Vacinados da linha de frente em hospital contam suas experiências contra Covid

Conheça histórias de profissionais da linha de frente vacinados em hospital com a menor taxa de mortalidade de intubados no Brasil (59%)

Linha de frente da Covid: os primeiros vacinados no HSPE (Imagem: Divulgação / Iamspe)

A aplicação das primeiras doses da vacina contra a Covid-19 foi realizada simultaneamente em sete profissionais de saúde no Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo. O critério para a escolha dos primeiros imunizados foi definido pela Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa) que liberou 2.700 doses para a primeira etapa da vacinação.

Conheça abaixo a história dos primeiros profissionais vacinados no HSPE, alguns, como comorbidades, mas mesmo assim, sem desistir da luta. Eles se orgulham também de pertencer a um dos poucos hospitais do país com a menor taxa de mortalidade de intubados pela Covid-19 no Brasil – cerca de 59%, de acordo com a Epimed Solutions, que analisa as UTIs brasileiras.

O HSPE na capital é um dos principais equipamentos do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (Iamspe), o sistema de saúde do servidor público estadual. Presente em mais de 100 municípios, o Iamspe oferece atendimento a 1,3 milhão de pessoas, entre funcionários públicos estaduais e seus dependentes.

São mais de duas mil opções de atendimento no Estado, incluindo hospitais, clínicas de fisioterapia, médicos e laboratórios de análises clínicas e de imagem, além de postos de atendimentos próprios no interior, os Ceamas. Com uma rede de assistência própria e credenciada, o Iamspe é um órgão do Governo do Estado de São Paulo, vinculado à Secretaria de Projetos, Orçamento e Gestão.


Com diabetes e hipertensão, Selma Maria da Silva, de 54 anos, solteira, sem filhos, 15 anos de profissão e atua há uma década como técnica de enfermagem no HSPE. Para a profissional de enfermagem, a primeira semana na linha de frente do combate à pandemia da Covid-19 foi impactante. Quando chegou ao HSPE, ela ficou impressionada com as novas alas lotadas para atender os infectados pelo novo coronavírus. “Apesar do sentimento de medo e angústia, nunca pensei em abandonar os pacientes e colegas de trabalho, principalmente no momento em que mais precisavam”, comenta.

Diabético, o médico intensivista Luciano Narciso Sanches, 59 anos, casado, dois filhos, tem 35 anos de profissão e mais de duas décadas no HSPE, no qual também foi residente entre 1986 e 1989. O médico conta que no início da pandemia um paciente de 43 anos, evangélico, não bebia e nem fumava, tendo sempre uma vida saudável, deu entrada na internação em estado grave por complicações da Covid-19. Em questão de dias, o paciente foi a óbito. “A maneira com que essa doença levou este jovem foi marcante. O mais doloroso foi comunicar o falecimento para a esposa do paciente”, relembra.

A fisioterapeuta Sueli Gonçalves, 54 anos, casada, dois filhos, 26 anos de profissão, sendo 24 deles no HSPE (entre UTI e Moléstias Infecciosas), diz que mesmo com medo, assumiu o compromisso de lutar por vidas. Foram muitas histórias marcantes contadas pelos pacientes internados por Covid-19. Mas o que a tocou bastante neste período foi cuidar dos hospitalizados que eram seus colegas de trabalho, profissionais que se contaminaram por estarem na linha de frente do combate ao novo coronavírus. “A alegria tomava conta quando esses colegas tinham alta hospitalar, mas a tristeza também abatia quando faleciam pela doença”, conta Sueli.

Benedito Moraes Neto, de 55 anos, casado, dois filhos, 28 anos de profissão, e há 15 anos como enfermeiro da UTI no HSPE ficou emocionado por ser um dos primeiros a receber a vacina no HSPE. Ele se recorda de quando cuidou do primeiro paciente internado por Covid-19, Carlos Frederico, de 65 anos, que venceu a doença depois de quase 80 dias de internação. “Sentia angústia ao relembrar das despedidas dos familiares ao internar os pacientes sem certeza de poder revê-los”, diz ele.

Antônio Mitihossi Nagamachi, de 69 anos, é médico infectologista da enfermaria Covid-19 no HSPE e tem hipertensão e diabetes. Casado, três filhos, 42 anos de profissão e 39 de HSPE, ele afirma que todos os pacientes são prioridade e salvar vidas é o grande objetivo. A Covid-19 surpreendeu todos seus colegas médicos de uma forma como nenhuma outra doença havia feito. Os pacientes também deixaram suas marcas. “Acompanhar tantos idosos perdendo a vida de maneira tão rápida, em consequência da Covid-19, me atingiu de modo muito íntimo, pois com 69 anos se imaginava sofrendo como um daqueles pacientes”, afirma.

 Casado, dois filhos, seis anos de profissão e de atuação no HSPE, Leandro Azevedo Machado, 46 anos, é enfermeiro de uma das alas Covid-19 do hospital. Todo o período à frente da pandemia foi muito incerto. Tem sido gratificante receber cartas, mensagens de agradecimento, por vezes, até em guardanapo, dos pacientes e familiares atendidos. Esse ato de demonstração de carinho conforta me faz ter certeza de ter escolhido a profissão certa” ,afirma.

Cristina Aparecida Lopes, 48 anos, técnica de enfermagem de uma das alas Covid-19 do HSPE, tem pré-diabetes, hipertensão e obesidade. Solteira, sem filhos e seis anos de profissão e de HSPE, diz que o maior susto foi chegar no dia 21 de março de 2020 e observar o setor em que trabalhava transformado em área exclusiva para o tratamento de pessoas com Covid-19. O medo a assolou, pois a técnica em enfermagem mora com sua mãe de 82 anos que é asmática.

“O medo de me contaminar e levar para minha mãe me assombrava todos os dias, mas sabia que não poderia abandonar meus pacientes”, conta ela, que até o momento não foi contaminada, mantendo todos os cuidados. Cristina diz que sente-se feliz e lisonjeada por receber a vacina. Para a técnica de enfermagem, estar imunizada a deixa mais confiante quanto à proteção de sua mãe.

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