda da taxa transmissão de Covid-19 no País. O crescimento do EBITDA no primeiro trimestre deste ano pode ser explicado pela retomada de procedimentos eletivos por pacientes que, após um ano postergando cuidados com a saúde, voltaram a procurar atendimento médico, em um momento em que a pandemia estava em um estágio de menor contágio (final de 2020). Porém, com a nova onda que tivemos no início desse ano, a tendência é de forte queda para os próximos meses”, analisa Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp.

“O Observatório Anahp e a 6ª Nota Técnica do Observatório consolidam os cenários que acompanhamos ao longo do último ano e, a partir dos picos de internação de pacientes Covid, mostram a tendência para 2021. Na análise, podemos concluir que este ano continuará sendo muito desafiador para os sistemas de saúde e os hospitais em geral, com perspectivas de ‘ondas’ de Covid-19, impactando a taxa de ocupação e o perfil epidemiológico e, consequentemente, as despesas e a receita dos hospitais privados. A evolução da pandemia no Brasil em 2021 tem no ritmo da cobertura vacinal a principal variável, que pode impactar na redução do número de casos e de óbitos”, finaliza Ribeiro.

De acordo com dados da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), publicados no Observatório Anahp 2021 e na 6ª Nota Técnica do Observatório, de janeiro a março deste ano, a taxa de ocupação no Sudeste foi de 75,9%, acima da média nacional de 74,8% no período.

Impulsionado pela segunda onda de Covid-19, o aumento no número de pacientes internados impactou na gestão dos hospitais, exigindo ampliação do quadro de colaboradores para atender à alta demanda. O índice de admissões na região, por exemplo, passou de 1,7% no primeiro trimestre de 2020 para 2,8% no mesmo período deste ano e o absenteísmo cresceu de 2,2% para 3,0%, respectivamente.

No ano passado, a taxa de ocupação no Sudeste foi de 69,16%, acima da média nacional de 67,59%. Analisando as saídas hospitalares, é possível verificar que, em geral, a região superou a média brasileira em diversas enfermidades, mas ficou abaixo em moléstias infecciosas, onde está relacionada a Covid.

Em relação à faixa etária, a Sudeste foi a região que mais registrou saídas hospitalares de pacientes acima de 75 anos.

Além das informações regionais destacadas, o Observatório 2021 e a 6ª Nota Técnica apresentam dados nacionais que mostram que:

Em relação à Covid-19
• Entre os associados à Anahp, os maiores picos de ocupação de leitos exclusivos para pacientes com Covid-19, desde o início da pandemia, foram em março (alas: 89,6%, UTI: 97%), abril (alas: 71,1%, UTI: 92,9%) e maio de 2021 (alas: 71,6%, UTI: 91,6%).

• O pico de mortalidade de pacientes com Covid-19 nos hospitais associados à Anahp ocorreu em março de 2021, quando chegou a 15,1%, superando a taxa de 14,9% de agosto de 2020, até então o pior mês desde o início da pandemia.

• A relação entre o número de pacientes na urgência e emergência com suspeita de Covid-19 e os atendimentos totais no setor, que vinha apresentando diminuição desde dezembro de 2020, voltou a aumentar em março de 2021. Esse último resultado (25%) foi o maior observado desde os meses de julho (20,2%), novembro (22,1%) e dezembro (21,8%) de 2020, que registraram taxas acima de 20% no período analisado.

• O índice de pacientes com suspeita de Covid-19 atendidos no pronto-socorro (PS), que tiveram o diagnóstico positivo confirmado para a doença, apresentou pequena redução em janeiro de 2021 (33,1%), em comparação a dezembro de 2020 (37,8%). Em março de 2021, entretanto, a incidência de Covid-19 registrou a maior taxa observada desde o início da pandemia no Brasil: 45,3%.

Em relação à empregabilidade
• Com o súbito aumento no número de casos no Brasil, a demanda por profissionais de saúde cresceu exponencialmente. Em 2020, foram gerados 111 mil novos empregos formais no setor de saúde, mais da metade (78 mil) para as atividades de atendimento hospitalar.

• Junto com às novas contratações, cresceu também o absenteísmo. O contágio de profissionais da saúde e o esgotamento (burnout) são fatores que explicam o forte aumento na taxa, que saiu de 2,16% em 2019 para 3,56% em 2020. Já em relação a este ano, o absenteísmo (menor ou igual a 15 dias) também apresentou aumento na comparação com o primeiro trimestre de 2020 (2,4%) e 2021 (3,4%).

Em relação aos negócios
• As novas contratações, somadas a outros aumentos de despesas e à queda da receita dos hospitais privados devido à mudança no perfil do paciente, fizeram com que, no acumulado de 2020, a margem EBITDA ficasse em 8,04%. O valor representa uma queda significativa de 4,36 pontos percentuais, quando comparado ao mesmo período de 2019, e uma redução ainda maior quando comparado ao resultado de 2018 e 2016.

• Já o primeiro trimestre de 2021 trouxe números melhores, com EBITDA de 13,3% – um crescimento de 4,9 pontos percentuais em comparação ao mesmo período do ano passado (8,4%).

• Além do impacto do cancelamento de cirurgias eletivas, o custo de materiais e medicamentos também foi um grande desafio encontrado pelos hospitais, devido à alta dos preços, em função da escassez e da alta procura durante a pandemia. Em 2020, essa despesa, em relação às demais, ficou em 11,48%, enquanto em 2019 foi 10,63%.

É possível fazer o download gratuito do conteúdo do Observatório 2021 na íntegra em https://conteudo.anahp.com.br/observatorio-2021 e, da 6ª Nota Técnica do Observatório, em https://conteudo.anahp.com.br/nt-observatorio-anahp-6a-edicao-maio-2021.

Com Assessorias

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